A banda dos anos 80 que Ozzy até gostava, mas ouviu tanto que passou a odiar
Por Bruce William
Postado em 17 de maio de 2026
Existe uma diferença grande entre odiar uma banda e não suportar mais ouvi-la tocando o dia inteiro dentro de casa. No caso de Ozzy Osbourne e Bon Jovi, a história parece cair mais nesse segundo território. Ele podia não se identificar muito com o lado mais polido e radiofônico do hard rock dos anos 80, mas o problema maior foi bem doméstico: sua filha ouvia Jon Bon Jovi sem descanso.
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Ozzy já tinha convivido com quase todos os excessos possíveis do rock quando Bon Jovi estourou. Vinha do Black Sabbath, havia passado pela transformação em artista solo, entrado de cabeça na estética de horror de discos como "Bark at the Moon" e carregava a imagem de "Príncipe das Trevas" como se fosse um segundo sobrenome. Mesmo assim, seu gosto musical nunca foi limitado ao metal. Beatles, por exemplo, continuavam sendo uma referência afetiva enorme para ele.
Por isso, é curioso imaginar Ozzy sendo atormentado não por alguma banda extrema, mas por Bon Jovi. O grupo de New Jersey representava outro tipo de rock pesado dos anos 80: refrões enormes, visual pensado para a MTV, baladas de arena e músicas que podiam soar perigosas para adolescentes, mas também suficientemente acessíveis para tocar em qualquer rádio. "Livin' on a Prayer" e "You Give Love a Bad Name" eram quase impossíveis de escapar.
Ozzy comentou a situação com aquela sinceridade meio rabugenta que sempre fez parte de sua figura pública, coloca a Far Out "Minha filha é fanática por Bon Jovi. Ela acha que o sol brilha de dentro do você-sabe-o-quê dele. Ela escuta isso o dia inteiro! Eu o encontrei outro dia e ele é um cara muito legal. [Mas] chega uma hora que basta! Eu não suporto ouvir música nenhuma em excesso. Música demais, de qualquer tipo, dá dor de cabeça."
Ozzy até reconhece que o sujeito era legal pessoalmente. O incômodo vinha da repetição, e isso qualquer pessoa que já dividiu casa com fã obcecado entende bem. Não precisa ser Bon Jovi. Pode ser Beatles, Sabbath, Legião Urbana, trilha de novela ou um compacto dos anos 70 tocado vinte vezes seguidas. Em algum momento, até música boa vira furadeira.
Também havia um choque de mundos. Ozzy vinha de uma escola em que o peso carregava sujeira, ameaça e uma certa sensação de descontrole. Bon Jovi, mesmo quando falava de estrada, fuga ou rebeldia, vinha com acabamento de estádio, sorriso de capa de revista e refrão pronto para multidão. Para quem ajudou a criar o vocabulário sombrio do metal, aquele tipo de "perigo" podia soar domesticado demais.
Nada disso impediu Bon Jovi de se tornar uma das maiores bandas da década. O grupo tinha canções fortes dentro da proposta que abraçava, e Jon Bon Jovi entendia muito bem como transformar carisma em hino popular. Mas, para Ozzy, havia um limite físico para tanto refrão brilhante entrando pela casa. O problema não era necessariamente a existência da banda. Era a impossibilidade de escapar dela.
A reclamação de Ozzy talvez seja menos sobre Bon Jovi e mais sobre saturação. Qualquer artista, quando repetido sem trégua, começa a perder a graça para quem está por perto. E a cena tem sua dose de humor: o homem que ajudou a assustar pais e mães por décadas acabou vencido, dentro da própria casa, pelo som preferido da filha. O Príncipe das Trevas contra o poder implacável de uma adolescente fã de Bon Jovi - e, nessa batalha específica, ele saiu pedindo arrego.
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