Resenha - A Matter of Life and Death - Iron Maiden

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Por André Toral
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Nota: 6


Falar sobre um novo lançamento do Iron Maiden é uma tarefa que pode ser complicada. Neste aspecto, é bom não ter compromisso com gravadoras. "A Matter of a Life and Death" é um álbum fraco, excessivamente repetitivo em relação aos dois trabalhos anteriores da donzela, trazendo a fórmula de um clima sombrio e atmosférico como foi em "The X Factor", inclusive desnecessariamente progressivo. Definitivamente não é o Iron Maiden.

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Tenho percebido uma diferença de opinião entre os fãs que tomaram conhecimento da banda através de seus trabalhos mais clássicos e aqueles que a conheceram dos anos 90 em diante. E realmente acredito que isso vem infestando os sites e revistas com boas resenhas, embora não se possa generalizar a situação. Acredito que, em sua grande maioria, as pessoas que conheceram o Iron Maiden pelos clássicos dos anos 80 não se conformam com álbuns tão iguais entre si, introduções tão repetitivas, composições tão parecidas umas às outras. Então me pergunto: porque uma banda com músicos tão competentes não consegue mais fazer um álbum razoável?

Neste aspecto, acho interessante voltar um pouco ao passado recente da banda. Após o lançamento de "The X Factor" a banda entrou na sua fase menos produtiva porque não tinha Bruce Dickinson que, por sua vez, vinha apresentando trabalhos magníficos em sua carreira solo. Ele voltou, mas a fase menos produtiva continua.

Se formos perceber, "Fear of the Dark" foi o trabalho que lançou as tais introduções com dedilhados no começo das músicas, e depois disso este direcionamento tomou proporções gigantescas. Neste sentido, "Brave New World" e "Dance of Death" se mostraram um pouco menos exagerados, mas em "A Matter of a Life and Death" a repetição da fórmula chega a impressionar.

Sinceramente acho que, se há um responsável nisso tudo, é Steve Harris. E pensar que chegaram a responsabilizar Blaze Bayley. É realmente duro acreditar que todos os integrantes estejam 100% satisfeitos com os rumos musicais da donzela. Será que ninguém por lá quer fazer músicas mais curtas, mais diretas?

Dando uma geral no CD, musicalmente falando:

"Different World": como uma música tipicamente de abertura, traz os elementos maidenianos, mas sem a mesma empolgação de "Be Quick or Be Dead", "Futureal" ou "The Wicker Man". Além disso, antes do refrão principal, apresenta uma passagem sem brilhantismo e sem graça. Falta empolgação. Comparando-se com "Wildest Dreams" do álbum "Dance of Death", o páreo é duro; difícil dizer qual a pior.

"These Colours Don't Run": não é preciso comentar sobre os dedilhados introdutórios a esta altura. É uma música que retrata bem o clima de "Brave New World", principalmente em seu refrão. O que fica evidente é que a música poderia seguir o mesmo direcionamento mais direto antes do início das partes progressivas; talvez assim seria mais interessante. Outra coisa que também deveria ter sido evitada foram os coros de Bruce no meio da música, especialmente no contexto do álbum em si. Não há o mesmo clima, por exemplo, de "Heaven Can Wait".

"Brighter Than a Thousand Suns": após uma breve introdução com os típicos dedilhados surge uma música muito pesada com um riff inspirado. Destaque especial para o encaixe dos teclados. A música apresenta alguns elementos da carreira solo de Bruce, talvez porque ele divida a composição com Adrian Smith, além de Steve Harris. O que talvez tenha tirado um pouquinho do seu brilho seja a parte mais acelerada, que, diferente do restante, é aquilo que já virou rotina. Outra característica que reafirma a nova fase do "Iron Maiden" é a repetição exagerada dos refrões, o que também acontece aqui. Mas no geral é uma boa música.

"The Pilgrim": "(...)Liberty hope and divine...". Esta parte da música também remete o ouvinte aos tempos do "Brave New Wolrd", pois pela segunda vez as típicas batidas compassadas de bateria aparecem no álbum. É um momento mais direto. Não acrescenta algo fantástico, muito embora não se possa dizer que se trata de uma música ruim.

"The Longest Day": sua introdução lembra muito o estilo de "Dream of Mirros" de "Brave New World". Com um rítmo mais cadenciado, ganha um pouco mais de velocidade no seu refrão. Também apresenta uma progressividade cuja melodia me fez lembrar, mais uma vez, "The X Factor". Outra vez o refrão se repete muitas vezes. Enfim, não empolga.

