Higher: A estreia ao vivo da banda em Campinas

Resenha - Higher (Auditório EM&T, Campinas, 15/11/2014)

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Por Marcelo Ferraresso
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Do lado de fora, noite fria de sábado em Campinas - fato raríssimo esses dias na região. Nada que tirasse o clima de ansiedade e empolgação de todos os presentes na EM&T (Escola de Música e Tecnologia) da cidade; o HIGHER faria finalmente sua estréia nos palcos, prometendo tocar na íntegra seu debut auto-intitulado lançado em agosto. E toda essa expectativa, se justifica exatamente pela qualidade do lançamento em questão; fugindo de rótulos, o HIGHER oferece música de alto nível técnico, bom gosto e o principal: Sem nunca soar maçante ou exibicionista.

Ao som de “Arise and Purify” do último álbum do Sanctuary, o público foi adentrando e abarrotando o auditório reservado para a apresentação, que vale a pena ressaltar, foi oferecida pela banda gratuitamente.

O apreço para com os detalhes, se fez notável desde a confecção de ingressos (que nesse caso eram convites) numerados, logotipados e que destacavam o “show número 1”, até a produção de palco (que veríamos em poucos minutos): o grande “H” ornamentado pairava de ambos os lados, recebendo iluminação precisa e profissional.

Após a introdução, abriram-se as cortinas: Cezar Girardi (vocal), Gustavo Scaranelo (guitarra), Felipe Martins (guitarra, aluno de Gustavo e recém incorporado ao time), Andrés Zúñiga (baixo) e Pedro Rezende (bateria) despejaram a lapada “Lie” pra cima do entusiasmado público. A qualidade do som se mostrou impecável desde o começo, e como já dito anteriormente, da iluminação à parte “gráfica”, a tônica era de capricho e profissionalismo.

Sem mais delongas, emendaram com “Keep Me High” e seu começo melódico (evidenciando a fantástica sonoridade da Schecter 7 cordas de Gustavo) e a complexa cozinha comandada por Andrés e Pedro - para quem gosta de ritmos quebrados e “contratempados”, essa faixa já destaca essa característica marcante da banda.

O set continuou com “Illusion”, que colocou Cezar para brilhar com uma performance inspirada, e mais um solo belíssimo de Gustavo, sempre amparado pelo competente Felipe Martins e sua Jackson (também de 7 cordas) fazendo a base.

“Climb the Hill”, faixa assinada por Daniel Scaranelo (irmão de Gustavo, que foi devidamente identificado na platéia e homenageado pela banda), cadenciou a apresentação com suas variações rítmicas interessantíssimas e seguiu com a também cadenciada “Make it Worth”, quando o primeiro (e único) susto da noite aconteceu: queda de energia. Um curto momento de silêncio, respirações profundas feitas tanto por banda quanto platéia e tudo voltou ao normal. O clima era leve, a platéia já estava ganha. Como dizem os falantes de língua inglesa: “no harm done”.

Após algumas risadas sobre o fato recém ocorrido, a balada “Break the Wall" veio com sua temática mais séria e intimista; as letras abordam a indiferença da sociedade moderna frente às agruras dos mais necessitados - sublinhando mais uma característica do HIGHER, que é de levar a parte lírica para longe dos lugares comuns do Metal. O clima de “mudança" continuou na “Time to Change”, sua base pesada, direta e acompanhada da cozinha cheia de nuances de Pedro e Andrés.

Pausa para mais momentos de descontração entre banda e platéia, agradecimentos, sorteio de CD’s e o cover de “Under Fire" do Heaven’s Gate - uma das influências nítidas do HIGHER, que foi entregue como um extra para os presentes.

“Like the Wind”, com sua letra reflexiva e espiritualista, trouxe de novo as mudanças rítmicas e solo do baixista Andrés Zuñiga, que teve seu momento para também brilhar individualmente.

Chegando ao fim, uma das pérolas da banda: “The Sign”. Faixa direta, refrão fortíssimo, vocal na cara e um solo avassalador de Gustavo Scaranelo pra fechar a noite com chave de ouro.

E o saldo da primeira apresentação ao vivo? Altamente positivo. O HIGHER mostra que ignora qualquer tipo de pretensões mercadológicas inócuas e nos oferece música de qualidade, honesta e com personalidade. Prog, power, heavy, jazz (sim, tem também e está no DNA desses caras) se mesclam e geram algo "inrotulável". Se você ainda acha que grandes músicos e bandas moram apenas no exterior, aqui está sua chance de repensar: Tem banda brasileira voando baixo e essa é uma delas.

Keep ‘em HIGH!

Set list:
Lie 

Keep me High

Illusion 

Climb the Hill 

Make it Worth

Break the wall 

Time to Change 

Under fire (Heaven's Gate) 

Like the Wind 

The Sign

Mais Informações:
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Informações para a Imprensa:
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(15) 3211-1621

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Sobre Marcelo Ferraresso

Do Blues norte-americano, passando pelo Jazz Fusion, Rock Progressivo e chegando até o Metal Extremo, acredita que a música possui apenas dois rótulos importantes: boa e ruim.

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