Metallica: um irremediável flerte com o Hard Rock

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Metallica: um irremediável flerte com o Hard Rock

Por Jean Carlo B. Santi

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Amigos leitores, não se assustem! Talvez o título da matéria soe estranho, em tempos onde o Metallica acaba de lançar um álbum por muitos considerado um retorno às origens do grupo...Death Magnetc assim pode ser aceito, pelo menos por aqueles que possuem “ouvidos mais afoitos” e desavisados, ou pelos melancólicos e até então órfãos de uma era pré-Black Album.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

Para melhor entendimento, vamos nos aventurar retornando ao longínquo ano de 1983, mais precisamente no ponto do lançamento do “debut Metallico”. “Kill´Em´All” é concebido, e ao mundo foi apresentada uma banda que, no mínimo, se juntaria definitivamente à um pequeno e seleto grupo de divisores de águas na história do rock mundial. Ainda hoje, muitos são os que contestam, mas a verdade é que ali também nascia um novo gênero, denominado “Thrash Metal”, que na minha humilde opinião, é um dos mais excitantes e honestos gêneros do rock. Também é verdade que eu nunca gostei muito de rótulos, especialmente no rock, que para mim deveria ser tudo misturado em um mesmo caldeirão, sendo puro e simplesmente, rock. Digo isto porque o rock´n´roll é, sobretudo, mais do que simplesmente música, é toda uma atitude, vibração e modo de encarar a vida, que renderia um capítulo à parte.

Então, vamos voltar ao assunto, e considerar que o Thrash Metal é um rótulo necessário para o andamento dessa matéria. Estando combinados, vejamos que, de fato, “Kill´Em´All” é uma “pedrada na vidraça”, um álbum que melhor pode traduzir o gênero Thrash, soando cru, pesado, rápido, e, diretamente ao ponto. Nada mais poderia se esperar de uma banda que, em toda sua história, seria sempre, para o bem e para o mal, o máximo em originalidade e personalidade.

Neste álbum também é possível notar a nítida influência de outro embaixador do Thrash, e que mais tarde também viria nos brindar com alguns dos melhores petardos que o gênero já produziu. Dave Mustaine, apesar de não ter participado da gravação do álbum (Kirk já assumira o seu devido posto), ajudou a compor grande parte do mesmo, e algumas de suas contribuições ainda apareceriam nos próximos álbuns do Metallica. Passado todo o furor do lançamento, eis que o próximo álbum, “Ride Lightning”, surge com a mesma pegada, agressividade e... uma enorme dose de Cliff Burton. Os demais cavaleiros do Metallica são unânimes em dizer que Cliff apresentaria para eles algo parecido como harmonia musical. E o ganho qualitativo foi evidente.

Já naquela altura, não seria difícil encontrar bandas que soariam muito próximas ao estilo do primeiro álbum do Metallica, nitidamente influenciadas. Mas com “Ride The Lightning”, o Metallica sairia na frente de novo, criando nuances entre pancadas tipo “bate-estaca” e melodias em uma única faixa, fazendo com que os ouvintes fossem de 0 a 100 km/h em alguns segundos. Simplesmente genial, e o melhor de tudo: o Thrash estava ali, mais vivo e vigoroso do que nunca.

O próximo álbum dispensa muitos comentários, já que “Master of Puppets” é considerado por muitos, uma unanimidade no estilo. Um clássico do Thrash Metal de todos os tempos, coroando a última participação de Cliff em um álbum do Metallica. A morte de Cliff, para muitos fãs, significou também a morte do Metallica, já que seu próximo álbum, “And Justice for All”, não foi bem recebido por todos os fãs do grupo.

Então a conta foi a seguinte: A subtração dos fãs mais radicais que o Metallica perdeu e a soma dos novos fãs que a banda ganhou (muito também pela ajuda da MTV, como todos já sabem), resultou no saldo de um Metallica ainda mais fortalecido e mundialmente conhecido, e de quebra, com muito mais fãs. Jason Newsted havia se juntado à banda, assumindo as 4 cordas, porém, Lars & Hetfield, talvez ainda abalados pela ausência de Cliff, se fecharam completamente em um mundo só deles, e conceberam este álbum sem dar muito espaço às contribuições dos outros membros, especialmente do novato Newsted.

Como o que realmente importa é o resultado, temos um álbum primoroso e irretocável, e por mais que muitos “torçam” o nariz, ainda é um álbum Thrash Metal sim senhor!!! Não há como negar uma pegada mais progressiva, porém, a agressividade, o peso, e agora, a técnica mais apurada no lugar da correria, fez com que soasse um pouco diferente, mas em sua essência, ainda fiel ao estilo.

Amigo leitor, aqui chegamos em um ponto crucial dessa história: O lançamento do mais famoso e bem sucedido (até aqui!) álbum do Metallica: “Black Album”, como é conhecido pela capa, mas possuindo de fato, o mesmo nome do grupo. Bom, todos sabem que, para este álbum, o Metallica resolveu abandonar o seu antigo produtor dos últimos álbuns, para trabalhar com Bob Rock, um já bastante conhecido produtor, famoso também por trabalhar com várias bandas de Hard Rock. O inegável é que, com Bob Rock, tudo ficou mais pop no Metallica: a banda, a vendagem de discos, os fãs... e não digo isso no sentido pejorativo, pois pop está muito mais implícito no sentido de sucesso mesmo.

