"Lemmy gostava de estar no controle e amava a vida", diz Zakk Wylde
Por Bruce William
Postado em 17 de maio de 2026
Zakk Wylde tinha um camarote privilegiado para observar figuras que, para muita gente, pareciam quase personagens de ficção. Tocando com Ozzy Osbourne, ele conviveu com gente que não precisava fingir pose de rock and roll, porque a vida inteira já vinha embrulhada nesse pacote. Em 1991, quando o Motörhead saiu em turnê com Ozzy, Zakk conheceu Lemmy Kilmister de perto - não apenas como o vocalista e baixista do Motörhead, mas como sujeito de mesa, bebida, cigarro, histórias absurdas e frases que pareciam sair prontas para virar lenda.
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A imagem pública de Lemmy sempre foi fácil de resumir e difícil de explicar. Muita gente o via como o símbolo máximo do roqueiro que vive do jeito que quer, sem pedir licença e sem fazer discurso motivacional sobre autenticidade. Só que, nos relatos de quem conviveu com ele, aparece também um detalhe importante: Lemmy não era apenas caos ambulante. Ele gostava de controlar o próprio ambiente. Bebia, fumava, lia, jogava, conversava e seguia sua rotina, mas não parecia interessado em virar caricatura de bêbado caindo pelos cantos.
Foi isso que impressionou Zakk. Em entrevista à Classic Rock, lembrada pela Ultimate Guitar, ele contou: "Lemmy e Ozzy eram únicos. Conheci Lemmy quando o Motörhead fez a turnê do Ozzy em 1991. Eu, Randy [Castillo, baterista de Ozzy] e Mikey [Inez, baixista de Ozzy] saíamos para beber com eles. Lemmy era realmente incrível - ele bebia o tempo todo, e eu nunca o vi completamente bêbado, nem mesmo largado. Ele ficava presidindo a mesa, resolvendo os problemas do mundo."
Essa expressão, "presidindo a mesa", combina demais com Lemmy. Não era o sujeito escondido no canto, nem o astro inacessível cercado por uma muralha de assessores. Era o cara sentado, copo na mão, falando com quem estivesse ali, conduzindo o papo como se aquele bar fosse uma espécie de parlamento sujo do rock. Zakk ainda disse que "Lemmy gostava de estar no controle e amava a vida", e resumiu a filosofia dele assim: "Ninguém vai me dizer como eu devo viver minha vida. Eu amo tocar essa música, amo meus cigarros, minha bebida, um bom livro."
A parceria entre Lemmy e Ozzy também tinha uma química própria. Os dois se conheciam bem, compartilhavam histórias que soavam inventadas e, segundo Zakk, muitas vezes provocavam aquela reação inevitável: "Vocês estão inventando isso." A resposta, claro, era que não estavam. No caso de Ozzy e Lemmy, o problema é que as histórias verdadeiras frequentemente já vinham com aparência de mentira. Isso atrapalha qualquer tentativa de separar folclore, exagero e realidade sem pedir ajuda a um legista de bastidores.
Lemmy também teve um papel importante na carreira solo de Ozzy como letrista. Em "No More Tears", lançado em 1991, ele colaborou em faixas como "I Don't Want to Change the World", "Mama, I'm Coming Home", "Desire" e "Hellraiser". Zakk já contou que o processo podia ser assustadoramente rápido. Você chegava com uma ideia, uma linha melódica, alguma coisa para a música, e Lemmy dizia algo como: "Me dá uma hora, deixa eu bolar alguma coisa aqui." Depois, muitas vezes no Rainbow Bar & Grill, em Los Angeles, ele aparecia com a letra pronta.
Esse talento ajuda a explicar por que Lemmy não pode ser reduzido ao baixo distorcido, ao chapéu, às verrugas e ao copo. Ele era um escritor de frases diretas, irônicas e afiadas, alguém que entendia a linguagem do rock sem precisar enfeitar demais. Mesmo quando parecia viver como se não houvesse amanhã, havia método naquela bagunça. Zakk percebeu isso de perto: Lemmy podia beber a noite inteira, mas continuava lúcido o bastante para conversar, escrever, observar e manter o comando da própria lenda.
Talvez por isso tanta gente fale dele com esse misto de admiração e espanto. Lemmy não vendia a ideia de vida livre como pose de palco. Ele simplesmente parecia incapaz de viver de outro jeito. E, para Zakk Wylde, aquelas noites de 1991 mostraram exatamente isso: um homem bebendo com a turma de Ozzy, sem perder a linha, sentado como um velho rei de bar, cigarro aceso, histórias impossíveis e a convicção tranquila de que ninguém tinha autoridade para ensiná-lo a ser Lemmy.
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