Ozzy Osbourne: Metal cheio de personalidade e ainda atual

Resenha - Scream - Ozzy Osbourne

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Por Thiago El Cid Cardim
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


“Black Rain”, disco anterior do madman Ozzy Osbourne, pode nem ser o que se chama de unanimidade entre os fãs – mas pelo menos conseguiu a façanha de sacudir a poeira da discografia do mestre, que nos últimos anos vinha sofrendo de um problema crônico de repetição aguda. É um Ozzy soando como Ozzy, claro, mas que está mais moderno, mais pesado, sem medo de exercer o seu lado mais soturno e sombrio. Assim sendo, era de se esperar que o recente “Scream” fosse exercer o papel de continuação obrigatória de “Black Rain”. Mas o resultado foi ainda melhor. “Scream” é mesmo um disco mais forte e intenso do que “Black Rain”. E também é definitivamente o álbum solo mais porradeiro do (ex) frontman do Black Sabbath nos últimos anos, cuja coleção de faixas tem potencial para extrair hits de verdade, para entrar na história do cantor. E isso não é pouco em se tratando de Ozzy.
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Seria simples dizer que a principal diferença entre “Scream” e “Black Rain” é a superioridade das composições mas, honestamente, não é só isso. “Scream” ganhou – e muito – em punch com relação aos seus antecessores diretos pela polêmica mudança na formação. Os fãs de Zakk Wylde podem ficar magoadinhos, mas é preciso dizer que sua saída da banda só fez bem ao som deste Ozzy solo. Wylde é um excelente guitarrista, talvez um dos melhores em atividade, com uma pegada única. Mas esta pegada acabou se transformando em uma espécie de assinatura, tornando os riffs disparados nos discos de Ozzy perigosamente similares aos que ele constrói nos álbum de seu grupo, o Black Label Society. Para seguir uma evolução natural a partir de “Black Rain”, era necessário que o disco seguinte se renovasse. E Ozzy encontrou esta renovação na forma do músico grego Gus G.

Egresso da banda de power metal Firewind, Gus (cujo nome verdadeiro é o impronunciável Kostas Karamitroudis) entra com tudo no rol de excelentes guitarristas que tocaram com Ozzy, trazendo uma sonoridade mais heavy metal tradicional para o disco. A faixa de abertura, “Let It Die”, é daquelas feitas para bater cabeça com força, contando com uma paulada de guitarra pegando pesadíssimo, para banger nenhum reclamar. Logo depois, vem o primeiro single, “Let Me Hear You Scream”, cujo refrão grudento não esconde os solos cheios de fúria do novo guitarrista. Na seqüência, eis que vem “Soul Sucker” e seu peso com toques de groove, justificando a razão pela qual esta quase foi a faixa que daria título ao disco. E, senhores, estas são apenas as três primeiras músicas de “Scream”. Segurem-se em suas cadeiras.

“Life Won't Wait” pode até ter uma letra inspiracional, com um quê de auto-ajuda, mas não se deixe enganar pelo comecinho quase fofo, a la “Changes” – já que, segundos depois, Gus G. entra cavalgando, devidamente pareado com Tommy Clufetos, o novo batera que chega para a complicada missão de substituir Mike Bordin (atualmente em turnê com os antigos amigos do Faith No More). E o que dizer da ferocidade de “I Want It More”, que começa com quebradeiras evocando Rage Against the Machine e, num passe de mágica, eclode com uma guitarra que é quase uma furadeira thrash?

Você deve estar se perguntando sobre a interpretação do principal integrante da festa, Mr.Ozzy Osbourne? Continua com a mesma força costumeira, oras. Sua voz anasalada sempre teve uma fragilidade que era ao mesmo tempo sua maior fraqueza e seu maior charme. O Príncipe das Trevas nunca quis ser um Michael Kiske e, sinceramente, nós também nunca desejamos isso. Mas quem duvida do pique do maridão de Dona Sharon deveria ouvir com atenção “Time”, um dos principais destaques de “Scream” - e aquela que arrisco dizer que é uma das mais belas músicas dele em muito tempo. Numa letra profunda sobre o tempo e sobre como a vida passa rápido diante dos nossos olhos, Ozzy parece usar a idade a seu favor, interpretando de maneira ao mesmo tempo madura e apaixonada. Qualquer moleque cantando esta mesma letra não teria o mesmo impacto, por mais que fosse alguma voz de ouro. Sem dúvida alguma, entrou para o meu setlist obrigatório de 2010.

“Scream” é um disco de heavy metal cheio de personalidade, mas que, antes de tudo, soa bastante atual, talvez até mais atual do que “Black Rain”, que trazia aqui e ali algumas experimentações eletrônicas. Isso porque temos aqui um Ozzy Osbourne ainda cheio de vida, se reinventando e aparentando querer sempre mais. Isso sem deixar de agradecer aos fãs, claro, como na curtinha e delicada “I Love You All”, que encerra a bolacha dizendo um singelo “obrigado” pelos anos de apoio. Vai firme, velho Ozzy. Estamos aqui pra isso.

Line-Up:
Ozzy Osbourne – Vocal
Gus G. – Guitarra
Rob "Blasko" Nicholson – Baixo
Adam Wakeman – Teclado
Tommy Clufetos – Bateria

Tracklist:
Let It Die
Let Me Hear You Scream
Soul Sucker
Life Won't Wait
Diggin' Me Down
Crucify
Fearless
Time
I Want It More
Latimer's Mercy
I Love You All

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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