Paul McCartney: Energia de dar inveja a qualquer jovem

Resenha - Paul McCartney (Allianz Parque, São Paulo, 25/11/2014)

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Por André Ferreira Gransoti
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Bom, primeiramente devo dizer que não sou um “beatlemaníaco”, nem um “paulmaníaco”. Minha relação com o quarteto de Liverpool começou cerca de 3 anos atrás, quando resolvi deixar o preconceito de lado e ouvir os clássicos dos BEATLES (da mesma forma que fiz com o IRON MAIDEN a uns 8 anos e hoje é uma das minhas bandas preferidas). Devo admitir que gostei e que hoje estão entre minhas bandas “Top 10”. Também devo declarar que após esse primeiro contato com os Fab4 tive uma “overdose” do mundo dos BEATLES depois que comecei a namorar uma “beatlemaníaca” e uma “paulmaníaca”, acima de tudo, e foi graças a ela que pude conferir de perto o que o Sir. PAUL McCARTNEY é capaz de proporcionar a quem assiste a seus grandiosos shows de sua longeva carreira.

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Na sua recente turnê mundial “Out There” que começou justamente em terras tupiniquins em 2013 com o primeiro show na capital mineira, PAUL e sua banda voltaram ao Brasil com nada menos que 5 shows marcados, sendo 2 na capital paulista, no novíssimo estádio do Palmeiras, o Allianz Parque, e é sobre o primeiro desses shows que irei resenhar a partir de agora, digo aos mais ortodoxos dos “beatlemaníacos” que não achem uma heresia um “não beatlemaníaco” se atrever a escrever uma resenha de um show do Paul, pois, por minha condição, serei mais racional do que emocional e isso torna minha visão imparcial.

Primeiro devo citar alguns pontos que não remetem ao show de fato, mas ao seu entorno, como a organização do evento, entre outros pontos agravantes. Os portões deveriam ser abertos as 17h30 como descrito no ingresso, porém, os primeiros fãs começaram a entrar cerca de 1 hora depois, e pra ajudar, embaixo de chuva (se tivessem aberto os portões no horário marcado, não teríamos tomado essa chuva), a entrada foi demorada e desorganizada (pelo menos no setor que eu estava), filas “imaginárias” e outros pequenos problemas de organização que a chuva acentuou.

Para a minha sorte, que estava na arquibancada (Setor D – cadeira inferior) coberta, assim como todas as outras arquibancadas, já os que foi de pista/premium não tiveram a mesma sorte e tomaram chuva praticamente o show todo...mas acredito que isso nem sequer diminuiu o ânimo de quem estava ali para ver o baixista canhoto mais famoso do mundo.

Conhecido por sua pontualidade britânica, não foi dessa vez que Paul entrou no palco no horário marcado, talvez por causa do tempo, talvez por outro motivo, a verdade é que o show que deveria ter começado as 21h00 começou a dar seus sinais de que estava começando perto das 21h20 com o famoso vídeo “pré-show” com fotos e alguns vídeos de toda a vida de Paul, desde a sua infância até poucos anos atrás, o vídeo dura aproximadamente 30 minutos e retrata uma “timeline” do Paul.

Perto das 21h45 os telões tomam a forma do famoso baixo usado por ele nos Beatles, em formato de violino e a multidão já começa a gritar e chamar pelo seu ídolo e é nesse clima que gritos de “Paul, Paul, Paul” e choro que Sir Paul McCartney entra no palco acompanhado de sua banda para começar mais uma experiência de vida inesquecível para os presentes no Allianz Parque.

A primeira a sair é nada menos que “Eight Days a Week”, com ela o estádio vai quase abaixo, tamanha a agitação do público. Sempre agradecendo muito o público entre as músicas e mostrando muito sua gratidão e emoção pela recepção nos shows, Paul continua e lança “Save Us” do último álbum “New”, mostrando que sabe lançar músicas cativantes e de boa qualidade, não ficando preso a seu passado de Beatles e deixando de lançar material novo, como muitos outros artistas. Na sequência outra patada no público com “All my Loving” outro clássico dos Beatles que inclusive costumam levar os fãs as lágrimas; lembrando que fãs dos Beatles não podem ser comparados aos fãs normais, isso não é uma ofensa, mas sim, eles são diferenciados e muito, muito apaixonados pela banda, não precisando de muito motivo para que os mais sentimentais se derretam em um show dessa magnitude.

