Comemorando 30 anos de sua fundação em 2012, um dos mais expressivos nomes do hard rock nacional voltou à ativa recentemente, em show do projeto "Rock na Vitrine". O review a seguir foi escrito por Willba Dissidente e publicado originalmente no blog: A CHAVE DO SOL (http://achavedosol.blogspot.com.br/2012/07/review-galeria-olido-140712-spsp.html/), site destinado o sediar material de acervo sobre a banda nacional de Hard Rock oitentista que lhe dá nome.
O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

O primeiro show de retorno pode significar muito sobre a volta de uma banda. No caso d' A CHAVE DO SOL, o grupo já havia ressurgido duas vezes, só para desaparecer rapidamente, e sem aviso, logo depois. De todo modo, em 2012 o público underground parece estar mais favoravel ao Hard Rock do que nas ocasiões anteriores, o que, aliado ao fato de uma formação estrelar, nos leva a crer que o grupo liderado pelo carismático guitarrista Rubens Gióia possivelmente estava estreiando toda uma fase na carreira d' A CHAVE DO SOL. Meia-hora antes do horário de abertura do Salão de Dança da Galeria Olido já se via uma movimentação de roqueiros e headbangers pelo local. Em sua maioria, com a mesma expectativa para a reestréia da banda, que podia ser observada pelos vidros conversando com Luiz Calanca, o grande idealizador de sua volta .


Logo na sequência, com todas cadeiras ocupadas e muita gente de pé de ambos os lados, AS RADIOATIVAS começaram a tocar um rock alternativo agitado que agradou os presentes. As integrantes demonstraram performance animada, o que ajudou para empolgar a platéia. Como não conheço deste estilo de som, fico pobre para comentar mais do show das moças, que ainda incluiu cover de I Wanna Be Your Dog, clássico do THE STOOGES.

Meia hora passou com a lotação da casa só fazendo crescer. Os músicos d' A CHAVE DO SOL trabalhavam arduamente para conectar seus instrumentos e passar o som. Logo, eles começaram a interagir com a platéia brincando que o baterista é sempre o mais demorado. Um pouco depois, o vocalista Ackua apresenta a banda, ressaltando que a primeira música da apresentação vinha de uma fita K7 encontrada essa semana numa mina de sal na Coréia! (?!). A brincadeira dizia respeito à música 'Saudade', oriunda de uma demo tape de 1986. O fato é os trabalhadores foram muito esforçados na filão desta mina, tanto que na próxima semana essa demo deve estar diponível no blog.
Com sua levada hard rock de meados da década de oitenta que culmina num belo e pegajoso refrão, 'Saudade' só não empolgou mais os presentes por essa canção ainda ser desconhecida. Eu estava super feliz e surpreso com essa escolha de música inicial, pois essa é uma ótima composição do Beto Cruz e quase uma semana depois ainda me encontro cantarolando 'me dê um sonho pra que eu possa sonhar, isso nõ faz mal, só um sonho não faz mal...'.

Esbanjando simpatia e boa performance, Ackua anuncia que o próximo som será um blues dos anos oitenta. Os acordes iniciais de 'Keep me Warn Tonight', do disco The Key, ecoam pelo salão, agora realmente levando a platéia a agitar. Infelizmente, um desvio técnico também trouxe uma microfonia que ia e vinha e junto o som da guitarra de Gióia se tornou muito baixa. Isso impediu o completo delírio do salão. O próximo som era uma homenagem ao DEEP PURPLE (nota: então não se podia imaginar a tragédia que ocorreria dois dias depois, com o falecimento do Jon Lord). Burn começava a rolar e os problemas persistiam. Notório foi o jogo de cintura da banda, ao executar este clássico sem um instrumento (o teclado), alternando solos de baixo (cortesia de The Crow) e guitarra numa versão muito especial. Cientes dos problemas e preocupados com o som, a banda brinca com a platéia (ficavam gritando 'Corinthians', o que achava ser uma brincadeira com o guitarrista, mas ao baterista gritar 'aqui é São Paulo' com os presentes, percebi que podia estar enganado, rs) antes de começar um de seus maiores clássicos, 'Sun City', novamente do disco de 1987, que incluiu um solo de bateria de Pedro, uma volta ao riff e então foi anunciada o fim da apresentação. "Keep on Rockin'", se despediu o vocalista.

Nessa hora muitos foram falar com a banda, tirar fotos e autografar LP's d' A CHAVE DO SOL e do INOX, e a banda se mostrou muito feliz e receptiva com os fãs. Algumas pessoas foram embora tristes com a curta duração da apresentação. Mais tarde o guitarrista Rubens Gióia me confidenciou que o grupo teve de acabar mais cedo o show por ter estourado o horário de fechar da galeria. Algo que quero frisar bem foi a competência d' A CHAVE DO SOL, ao longo da apresentação. Já assistiu shows de bandas experientes que, enfrentando problemas semelhantes em relação a passagem, de som levaram as mãos à cabeça em desespero, o que NÃO ocorreu aqui. Os músicos souberam lidar com a interpérie sem nem peder o sorriso na face, estando super à vontade no palco improvisado. The Crow era o mais centrado, e tocava exemplarmente seu baixo. Rubens brincava com a platéia o tempo todo, tocando de com o pedestal e fazendo os malabarismos de guitarra que o fizeram notório. Ackua é um frontman de primeira, que não desafina e sabe se movimentar. Pedro segurou super o legado de José Luis Dinola, com sua pegada firme e pesada na bateria.
Logo ao final do show me perguntaram se eu não me arrependia de ter vindo de Minas Gerais "só" para isso. Respondi que me sentia triste por ter esquecido minha máquina fotográfica e não ter tido como trazer meus lp's pare serem assinados, nunca do show. Inclusive, no próximo show irei corrigir isso. Conclusão deste sábado: A CHAVE DO SOL ainda tem muita Luz para brilhar!!!

Confira no vídeo abaixo a nova formação d' A CHAVE DO SOL levando o clássico Sun City em seu show de reestréia. Filmagem de Leandro Almeida.
Set-list:
01 . Saudade
02 . Keep Me Warn Tonight
03 . Burn
04 . Sun City
05 . Solo de bateria / finalização.
Rubens Gióia - guitarra, backing vocal
Ackua - Vocal
Fernando Costa - baixo
Pedro "The Crusher" - bateria.
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