Raul Seixas: poeta da melancolia e das promessas de amor
Por Lucineia Ferreira dos Santos
Fonte: PIBIC-UNIR / GEEFIL
Postado em 01 de agosto de 2018
Na passagem dos anos 1970 para 80 esperava-se que com o advento das indústrias e da ciência houvesse mudanças significativas no rumo do país, contudo, o Brasil parecia continuar sendo "um eterno país do futuro". Nesse contexto, RAUL SEIXAS demonstrava seu inconformismo através de suas canções.
Em um tom melancólico, RAUL SEIXAS cantava os anos 80 sem descuidar da qualidade de suas composições. A melancolia presente em suas canções é um tema dominante desde a modernidade. De acordo com o escritor Moacyr Scliar, a melancolia é uma reação de intelectuais à euforia e às grandes transformações que pareciam colocar o mundo de pernas para o ar.
O modo que o compositor RAUL SEIXAS encontrou para reagir foi refletindo criticamente através de suas canções, que buscavam atingir tanto a elite opressora como procurava de certa forma causar uma reflexão nas massas oprimidas, perante as grandes transformações que estavam acontecendo.
As letras das canções de RAUL SEIXAS, como se pode observar, são pensadas sob um sistema de representação e organização que organiza o discurso lírico, elementos que compõe e as figuras de linguagem, principalmente naquele momento foram essenciais nas composições de Raul, bem como de outros compositores e poetas que se encontravam inconformados com a situação do país.
A canção de RAUL SEIXAS apresenta um teor poético levando a uma profunda reflexão. Não são meras expressões de emoções, pelo contrário, expressam o que estava acontecendo e o que não aconteceu, oferecendo reflexões de um passado que deságua no presente ou no "eterno futuro". Ou seja, através da canção pode-se refletir criticamente sobre os acontecimentos. Exemplar é a canção "Anos 80", que tematiza o país carregado de miséria e o lixo que é varrido para debaixo do tapete.
As promessas de amor da redemocratização se revelaram incertezas, tristezas, desilusões, frustações. Pois a política brasileira, que prometia um mundo melhor, também ameaçava acabar com o que havia de bom.
RAUL SEIXAS denunciou a farsa da abertura política. Memorável foi sua participação no programa do Chacrinha, montado num jegue, vestido de Ali-Babá e cercado de odaliscas, pois como dizia várias vezes em tom de deboche, os 40 ladrões já estavam no Brasil fazendo política mentirosa e sedimentando os valores desgastados do velho Aeon.
O ideal de RAUL SEIXAS continua atual, pois ele não estava preocupado somente com a derrocada do militarismo, mas sim com a dificuldade que têm as pessoas de manifestar suas ideias, de pensar e de dizer o que melhor lhes aprouver.
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