Representando muito bem sua banda pós Beatles, os Wings, Paul toca “Listen to What the Man Said” e na sequência “Let me Roll It” com direito a um trecho de “Foxy Lady” de Jimi Hendrix pra acabar. Trocando o baixo pela guitarra, Paul manda “Paperback Writer”, clássico do quarteto de Liverpool.

Oferecendo para sua atual esposa, Nanci, Paul assume o piano e toca “My Valentine”, uma ótima balada, “1985” do Wings vem após e seguida de “Long and Winding Road” dos Beatles também marca presença no set list.

Dessa vez oferecendo para sua antiga esposa e já falecida, Linda, a linda “Maybe i’m Amazed” emociona mais uma vez os fãs. Aliás, a todo o momento o carisma de Paul emociona quem assiste a seus shows, seja pela sua performance, pelas músicas, pelas dancinhas que ele embala no palco, pela sua vontade em falar frases em português, mostrando o quanto o público local é importante para ele, desde frases simples como “Obrigado”, “Valeu” e “É Nóis”, entre tantas outras palavras em português com sotaque gringo que Paul disse, é incrível como ele consegue ser carismático e prender a atenção a todo momento com suas belas atitudes.

Deixando o piano de lado e assumindo o violão “I’ve Just Seen a Face” e “We Can a Work it Out” dão sequência no set com essa dobradinha “acústica” dos Beatles, com um violão de 12 cordas “Another Day” da sua época dos Wings toma conta do estádio. “And I Love Her” vem em seguida.

Sozinho no palco, Paul vai à frente em uma parte do palco que eleva e toca sozinho a bela “Blackbird”. Ainda no alto do palco elevatório e oferecendo “A seu amigo John (Lennon)”, dito em português mesmo, Paul toca “Here Today” da sua carreira solo.

Com a banda toda de volta e em seu piano todo colorido (da época dos Beatles) manda duas do novo álbum, a música título “New” foi marcada pela homenagem do público ao utilizarem aquelas pulseiras de neon coloridas (normalmente usadas em festas), em alusão a capa do cd escrito “em neon”; e em seguida “Queenie Eye”. Com 3 músicas dos Beatles em seguida “Lady Madonna”, “All Togheter Now” (essa dedicada aos “guys”, pelo seu ar de música “infantil”) e “Lovely Rita” entram no show para mostrar o quanto os Beatles foram revolucionários tanto para a música quando para o rock como um todo.

Outra do álbum “New”, “Everbody Out There” vem para reforçar a qualidade do último lançamento do ídolo britânico. “Eleanor Rigby”, com direito ao baterista Abe vir a frente do palco assumir um dos backing vocals do refrão marcante. Outra observação a ser feita, o Sr. Paul está com uma energia de dar inveja a qualquer jovem. Sem contar seu show que normalmente dura de 2h30 a 3h00, ele é o único integrante da banda que não sai a nenhum momento do palco e sequer toma água entre as músicas; pula, dança, brinca com o público, nem parece que tem mais de 70 anos!

Do icônico álbum “Sgt. Pepper” dos Beatles, “Mr. Kite” vem direto dos anos 60 para levar os milhares de beatlemaníacos ao êxtase. Dessa vez dedicando ao “amigo George” dito em português também, Paul assume um cavaquinho e toca a bela “Something” apenas com seu instrumento até a parte do solo de guitarra, onde o restante da banda entra e terminam a música juntos. A divertida “Obla Di Obla Da” vem para animar o púbico que homenageia o seu ídolo novamente ao lançarem vários balões coloridos durante a música. Com a música título do álbum dos Wings “Band on the Run”, Paul faz mais uma homenagem a sua antiga banda; e sem deixar a energia baixar “Back in the USSR” faz o público pular e cantar junto com esse clássico do “álbum branco” dos Beatles.