Pensem comigo: foi o álbum de maior vendagem do grupo e um dos mais vendidos no mundo inteiro, levou a música pesada a lugares nunca antes imaginados e arrebatou milhares de novos fãs, que a partir deste, fizeram o caminho inverso, conhecendo depois os discos anteriores da banda, e o som do Metallica... bem, o som (e que me perdoe a multinacional de cervejas), mas realmente “desceu mais redondo” no gosto da galera. É o metal mais popular do que nunca. Neste ponto já não dá mais para comprar briga: o Thrash Metal aparece um tanto quanto diluído, em uma boa dose de Hard Rock. Seria realmente já uma influência de Bob Rock no som do Metallica?

Não tenho dúvidas de que sim... Um grande mérito que temos que conferir à Bob Rock, seja como produtor, mentor, pessoa, etc., é o fato de que ele, talvez pela primeira vez na história da banda, conseguiu escalar sozinho a “muralha da China” solidamente construída por Lars & Hetfield. Bob realmente conseguiu adentrar naquele mundo, seja pelo seu carisma ou pela identidade criada com a banda, o fato é que ele se tornou naquele momento um “quinto elemento” do Metallica, e a partir daí, mudaria para sempre a maneira do grupo compor suas músicas...

Se estamos falando da influência hard rock no som do Metallica causada por Bob Rock, não culpem somente a ele... vejamos o que acontece imediatamente depois: uma mega turnê junto ao Guns´n´Roses, e uma aproximação extra-palco entre Lars e Axl Rose... Pode até ser “achismo” de minha parte (e aqui me dou novamente a este direito, uma vez que não se trata de uma matéria jornalística, e sim, mais um ponto de vista de um amante do rock), mas não dá para negar que o contato dos quatro cavaleiros do apocalipse com um grupo que representava o que o Guns representou naquela época, possa ter tido seu grau de contribuição... Mesmo para o Metallica, seria impossível ficar indiferente ao apelo irresistível e indestrutível daquele som, um hard rock improvável, novo, sedutor e altamente contagiante. Posso provar que não estou ficando louco. Basta ver o que vem a seguir...

“Load” é lançado e para surpresa (seria mesmo?) de todos, um álbum de hard rock concebido pelo Metallica. É isto mesmo, senhores, o que estes velhos ouvidos calejados de rock escutam neste álbum não me dizem outra coisa: é um álbum hard rock da mais alta qualidade, o que, vindo do Metallica, não poderia ser diferente. Mas, onde foi parar o Thrash Metal? Se no passado, alguns fãs já haviam enterrado a banda, com “Load” sumiram até com a lápide!!! (apesar destes mesmos fãs continuarem a freqüentar todos os shows, mesmo que o Metallica tocasse axé music). Definitivamente, alguma coisa havia mudado, e não fora só na música. Pudemos acompanhar uma metamorfose também na atitude da banda, no visual, nas entrevistas, tudo era bastante explícito. E chocante.

Realmente, por mais que “Load” seja um álbum da mais alta qualidade (em se tratando de hard rock), não é fácil aceitar que uma banda, precursora e ícone absoluta do estilo Thrash Metal, tenha abandonado quase que totalmente o gênero que os consagrara em outros tempos. Sim, prezado leitor, eu também fiquei indignado/decepcionado naquela época (quem não ficou?), mas isso é coisa de fã, e não estamos falando de mais uma banda de rock... é o Metallica! Só depois de algum tempo, e entendendo que tratava-se de um processo irreversível, é que pude ouvir este novo som com outros ouvidos, e, apesar de difícil, reconhecer se tratar de um Metallica em outro estilo, porém com a qualidade habitual.

Não vamos culpar ninguém por isso, mas, adivinhem que foi o produtor deste disco? Neste ponto da carreira, Bob Rock já não era apenas um produtor, era também um grande amigo, com bastante influência no modo como o Metallica conduzira sua música. Reparem só como, de Load em diante, a maneira como James Hetfield compõe mudaria radicalmente. Vejam as melodias, os refrões, as estruturas de frases nas letras das músicas... Esta nova maneira é percebida ainda hoje, com o último “Death Magnetic”. Mas não vamos saltar partes. Ainda faltam “Reload”, que é da mesma safra de composição de “Load”, porém sem o mesmo brilho (todo mundo fala é que sobra do “Load”, muito embora não seja realmente, mas o que parece é que são as que “sobraram”), e “Garage, Inc”.

