Paul McCartney: Duas noites memoráveis em São Paulo
Resenha - Paul McCartney (Allianz Parque, São Paulo, 25/11/2014)
Por Daniel de Paiva Cazzoli
Postado em 29 de novembro de 2014
Difícil externar o que senti nos dois espetáculos oferecidos por esse senhor de 72 anos. A expectativa da entrada no palco desse artista atemporal era algo fora do comum. Não havia como evitar a frase: "Meu Deus, obrigado pela vida... eu vou ver um beatle".
Abrindo na primeira noite com a dançante "Eight Days a Week" e, na segunda, com a quase psicodélica "Magical Mystery Tour", a única outra mudança seria no primeiro bis, em que ele mandou a setentista "Hi, Hi, Hi" e, no segundo show, "Get Back". No mais, sem alterações... e precisa? Esse gênio musical tem tanta obra-prima, em todas as suas fases, que um repertório justo teria que durar um dia inteiro, mesmo assim passível de discussões.
Paul McCartney - Mais Novidades
Foram emoções variadas, algumas na mesma música. Em "The Long and Widing Road", por exemplo, a alegria de ouvir esse clássico alternava com a saudade do meu pai que, da última vez em que o eterno beatle esteve por aqui, derramou suas lágrimas durante esta canção. Na sequência, a belíssima "Maybe I’m Amazed" preparava a plateia para a country "I’ve Just Seen a Face", emendada na contagiante "We Can Work it Out". O bolero "And I Love Her" fez brilhar os olhos de minha mãe, fazendo contraponto com as imagens de mulheres grandiosas nos telões ilustrando a marcante "Lady Madonna" e emocionando também minhas irmãs e um amigo que, a todo instante, lembrava os preciosos ensinamentos musicais recebidos na infância.
Depois da inesquecível "Blackbird", as homenagens aos outros dois mestres da maior banda de todos os tempos não poderia faltar: a emocionante "Here Today", relembrando a amizade com o não menos brilhante JOHN LENNON; e, para arrepiar o mais insensível dos mortais, a maravilhosa "Something", de um tal GEORGE HARRISON.
A alegria do público em uma música aparentemente inocente como "Ob-La-Di, Ob-La-Da" só reforçou a maestria das músicas do quarteto fabuloso de Liverpool, que consegue ter canções para todas as pessoas, de qualquer sexo ou idade. "All Together Now" é um exemplo perfeito. Vale ressaltar que até o mago JIMI HENDRIX foi lembrado em uma execução curta, mas certeira, de "Foxy Lady".
As novas faixas do excelente álbum "New" foram executadas à perfeição, por uma banda simplesmente fenomenal. E foi muito recompensador presenciar duas faixas tão pouco badaladas do grandioso "Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band": "Lovely Rita" e "Being for the Benefit of Mr. Kite", em toda a sua complexidade, trouxeram a certeza de que nunca mais existirá uma banda como THE BEATLES.
"Band on the Run" foi de matar do coração qualquer fã da fase dos WINGS e a pirotecnia de "Live and Let Die" é para não se esquecer jamais. Em contrapartida, a euforia e vontade de quebrar tudo, no bom sentido, na execução de hinos como "Back in the U.S.S.R." e "I Saw Her Standing There", a última, por sinal, fazendo com que eu me sentisse voltando a um tempo que não vivi.
A catarse coletiva em "Let it Be" e "Hey Jude" me transportou para um mundo utópico, de paz e confraternização entre os povos. Coisas que só a arte produz.
Inacreditavelmente, havia pessoas indo embora após o primeiro bis. Um bando de alienados que, talvez, não esteja muito acostumado com a dinâmica de um show de Rock’n’Roll ou apenas se esqueceram que Sir James ainda não havia brindado os presentes com a música mais executada de todos os tempos: "Yesterday". Sua simplicidade é tão marcante quanto sua beleza. Sem palavras. E para os casais se abraçando e os desavisados quase dormindo com a singeleza da canção composta por Paul enquanto dormia, ele dá um golpe de voadora no peito de todo mundo, fazendo uma leitura pesadíssima de "Helter Skelter", o primeiro rock realmente pesado de que se tem notícia.
Claro, ainda tinha espaço para mais... como que pedindo para que não nos esquecêssemos dos apoteóticos concertos, McCartney iniciou a sequência final de "Abbey Road", apenas a melhor de qualquer álbum lançado até a atualidade.
A simpatia, destreza nos instrumentos, fôlego para cantar e a capacidade ímpar de entreter um público gigantesco contrastam com a humildade desse cara que não tem noção do tamanho da sua importância para a arte.
Sir James Paul McCartney, obrigado por essas duas noites inesquecíveis... obrigado por compor a trilha sonora de minha vida e de tantos milhões espalhados por esse planeta. E quem acha que estou idolatrando uma pessoa, ache o que quiser. Prefiro vê-lo como um amigo. Alguém muito mais importante do que muita gente que sou obrigado a conviver e que não me acrescenta absolutamente nada de relevante.
"And in the end, the love you take is equal to the love you make"
Outras resenhas de Paul McCartney (Allianz Parque, São Paulo, 25/11/2014)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A melhor banda de metal progressivo dos EUA e Inglaterra, segundo a Loudwire
"Um babaca que nem sabe tocar direito": Roger Waters fala sobre James Hetfield
As 5 melhores músicas que começam com bateria, segundo Gastão
K.K. Downing se manifesta sobre aposentadoria de Ian Hill (Judas Priest)
Led Zeppelin licencia "Stairway to Heaven" pela primeira vez na história
O álbum que Geezer Butler ajudou a batizar, mas cuja capa achou satânica demais
Qual banda de rock e metal melhor representa cada técnico dos 20 times do Brasileirão?
Fãs esculacham o Metallica após discurso feito por James Hetfield em show
A banda que Brian May gostaria de ter integrado se o Queen nunca tivesse existido
O hino não oficial da libertação do rock and roll para Tom Morello
O melhor álbum do AC/DC de todos os tempos, segundo Sammy Hagar
Por que o Iron Maiden "esticou" a sua turnê atual, segundo Steve Harris
Silas Fernandes critica fala de James Hetfield: "Era melhor ele ter ficado quieto"
O maior guitarrista de todos os tempos, de acordo com a Guitar World
O baixista lendário com quem Eddie Van Halen achava que teria de disputar espaço
Roberto Medina explica porque o Rock está cada vez diminuindo mais no Rock in Rio
João Gordo relembra quando visitou Elke Maravilha e se impressionou com cachaça
Bruce Dickinson revela qual a sua música favorita do Led Zeppelin


A música dos Beatles que Paul McCartney suspeitava ter sido escrita também por Yoko Ono
A canção dos Beatles em que Paul McCartney já enxergava o fim da banda
Paul McCartney diz que John Lennon podia ser "um completo idiota" em algumas coisas
O dia em que Paul McCartney ensinou seu herói a tocar baixo
A música dos Beatles composta por Paul McCartney diante de um astro de Hollywood
Por que Paul McCartney se recusava a tocar Beatles nos primeiros shows do Wings
O cantor com quem Paul McCartney sempre quis trabalhar e finalmente conseguiu
O melhor compositor dos últimos 100 anos, segundo Ritchie Blackmore
Jane Asher - a mulher que não quis viver à sombra de Paul McCartney
O baterista que teve que escolher entre Elton John e Paul McCartney no auge dos anos setenta
A primeira noite do Rock in Rio com AC/DC e Scorpions em 1985
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente



