Ferraris, Jaguars e centenas de guitarras: quando astros do rock transformaram obsessões em estilo
Por Sérgio Dall'Alba
Postado em 19 de maio de 2026
De Yngwie Malmsteen combinando carros e guitarras a coleções gigantescas de instrumentos raros, alguns músicos levaram o exagero muito além do palco
O rock sempre teve relação íntima com excessos. Mas, para alguns músicos, o exagero não ficou restrito a drogas, hotéis destruídos ou turnês caóticas. Houve quem transformasse carros, guitarras e colecionismo em parte essencial da própria identidade artística. Poucos representam isso tão bem quanto Yngwie Malmsteen. Conhecido pela técnica neoclássica extremamente veloz e pela personalidade extravagante, o guitarrista também virou personagem lendário por sua obsessão estética envolvendo carros de luxo e Fender Stratocasters.
Durante anos, circulou no universo do rock a história de que Malmsteen teria um Jaguar para combinar com cada cor de guitarra que possuía. A parte literal da lenda nunca foi totalmente confirmada, mas existem diversos registros do músico com vários modelos da marca Jaguar, especialmente o Jaguar XJS V12, além de inúmeras Stratocasters praticamente idênticas em cores diferentes.

Mais do que ostentação, aquilo fazia parte do personagem que ele construiu: uma mistura de virtuose da música clássica com estrela do hard rock oitentista. Em entrevistas antigas, Malmsteen demonstrava fascínio por luxo europeu, carros esportivos e estética aristocrática. O exagero visual acabou se tornando extensão direta de sua música.
E ele não foi o único.
Eddie Van Halen transformou guitarra em laboratório
Eddie Van Halen talvez tenha sido o maior exemplo de guitarrista que enxergava instrumentos como máquinas personalizadas. Sua famosa Frankenstein Guitar virou um dos instrumentos mais icônicos da história do rock justamente por quebrar padrões tradicionais.

Eddie misturava peças de diferentes fabricantes, modificava captadores, alterava circuitos e praticamente reinventava o instrumento para atender suas necessidades técnicas. A lógica era semelhante à cultura hot rod dos carros personalizados americanos: desmontar tudo e reconstruir do próprio jeito.
O visual da guitarra - com listras vermelhas, pretas e brancas - acabou se tornando tão importante quanto o som.
Essa obsessão por customização também se refletia em carros e equipamentos. O guitarrista era apaixonado por mecânica e frequentemente comparava amplificadores e guitarras a motores de alta performance.
Slash levou a imagem do rockstar clássico para fora do palco
Enquanto alguns músicos buscavam sofisticação europeia, Slash incorporou outra tradição: a do colecionador de carros clássicos americanos e britânicos.

Ao longo das décadas, Slash acumulou modelos vintage e frequentemente apareceu associado a muscle cars e veículos clássicos de luxo. A estética ajudava a reforçar a imagem construída desde os tempos de Appetite for Destruction: a do guitarrista quase mitológico, sempre cercado por fumaça, couro, amplificadores Marshall e carros antigos.
O curioso é que, mesmo sendo associado ao caos do Guns N' Roses, Slash sempre demonstrou um lado extremamente cuidadoso com instrumentos. Sua relação com guitarras Les Paul se tornou quase simbólica dentro do hard rock.
Rick Nielsen transformou coleção em espetáculo
Se existe alguém que elevou o colecionismo ao nível da obsessão absoluta, esse alguém provavelmente é Rick Nielsen.
O músico ficou famoso não apenas pelas performances excêntricas, mas também pela coleção gigantesca de guitarras raras e incomuns. Estima-se que Nielsen tenha acumulado milhares de instrumentos ao longo da vida.
Entre eles estão modelos vintage extremamente raros, guitarras personalizadas e instrumentos visualmente absurdos, incluindo exemplares com cinco braços e formatos pouco convencionais.
No caso dele, a coleção virou parte do entretenimento. O público passou a esperar não apenas as músicas do Cheap Trick, mas também quais guitarras apareceriam no palco.
E talvez essa seja justamente a essência da mitologia rock'n'roll.
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