"Out of the Shadows": uma espécie de balada furiosa com momentos mais pesados e um bonito refrão. Destaco, também, os solos de guitarra ao longo da música. E mais adiante, logo depois dos solos principais, é que vem o problema: insistiram em repetir o refrão exaustivamente. Seu resultado poderia ter sido melhor, mas não foi.

"The Reincarnation of Benjamin Breeg": aqui os dedilhados introdutórios dão realmente um tempero especial para uma música mais simples, pesada, arrastada e com um clima denso. Refrão maravilhoso e instrumental inspiradíssimo. O que mais empolga é a inovação da banda, e poucas vezes escutei o Iron Maiden apostando em alguma novidade deste tipo nos últimos anos. Destaque especial para a interpretação magistral de Bruce Dickinson. Espetacular. A melhor de todas.

"For the Greater Good of God": esta já é a oitava música e a banda ainda investe nestas introduções manjadas. É demais! Quando a música começou de verdade imaginei estar escutando "Ghots of Navigator" ou a própria "Brave New World". Mas além disso tem alguns momentos que remetem aos tempos do "The X Factor". Digamos que não é uma música tão ruim, mas também acho que não se trata de nenhum projeto a clássico. Comecei a contar quantas vezes o refrão se repetia, mas perdi a conta!

"Lord of Light": outra introdução climática, mas que dá início a uma música muito legal. Riff bem construído e ótimas melodias vocais. É uma daquelas canções com a cara do Iron Maiden neste últimos anos. As influências progressivas de Steve Harris não comprometem seu desempenho.

"The Legacy": introdução sombria com ótimos arranjos de teclados. Esta música tem uma levada mais arrastada com um ótimo trabalho de Bruce Dickinson nas partes vocais. Outro ponto alto é a mudança de ritmo que se dá com um riff que me lembrou bastante a música "Black Sabbath", da banda que leva o mesmo nome. Com vários momentos progressivos, acertaram na dose certa, pois não há nada que soe repetitivo e nem cansativo. Boa música.

De maneira geral ficam as impressões de que as principais características atuais estão mais presentes que nunca: as introduções e dedilhados chatos, os refrões repetitivos, o mesmo direcionamento de seus discos anteriores. Não espere ouvir nada de novo, porque praticamente não há.

Embora os instrumentais estejam bons, falta algo especial, até porque "A Matter of a Life and Death" está muito aquem de ser um clássico - doces saudades dos áureos tempos de 1980 a 1988. Além disso, os músicos da banda sempre tiveram maior destaque quando o som era mais simples, mais direto, inclusive com resultados técnicos bem melhores do que atualmente.

No que diz respeito à produção, eis outro grande problema. Quando Martin Birch se aposentou, Steve Harris assumiu este trabalho, porém não emplacou. Então decidiram contratar Kevin Shirley, um renomado produtor. Afinal de contas, qual é a contribuição dele? A banda continua fazendo as mesmas coisas, com os mesmos vícios. Enfim, até hoje não deu para perceber no que ele realmente contribuiu. Aliás, parece mesmo que ele está produzindo o Iron Maiden para constar em seu curriculum. Que saudades de Martin Birch!

No geral, é triste saber que um álbum fraco destes tem recebido as melhores críticas. O Iron Maiden tornou-se uma máquina de fazer dinheiro com um marketing fenomenal e isso faz com que qualquer coisa lançada alcance sucesso absoluto. É certo que estes trabalhos atuais vendem muito mais que os álbuns de sua fase clássica, não porque sejam melhores -porque não são-, mas porque hoje a banda é uma mega empresa, o que nem sonhava em ser antes.

O que dói mais é saber que a banda vem tocando este álbum inteiro em seus shows. Imagino o quão tediosa será uma experiência destas!

Agora é rezar para que o 15º trabalho do Iron Maiden resgate suas verdadeiras características, bem diferente das viagens alucinantes e assombrosas de Steve Harris. E caso este 15° álbum da banda venha na mesma linha destes últimos, que o Iron Maiden pendure suas chuteiras. Não irá fazer falta alguma!

Gravadora: EMI
Ano: 2006


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Sobre André Toral

Formado em Administração de Empresas. Curte Hard clássico dos anos 70 e início dos 80; Heavy Metal é sua religião.

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