Resenha - A Matter of Life and Death - Iron Maiden
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 14 de novembro de 2006
Nota: 9 ![]()
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O título do novo disco do Iron Maiden, "A Matter of Life And Death" (Uma Questão de Vida ou Morte), não poderia ser mais acertado – afinal, nos últimos anos, toda e qualquer questão relativa à banda tornou-se de "vida ou morte", dividindo fãs de maneira tão radical que os fóruns internéticos e conversas de boteco entre headbangers transfiguraram-se em verdadeiras lutas de amor e ódio. Meios-termos não são permitidos. Assim sendo, resolvi meter a minha colher neste caldo também e, continuando os paralelos gastronômicos levantados por Rafael Carnovale, colega de Whiplash: "A Matter of Life And Death" pode ser um "prato-feito" mesmo. Mas daqueles muito bem temperados, o tipo de comida que a gente só come na casa da nossa mãe... um arroz com feijão com aquela pimentinha na medida certa. É simples, é tradicional, mas é bom pra cacete.

Um disco do Iron Maiden que abre com "Different Worlds", uma faixa que não poderia ser mais tipicamente Iron Maiden, já dá a impressão de que aquilo que vem pela frente é apenas o Iron Maiden básico, de sempre, sem nada de novo a oferecer. "Maiden é Maiden, é igual à pizza: até quando é ruim, é bom", costuma brincar um amigo. Neste caso, ledo engano.
Em plena forma, o sexteto britânico mistura saudáveis influências progressivas ao seu som, fazendo de "A Matter of Life And Death" um álbum forte, maduro, diversificado, corajoso. E ainda assim, é um disco do Iron Maiden, como pode ser facilmente notado em qualquer uma das dez faixas. Definitivamente, o melhor disco desde o retorno do vocalista Bruce Dickinson – deixando o razoável "Brave New World" (2000) e o ótimo "Dance of Death" (2003) no chinelo. E aos puristas, vamos esquecer, de uma vez por todas, as chatéssimas e inevitáveis comparações com "The Number of The Beast", "Powerslave", "Seventh Son of a Seventh Son", "Piece of Mind" e demais clássicos do grupo. Estamos falando do presente, e a hora é agora.
"A Matter..." tem dez petardos do mais puro metal tradicional, daquele do tipo épico mas sem rodeios ou frescuras – e mostra uma banda, apesar dos adereços progressivos, mais crua, mais pesada e mais agressiva do que nos últimos anos. Os riffs da trinca Smith, Murray e Gers estão entre os melhores que pudemos ouvir recentemente, selvagens e envolventes. O baixo compassado de Harris mostra cada vez mais força. McBrain parece estar batendo com um taco de beisebol na bateria. E Bruce...ah, o bom e velho Bruce. Basta ouvi-lo de uma paulada só em "Brighter Than A Thousand Suns" para ver o quanto o gogó do sujeito permanece intacto, alcançando altos tons aqui e rasgando acolá sem grande esforço.
"For The Greater Good Of God" (na minha opinião, o melhor momento do disco), "The Longest Day" e "The Reincarnation Of Benjamin Breeg", todas com mais de 7 minutos de duração, retomam a tradição de clássicos como a quilométrica "Rime Of The Ancient Mariner", sem muita preocupação com a estrutura tradicional da música pop e seus refrões grudentos, sendo marcadas pelas muitas quebradeiras e desvios de andamento.
Para quem adora reclamar da falta de postura política e social do heavy metal em comparação ao punk, por exemplo, "A Matter..." é uma porrada na medida certa: a bolacha fala de guerra e de religião, deixando a Idade Média e os cavaleiros de espadas em riste de lado para abordar a bomba atômica ("Brighter Than a Thousand Suns") ou o Dia D ("The Longest Day"). No entanto, uma leitura simples das letras já mostra uma nítida preocupação de Steve Harris e cia. em traçar paralelos com os dias de hoje – ou as tropas de soldados matando indiscriminadamente e os fanáticos religiosos se explodindo por aí não te lembram de alguma coisa? Talvez as manchetes dos noticiários internacionais?
Arrisco até a dizer que este é justamente o disco que faltava o Maiden lançar para tornar o futuro da banda pós-retorno do Bruce menos duvidoso. Pois se, até agora, só tivemos uma nítida progressão em termos de qualidade, o que podemos esperar dos próximos lançamentos? Algo simplesmente genial, não? Que a donzela de ferro nos surpreenda novamente.
Finalizando, um adendo para os nerds de plantão: a capa de "A Matter..." é desenhada por ninguém menos que Tim Bradstreet, capista oficial dos gibis recentes do Justiceiro (da fase de humor negro escrita por Garth Ennis) e conhecido também por suas ilustrações para os livros de RPG da série "Vampiro: A Máscara". Uma espécie de "Alex Ross do mal".
Line-up:
Bruce Dickinson - Vocais
Steve Harris - Baixo
Dave Murray - Guitarra
Adrian Smith - Guitarra
Janick Gers - Guitarra
Nicko McBrain - Bateria
Tracklist:
1. Different Worlds
2. These Colours Don't Run
3. Brighter Than a Thousand Suns
4. The Pilgrim
5. The Longest Day
6. Out Of the Shadows
7. The Reincarnation of Benjamin Breeg
8. For the Greater Good of God
9. Lord of Light
10. The Legacy
Gravadora: EMI
Site Oficial:
http://www.ironmaiden.com
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