O álbum que quase enterrou o Black Sabbath, até que Ozzy voltou e salvou a banda
Por Bruce William
Postado em 19 de maio de 2026
Em 1995, o Black Sabbath parecia carregar uma pergunta incômoda: até que ponto uma banda ainda é a mesma banda quando quase todos os rostos originais já foram embora? Tony Iommi seguia ali, firme na guitarra, sustentando o nome como quem segura uma parede prestes a cair. Mas Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Bill Ward estavam fora, e o grupo havia passado por tantas formações que a própria continuidade começava a parecer mais teimosia do que plano.
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"Forbidden" nasceu nesse clima. A formação trazia Tony Martin nos vocais, Neil Murray no baixo, Cozy Powell na bateria e Geoff Nicholls nos teclados, além de Iommi como último elo direto com 1970. Não era uma escalação sem talento; pelo contrário, havia músicos experientes ali. O problema era outro. O Sabbath parecia espremido entre pressão de gravadora, desgaste de contrato, tentativa de atualização e a sombra enorme de sua própria história.
A escolha de Ernie C, guitarrista do Body Count, como produtor já indicava uma tentativa de empurrar o Sabbath para um território mais "moderno", como bem coloca a Far Out. Ice-T apareceu em "The Illusion of Power", faixa de abertura do álbum, com uma participação falada que até hoje costuma ser lembrada como um dos momentos mais estranhos da discografia da banda. Não porque rap e metal fossem impossíveis de misturar - o próprio Body Count já existia para provar o contrário - mas porque ali a junção parecia menos uma ideia natural e mais uma solução externa jogada em cima de uma banda que já não sabia direito para onde ir.
Iommi depois não escondeu o desconforto com aquele processo. Em relatos sobre o disco, ele disse que a gravadora sugeriu trabalhar com Ice-T e que sua primeira reação foi perguntar quem era o sujeito. Também reconheceu que Ice-T era fã do Sabbath e uma boa pessoa, mas chamou a produção de Ernie C de "um erro terrível", dizendo que o produtor tentou fazer Cozy Powell tocar partes em estilo hip-hop, algo que desagradou o baterista. A imagem é quase cruel: Cozy Powell, um dos grandes bateristas do hard rock britânico, sendo empurrado para um tipo de batida que não tinha relação com sua linguagem.
Há quem veja "Forbidden" menos como um desastre isolado e mais como o ponto final de uma fase inteira. O próprio Tony Martin já tratou o disco como uma espécie de álbum de transição, algo que ajudou a banda a se livrar do contrato com a I.R.S. e abrir caminho para a reunião posterior. O site Black Sabbath Online registra que "Forbidden" não foi exatamente o último item desse contrato - a coletânea The Sabbath Stones, de 1996, ainda cumpriria esse papel - mas a sensação de fim de linha estava ali, no som e no contexto.
O mais estranho é que "Forbidden" não acabou com o Black Sabbath por falta de músicos capazes. Tony Martin tinha história dentro da banda, Cozy Powell era um nome pesado, Neil Murray vinha de uma longa estrada, e Iommi continuava sendo Iommi. O que faltava era direção. O álbum soa como uma tentativa de fazer o Sabbath caber em 1995 sem entender exatamente qual pedaço de 1995 valia a pena absorver. Quando uma banda criada a partir de peso, atmosfera e identidade começa a parecer guiada por sugestão de escritório, alguma coisa já saiu do lugar.
Depois disso, Iommi precisou parar e recalcular a rota. A sequência natural não foi insistir mais uma vez em outra formação intermediária, mas reabrir pontes com Ozzy. Em 1997, a reunião com Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Tony Iommi colocou novamente o nome Black Sabbath em outro patamar, ainda que Bill Ward não estivesse presente em todos os momentos dessa retomada. A banda que parecia perto de virar apenas uma marca em circulação voltou a ter ligação direta com sua origem.
"Forbidden" ficou como aquele disco que muitos fãs preferem pular, mas que ajuda a entender a encruzilhada do Sabbath nos anos 90. Não é apenas "o álbum com Ice-T", embora essa seja a etiqueta mais fácil. É o registro de uma banda com passado gigante, presente confuso e futuro prestes a depender de uma volta às próprias raízes. Às vezes, para ressuscitar, o Sabbath precisava primeiro chegar bem perto de parecer morto.
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