Resenha - Holy Land - Angra
Por Maurício Gomes Angelo
Postado em 02 de dezembro de 2003
Nota: 6 ![]()
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Tem coisas que eu realmente não consigo entender, três anos depois do histórico Angels Cry e com alguns probleminhas durante a gravação e concepção do próximo álbum, o Angra lançaria este Holy Land.
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Aclamado pela crítica e público, o álbum foi muito bem recebido, gerou uma longa turnê, dois EPs, incluindo um ao vivo, o sintomático Holy Live.
É praticamente um álbum conceitual, envolto em misticismo e no colonialismo implantado no Brasil. Pela "brasilidade" que buscaram, resolveram também incluir muita percussão "sinônimo de Brasil", e o resultado... bem, o resultado é o pior álbum da história do Angra, anos luz atrás do Angels Cry e atropelado pelo pesadíssimo Fireworks.
Nothing To Say, a primeira música, é de longe (mas muito longe) a melhor música do CD, não coincidentemente a mais pesada, e onde trabalharam melhor a percussão, sem exageros e sem ocupar o lugar das guitarras, que dão um show em riffs e solos. Também é a melhor atuação de André Matos.
Daí pra frente a coisa começa a desandar, principalmente pelo incrível número de "baladas" (5!), pelo exagero de percussão e pelo excesso de firulas que suplantam o heavy metal, que obviamente deveria ser o mais visado.
Carolina IV, apesar de ser a mais longa, com alguns solos muito técnicos e riffs dignos, é o maior exemplo do grande erro cometido neste cd; muito batuque, muita coisa "brasileira" e outros efeitos desnecessários, como sua introdução evocando Iemanjá. Ela e Holy Land poderiam facilmente animar o Carnaval de Salvador, tamanho o "suingue" de suas batucadas infernais.
Make Believe quando engata, se torna uma das mais legais, mesmo com a presença quase nula das guitarras, que só aparecem mesmo no final. E aliás onde estão as guitarras durante Silence And Distance, The Shaman, Deep Blue e Lullaby For Lucifer? Dizer que eles deixaram o peso em segundo plano para dar mais ênfase na beleza das melodias e na construção dos arranjos é desculpa esfarrapada de fã(nático). Sinto muito, não cola.
Z.I.TO melhora consideravelmente as coisas, uma das mais rápidas e mais metal do cd. Aqui sim Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt mostram o porque de serem considerados dois dos melhores guitarristas do Brasil.
O excesso de baladas, ou músicas com andamentos muito lentos e sentimentais que permeiam todo o álbum atrapalha bastante, mesmo que algumas dessas façam sua namorada chorar. Deep Blue talvez seja a melhor delas, que são um pouco mais da metade do cd.
O que Holy Land tem de inovador, criativo e ousado, tem de lento, exagerado e irregular, uma coisa atrapalhando a outra, tornando o álbum cansativo e mal explorado, uma experiência mal sucedida.
Peso mesmo só em Nothing To Say e Z.I.T.O. O que se pode aproveitar do resto vai depender do seu gosto. Muito pouco para quem se configurava como uma das maiores representantes do metal brasileiro lá fora, erro esse que seria corrigido com o injustiçado Fireworks.
No geral, Kiko e Rafael desaparecem, fica até difícil acreditar que foram eles mesmo que gravaram este cd. André Matos também tem a sua atuação mais fraca em todos os álbuns do Angra e provavelmente da sua carreira. Quem consegue mostrar alguma coisa a mais é Luís Mariutti e Ricardo Confessori, mesmo assim não chegam nem perto de salvar o pouco "punch" do conjunto neste álbum.
Holy Land é a prova definitiva de que não basta uma produção excepcional, ótimos músicos e algumas idéias em mente para se fazer um grande álbum. É preciso muito mais que isso – e esse "muito mais" é tudo que sobra á bandas como Motorhead, AC/DC e Iron Maiden – genialidade, alma, inspiração profunda, amor incondicional ao que se faz, pegada e respeito aos fãs, pode soar piegas para você, mas é a pura verdade.
Se quisessem mostrar alguma coisa de "brasilidade" mesmo, poderiam ter colocado o Hino Nacional como Bônus Track, quem sabe numa versão heavy metal? Parece bizarro, mas por incrível que pareça seria bem menos depreciativo.
Formação:
André Matos (vocal)
Kiko Loureiro (guitarra)
Rafael Bittencourt (guitarra)
Luís Mariutti (baixo)
Ricardo Confessori (bateria)
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