O solo super simples mas que George Harrison via como uma aula de guitarra
Por Bruce William
Postado em 20 de maio de 2026
Antes de George Harrison virar o guitarrista dos Beatles, ele foi um garoto tentando descobrir como aqueles sons saíam dos discos. E, para quem cresceu na Inglaterra dos anos 50, poucos nomes tinham o peso de Buddy Holly. Ele não parecia um astro inalcançável no molde de Elvis Presley. Tinha óculos, guitarra na mão, compunha, cantava e liderava uma banda. Para muitos jovens músicos, aquilo tornava a coisa toda mais próxima: talvez desse para fazer também.
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Harrison sempre reconheceu essa influência. Em uma entrevista de 1974 resgatada pela Far Out, ao falar sobre os músicos que haviam marcado sua formação, ele deixou claro que não tinha apenas uma admiração nostálgica, mas estava falando de alguém que ajudou a mostrar caminhos harmônicos e melódicos que ele ainda não conhecia quando começou a tocar. "Acho que uma das maiores pessoas para mim foi Buddy Holly." E completou sem enfeite: "Ele era muito bom - excepcionalmente bom."
O exemplo que ficou gravado para ele foi "Peggy Sue", lançada por Buddy Holly em 1957. A música é curta, direta e construída em cima de uma energia quase hipnótica, com a bateria de Jerry Allison pulsando de forma incomum para a época e a guitarra de Holly cortando a canção sem precisar de exibicionismo. Para um ouvido moderno, acostumado a solos longos, distorção pesada e virtuosismo de todas as cores, pode parecer algo simples demais. Para Harrison, naquele momento, era uma porta se abrindo.
Ele explicou isso ao comentar as mudanças de acordes que ouviu em Holly. "Buddy Holly foi a primeira vez que ouvi de Lá para Fá sustenido menor. Fantástico! Ele estava abrindo novos mundos ali. E depois Lá para Fá, Lá, Ré, Mi, Fá e Fá sustenido menor. Ele era sensacional." A fala mostra um tipo de encantamento que não depende de complexidade absurda. Às vezes, uma passagem curta, colocada no lugar certo, muda a maneira como alguém entende o instrumento.
Harrison também carregou "Peggy Sue" por décadas na memória das mãos. Em entrevista à Guitar Player, ele disse: "Esse ainda é um dos maiores solos de guitarra de todos os tempos. Até hoje, eu poderia tocar o solo de 'Peggy Sue' para você a qualquer momento." A grandeza de Buddy Holly estava muito em como a guitarra entrava sendo parte da canção, ajudando a construir identidade, ritmo e melodia. Isso talvez tenha sido uma lição importante para Harrison, que nos Beatles quase nunca tocou como um guitarrista interessado em atropelar a música. Suas melhores partes costumam ser memoráveis porque aparecem no ponto certo, não porque tentam vencer uma corrida.
A carreira de Holly foi interrompida cedo demais, em 1959, quando ele morreu no acidente aéreo que também matou Ritchie Valens e J.P. "The Big Bopper" Richardson. Mesmo assim, o material que deixou em poucos anos foi suficiente para atravessar gerações. Beatles, Rolling Stones, Eric Clapton, Keith Richards e tantos outros músicos britânicos cresceram ouvindo aquele rock and roll que parecia menos distante do que o showbiz americano mais grandioso.
No caso de George Harrison, "Peggy Sue" ficou como uma pequena aula permanente. Um solo simples, uma mudança de acorde inesperada, uma sensação de descoberta. Antes de qualquer sitar, slide guitar, Abbey Road ou "While My Guitar Gently Weeps", havia um garoto ouvindo Buddy Holly e percebendo que a guitarra podia abrir mundos sem precisar gritar para isso.
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