Assumindo novamente o piano, a “infaltável” “Let it Be” dos Beatles vem para deixar o estádio apreciando este belo clássico, foi de arrepiar, assim como quase todas as outras, diga-se de passagem, umas mais outras menos, mas todas tiveram sua importância no show.

Uma das músicas mais esperadas da noite e que não deixariam Paul sair do palco sem tocá-la, a mais famosa dos Wings e uma das mais de toda história do rock, “Live and Let Die” foi um show a parte, com labaredas saindo do palco no refrão e fogos de artificio por trás do palco, não tem outra palavra pra descrever essa parte do show a não ser fantástica, sem dúvida uma das mais aplaudidas pelo público.

De volta a seu piano psicodélico, Paul toca “Hey Jude” e o clássico “nãnãnã” cantado apenas pelo público, ora somente os homens, ora somente as mulheres e no final todos juntos, definitivamente uma das tantas outras canções que marcaram os Beatles e outra que não pode faltar em seu show.

Após um pequeno intervalo, voltam ao palco, Paul segurando uma bandeira do Brasil e um dos guitarristas a da Grã Bretanha e Abe segurando uma típica de navios pirata, com uma caveira atravessada por ossos... essa não entendi, se alguém souber por favor me fale pois fiquei curioso. Nesse “bis” saiu “Day Tripper”, “Hi Hi Hi” dos Wings e “I Saw Her Standing There”.

Mais um pequeno intervalo e Paul volta sozinho com seu violão, afinal ele não pode ir embora sem tocar “Yesterday”. Com sua banda a postos, coloca toda sua voz a prova em “Helter Skelter” e pra finalizar, dessa vez de fato, após dizer que “está na hora de ir embora” em português novamente, Paul assume o piano para tocar “Golden Slumbers/Carry That Weight/The End” música que fecha o último álbum dos Beatles “Abbey Road” em 1970, talvez a mais apropriada para fechar uma noite mágica, cheia de energia e cerca de 2h45 do mais puro rock ‘n roll, garanto que os que estavam na pista sequer se preocuparam com a chuva que caiam sobre si.

Apesar da idade, duvido muito que a carreira desse showman chamado Paul McCartney esteja próxima do fim, se depender da sua energia, esse senhor ainda lançará muitos álbuns e com certeza virá várias vezes pra cá.

E por fim queria fazer uma dedicatória a minha companheira, que me fez conhecer melhor esse mundo incrível dessa banda fabulosa chamada Beatles, se não fosse ela, provavelmente não teria vivido essa experiência, e muito menos escrito essa resenha. Obrigado Géssica!

1- Eight Days a Week
2- Save Us
3- All My Loving
4- Listen to What the Man Said
5- Let Me Roll It
6- Paperback Writer
7- My Valentine
8- Nineteen Hundred and Eighty-Five
9- The Long and Winding Road
10- Maybe I’m Amazed
11- I’ve Just Seen a Face
12- We Can Work It Out
13- Another Day
14- And I Love Her
15- Blackbird
16- Here Today
17- New
18- Queenie Eye
19- Lady Madonna
20- All Together Now
21- Lovely Rita
22- Everybody Out There
23- Eleanor Rigby
24- Being for the Benefit of Mr. Kite!
25- Something
26- Ob-La-Di, Ob-La-Da
27- Band on the Run
28- Back in the U.S.S.R.
29- Let It Be
30- Live and Let Die
31- Hey Jude
Bis
32- Day Tripper
33- Hi, Hi, Hi
34- I Saw Her Standing There
Bis
35- Yesterday
36- Helter Skelter
37- Golden Slumbers

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Sobre André Ferreira Gransoti

Não tem músicos na família e por temer não conseguir decorar tantas notas começou a tocar bateria em 2004, também nunca conseguiu viver de música e se nega a tocar sertanejo universitário, por isso hoje toca em uma banda tributo ao Deep Purple, a Purfect Strangers.

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