Paul McCartney: Duas noites memoráveis em São Paulo

Resenha - Paul McCartney (Allianz Parque, São Paulo, 25/11/2014)

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Por Daniel de Paiva Cazzoli
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Difícil externar o que senti nos dois espetáculos oferecidos por esse senhor de 72 anos. A expectativa da entrada no palco desse artista atemporal era algo fora do comum. Não havia como evitar a frase: “Meu Deus, obrigado pela vida... eu vou ver um beatle”.

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Abrindo na primeira noite com a dançante “Eight Days a Week” e, na segunda, com a quase psicodélica “Magical Mystery Tour”, a única outra mudança seria no primeiro bis, em que ele mandou a setentista “Hi, Hi, Hi” e, no segundo show, “Get Back”. No mais, sem alterações... e precisa? Esse gênio musical tem tanta obra-prima, em todas as suas fases, que um repertório justo teria que durar um dia inteiro, mesmo assim passível de discussões.

Foram emoções variadas, algumas na mesma música. Em “The Long and Widing Road”, por exemplo, a alegria de ouvir esse clássico alternava com a saudade do meu pai que, da última vez em que o eterno beatle esteve por aqui, derramou suas lágrimas durante esta canção. Na sequência, a belíssima “Maybe I’m Amazed” preparava a plateia para a country “I’ve Just Seen a Face”, emendada na contagiante “We Can Work it Out”. O bolero “And I Love Her” fez brilhar os olhos de minha mãe, fazendo contraponto com as imagens de mulheres grandiosas nos telões ilustrando a marcante “Lady Madonna” e emocionando também minhas irmãs e um amigo que, a todo instante, lembrava os preciosos ensinamentos musicais recebidos na infância.

Depois da inesquecível “Blackbird”, as homenagens aos outros dois mestres da maior banda de todos os tempos não poderia faltar: a emocionante “Here Today”, relembrando a amizade com o não menos brilhante JOHN LENNON; e, para arrepiar o mais insensível dos mortais, a maravilhosa “Something”, de um tal GEORGE HARRISON.

A alegria do público em uma música aparentemente inocente como “Ob-La-Di, Ob-La-Da” só reforçou a maestria das músicas do quarteto fabuloso de Liverpool, que consegue ter canções para todas as pessoas, de qualquer sexo ou idade. “All Together Now” é um exemplo perfeito. Vale ressaltar que até o mago JIMI HENDRIX foi lembrado em uma execução curta, mas certeira, de “Foxy Lady”.

As novas faixas do excelente álbum “New” foram executadas à perfeição, por uma banda simplesmente fenomenal. E foi muito recompensador presenciar duas faixas tão pouco badaladas do grandioso “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”: “Lovely Rita” e “Being for the Benefit of Mr. Kite”, em toda a sua complexidade, trouxeram a certeza de que nunca mais existirá uma banda como THE BEATLES.

“Band on the Run” foi de matar do coração qualquer fã da fase dos WINGS e a pirotecnia de “Live and Let Die” é para não se esquecer jamais. Em contrapartida, a euforia e vontade de quebrar tudo, no bom sentido, na execução de hinos como “Back in the U.S.S.R.” e “I Saw Her Standing There”, a última, por sinal, fazendo com que eu me sentisse voltando a um tempo que não vivi.

A catarse coletiva em “Let it Be” e “Hey Jude” me transportou para um mundo utópico, de paz e confraternização entre os povos. Coisas que só a arte produz.

Inacreditavelmente, havia pessoas indo embora após o primeiro bis. Um bando de alienados que, talvez, não esteja muito acostumado com a dinâmica de um show de Rock’n’Roll ou apenas se esqueceram que Sir James ainda não havia brindado os presentes com a música mais executada de todos os tempos: “Yesterday”. Sua simplicidade é tão marcante quanto sua beleza. Sem palavras. E para os casais se abraçando e os desavisados quase dormindo com a singeleza da canção composta por Paul enquanto dormia, ele dá um golpe de voadora no peito de todo mundo, fazendo uma leitura pesadíssima de “Helter Skelter”, o primeiro rock realmente pesado de que se tem notícia.

Claro, ainda tinha espaço para mais... como que pedindo para que não nos esquecêssemos dos apoteóticos concertos, McCartney iniciou a sequência final de “Abbey Road”, apenas a melhor de qualquer álbum lançado até a atualidade.

A simpatia, destreza nos instrumentos, fôlego para cantar e a capacidade ímpar de entreter um público gigantesco contrastam com a humildade desse cara que não tem noção do tamanho da sua importância para a arte.

Sir James Paul McCartney, obrigado por essas duas noites inesquecíveis... obrigado por compor a trilha sonora de minha vida e de tantos milhões espalhados por esse planeta. E quem acha que estou idolatrando uma pessoa, ache o que quiser. Prefiro vê-lo como um amigo. Alguém muito mais importante do que muita gente que sou obrigado a conviver e que não me acrescenta absolutamente nada de relevante.

“And in the end, the love you take is equal to the love you make”

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Post de 29 de novembro de 2014

Sobre Daniel de Paiva Cazzoli

Daniel é bancário, professor de Inglês e Português, fanático por Rock´n´Roll em quase todas as suas vertentes, tendo como início de tudo o quarteto fabuloso de Liverpool.

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