Noite de gala para os fãs do Metal oitentista em Campinas, com três excelentes representantes do gênero: os já consagrados paranaenses do Dominus Praelii, os paulistanos do Clenched Fist, e a prata da casa - o quarteto Nosferatu.
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Fotos: Letícia Abreu
Após a mesma introdução de "Conan, o Bárbaro" que abre sua demo de 2003, o quinteto Clenched Fist domina o palco fazendo mais do que jus ao lema que pregam: REAIS HEADBANGERS ROMPENDO OS TEMPOS... tudo remete aos tempos áureos do Metal clássico dos anos 80 - do visual spikes, couro, tênis branco cano longo e cinturões de bala, até cada acorde (os de 'Into The Fire' já nasceram clássicos!) despejado pelos guitars Nicko e Ricardo.
A cozinha de Will (D) e Chris (B) mostra uma pegada muito forte e precisa, com nítida influência de ícones do NWOBHM e medalhões como o antigo Grave Digger e Running Wild. O vocal Vagner mostra afinação e potência... uma combinação, no mínimo, essencial pra quem quer seguir essa trilha revivalista. Apresentaram as músicas de sua demo de 2003, "Into The Fire", e deixaram seu recado no interior. Detalhe: normalmente a 1ª banda não entusiasma muito a galera, mas esta data foi uma feliz exceção!
Na seqüência, sem muita enrolação, o Nosferatu - agora como quarteto - adentra o palco. Devo confessar que não esperava muito, pois tinha assistido a uma apresentação da banda há alguns anos e não fiquei nada impressionado. No entanto, tem coisas que somente a estrada faz: nesse ínterim, a banda evoluiu MUITO, conseguindo imprimir uma identidade própria e muito energética ao som que fazem.
Com presença de palco absolutamente impecável, energia sobrando, e jogando em casa, não podia dar outra: aclamação de todos os bangers presentes, enquanto despejaram sons de suas duas demos sobre nossos ouvidos. Destaque para a grande performance de Hussein Salim, que recentemente assumiu os vocais, além da guitarra, com extrema competência. Os caras têm, com certeza, um futuro promissor - procure acompanhar os próximos shows deles!
Fechando a noite, os cães da estrada do Dominus Praelii (voltavam do Espírito Santo, e passaram por aqui a caminho de Sampa) aproveitaram a fogueira acendida pela banda anterior, não que isso fosse necessário: já são bem conhecidos na região de Campinas, pois voltaram após um longo intervalo sem shows nestas terras. Um set perfeito (nem curto nem longo), baseado em seus dois álbuns, levou o público à loucura, com o pessoal cantando a maioria das músicas junto ao talentoso maníaco Ricardo Pigatto.

Não posso deixar de destacar também a técnica dos guitars Silvio e Evandro, sendo que além de tudo o primeiro se comunica o tempo todo com a platéia, numa lição de humildade e a segurança de quem domina (ops...) completamente seu território.

Uma noite que, se de um lado tinha uma carga pesada - sem trocadilhos - de saudosismo, por outro transpirava honestidade e energia por todos os poros. Vale até a reflexão: será que a coisa anda feia a ponto de bandas contemporâneas preferirem beber na fonte original do Metal, ao invés se aventurarem com experimentalismos?

Enquanto se pensa isso, o público só tem a ganhar com esse grande revival - que, se não valesse apenas como diversão pura, serve também como uma verdadeira lição de História para não esquecermos os mestres de um passado não muito distante... parabéns aos músicos, e também à estrutura/atendimento exemplares que o Hammer proporciona.
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36 anos, solteiro, estudou Linguística e Engenharia de Alimentos na UNICAMP. Tem sua sobrevivência (CDs, cigarro e cerveja) garantida no trabalho em uma multinacional. Iniciado no Metal em 1988, é baixista/vocal do LACONIST (Death Metal) e acredita fielmente que o SARCÓFAGO é a melhor banda do universo.
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