Ozzy Osbourne: o astro do rock'n'roll está em forma
Resenha - Scream - Ozzy Osbourne
Por Pedro Zambarda de Araújo
Postado em 31 de julho de 2010
Um funeral em forma de CD? Uma despedida? Um adeus antecipado? Muitas perguntas saltam na cabeça do ouvinte atento de Scream, o novo álbum do criador do heavy metal Ozzy Osbourne. No entanto, pelo menos uma resposta é bem dada nas onze faixas do CD novo, lançado mês passado: o astro do rock´n´roll está em forma, fazendo o som agressivo que contagia e que é esperado por seus fãs.
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A peça abre com Let it Die, onde é possível acompanhar o talento confessional de Ozzy aliado à excelente cozinha de baixo e teclado composta por Rob "Blasko" Nicholson e pelo filho do ícone do Yes, Adam Wakeman. "I'm a rock star,I'm a dealer / I'm a servant, I'm a leader / I'm a savior, I'm a sinner, I'm a killer / I'll be anything you want me to be". Osbourne se define com muitos nomes que mostram a sua vida instável. A guitarra do novato Gus G. dá suas primeiras explosões, com acordes mais concisos em relação ao antecessor Zakk Wylde. A voz de Ozzy é modulada no começo para não ser reconhecida, mas, ao longo da canção, ele vai se revelando, entre todas as definições instáveis. E sua mensagem final é "let it go, let it die", isto é, deixe tudo ir embora, morrer.
Com esse tom confessional e se liberando de definições, a guitarra de Gus novamente causa uma explosão em Let Me Hear Your Scream. Feita para tocar em qualquer situação, essa música dá o tom do novo álbum: um simples grito de um rockstar que está na fase final de sua carreira, mas em plena forma. Ozzy quer também ouvir os sons de quem o ouve, e convida as pessoas a lançarem seus gritos. Nesse pedido que, aparentemente, é violento, está também o catarse da sua música, que deve ser apreciada na adrenalina.
Soul Sucker mostra mais claramente o propósito do CD, pois Ozzy confronta seus fantasmas de um passado de abuso de drogas e problemas pessoais. O tom lento traz um pouco de melancolia, mas nosso astro consegue vencer essa assombração. Life Won´t Wait é uma das mensagens mais positivas que Ozzy Osbourne poderia trazer depois de tantos obstáculos à sua sanidade: "When it's gone, it's gone / A fight 'til the bitter end / Life won't wait for you, no / Life won't wait for you, my friend". Essa letra marcante é mesclada entre passagens acústicas e uma guitarra agressiva de Gus G. É a música sobre como resistir, não se render ao que pode te atrasar na vida e, acima de tudo, aceitar a velhice passando a tocha para frente.
Com o emocional à flor da pele, Ozzy lança a pesada Diggin´Me Down, trazendo questionamentos religiosos. Duvidando da crença cega e das falsas luzes, o vocalista questiona Deus e o próprio Jesus Cristo, orquestrado por todo o instrumental pesado. Crucify estende a crítica do divino aos problemas materiais e toda a sua mentira. A crucificação é o rompimento dos lanços verdadeiros entre as pessoas.
Fearless é uma música que traduz o espírito guerreiro de Ozzy, muitas vezes repleto de crueldade, mas tendo uma outra face de desafio contra os males que o aflingem. A música que se segue é de emocionar ainda mais quem acompanhou a carreira do fundador do Black Sabbath. Em Time, Ozzy Osbourne assume sua derrota diante do tempo, em um clima tão leve quanto Changes, mas extremamente melancólico. A guitarra de Gus G. se une a uma letra que mostra toda a instabilidade de viver. Não se deve fazer as coisas por um futuro e nem viver intensamente o presente. Em tudo, Ozzy enxerga insuficiência, mas que é natural do tempo em si.
I Want it More traduz a vontade do vocalista em viver mais, ao mesmo tempo em que se constata que a vida é insuficiente em si. Latimer´s Mercy parece um pedido de misericórdia para se retornar ao início de tudo. I Love You All é uma faixa de apenas um minuto que traduz a conclusão que Ozzy tirou toda a vida: não é possível viver sozinho. Ele agradece então a todos e diz que os ama. É uma declaração aberta tanto aos fãs quanto aos que o testemunharam de perto.
Ouvir todas essas canções e ver a capa do CD dá realmente a impressão que o compositor Ozzy está, de alguma forma, se despedindo das pessoas. Vestido de sobretudo, com asas e segurando uma bandeira preta, Ozzy Osbourne está pronto para encarar a morte. E ver um trabalho com tamanha ligação com sua vida particular é enriquecedor para seus fãs e para o rock´n´roll como um todo. Um trabalho digno para ser lembrado, embora ninguém realmente queira que a morte o leve.
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