Este último, apesar de se tratar de um álbum de covers, sendo o segundo nesta linha na carreira do Metallica, não poderia passar em branco por um detalhe: apesar do repertório estar repleto de grandes clássicos do rock, especialmente da safra NWOBHM (trad. Nova onda do Heavy Metal Britânico), reparem como, mesmo se tratando de Heavy Metal setentista, algumas músicas soam hard rock na voz de Hetfield? Se é exagero, ou paranóia de minha parte, eu ainda não sei, mas pensem a respeito... Após longos e torturosos anos, os fiéis fãs do estilo Thrash Metal já não tinham grande esperança em ver o Metallica lançar algum material neste gênero, embora a maioria deles, em seu âmago, ainda sonhasse com o ressurgimento da banda, assim como uma Fênix, encontrando a redenção final.

Então, eis que surge a “aberração”: “St. Anger” foi assim descrito não só por muitos fãs do Metallica, mas por quase toda a crítica musical da época. Nessa altura, se Jason Newsted havia tido algum arrependimento em ter deixado a banda, certamente ao ouvir o álbum, teve um certo consolo. Não que “St. Anger” seja um álbum ruim (difícil conceber essa idéia se tratando do Metallica), mas que, sem dúvida, foi o mais perto de um trabalho mediano e sem brilho que o Metallica já havia atingido, isto foi. Neste álbum, não dá para distinguir nem o Thrash clássico que os consagrara, nem tampouco o hard rock harmonioso da sua fase mais recente.

Não vou ficar perdendo o seu tempo nem o meu tentando rotular este som de “St. Anger”, quem conhece a história da banda, sabe que este momento da carreira do Metallica, este disco foi só um reflexo do que se tornara a vida dos nossos ilustres cavaleiros do metal, ou seja, algo como um lugar muito obscuro onde não se podia enxergar nenhuma luz no fim do túnel. Bob Rock, que gravou o baixo neste álbum, parecia não ter forças para conduzir mais a banda, estava ali mais como uma figura paterna, sendo embalado por um bando de crianças mimadas e confusas.

Passado toda a tempestade, o improvável começa a acontecer: há uma mudança de clima na banda, e também de postura, como uma nova vitalidade latente à vista. Os deuses do Metal talvez estivessem dando uma forcinha, mas o fato é que, aliado a isso tudo, entra em cena a possibilidade de fazem um novo álbum sem Bob Rock. E, tempos depois, já confirmado o nome de Rick Rubin como novo produtor (considerado um mago da música e também muito famoso por produzir grandes bandas, inclusive dentro do estilo Thrash Metal), os Thrashers de plantão começaram a sentir um cheiro de renascença no ar. Seria mesmo possível? E porque não seria permitido ao próprio Metallica beber novamente da mesma fonte que os tornou tão magistrais? Qual seria o pecado? Nenhum. Realmente todos esses sinais acabaram se transformando em algo concreto: a concepção de “Death Magnetic”, o último álbum de estúdio da banda.

Longe de ser um “Master of Puppets II” como muito se falou na imprensa em geral, porém, visivelmente mais próximo do Thrash Metal que o Metallica produziu em sua áurea fase desde “And Justice for All”. Um verdadeiro alento para os corações sofridos dos amantes do Thrash. Sem dúvida, um excelente álbum, no entanto, como disse anteriormente, não se enganem por completo. Há sim, muito do Thrash na grande maioria das faixas, porém, o que vejo mais além disto, é uma tentativa desesperada de fugir do hard rock, e soar o mais Thrash possível, o que, na minha singela opinião, não teve êxito total.

A estrutura de composição de James, bem como sua forma de cantar, ainda remete à sua fase mais hard rock. Vejam por si só. Em alguns momentos tenho a impressão de que, se James cantasse o mais brutal Death Metal, sua linha de vocal ainda soaria hard rock!!! Somado a este fato, em várias faixas, podemos perceber estruturas musicais típicas do Thrash, e aí, logo vem um refrão, ou só uma passagem diferente, e lá está o bom e velho hard rock de novo, e em seguida, volta a ser um Thrash vigoroso. Soa confuso, não? Acho que a cabeça de Lars & Cia deve estar assim também.

O único senão disto é a performance irretocável de Kirk Hammet (este, por sinal, parece ser o maior apreciador do estilo Thrash dentro do Metallica). Seus solos estão mais “metal” do que nunca, e nota-se que ele andou visitando novamente a sua velha discoteca de vinis...

Concluindo (podem acreditar, acabou!), o misto de inocência e ódio que morava nos corações dos cavaleiros do Metallica e que os fizeram capazes de produzir os álbuns mais Thrash criados na década de 80, hoje já não existe mais... Há uma irremediável contaminação do hard rock em suas veias, que não os permite ter a mesma pureza de outrora... e não se iludam: esse cenário dificilmente irá mudar para o resto de suas carreiras. Independentemente de estilo, o mais importante de tudo é que o Metallica se sinta bem com o que faz, e que possa demonstrar este prazer nos palcos do mundo, como parece ser o que está acontecendo neste momento com a banda. Essa nova energia parece ter também contaminado todos os fãs, inclusive os da “velha guarda”, formando em uníssono um coro entusiasta do tipo: “bem-vindos de volta!”. E que o Metallica mantenha essa vibração e continuem na ativa enquanto ainda forem capazes, para o bem do rock!

Jean Carlo B. Santi é Administrador de Empresas e Pós-Graduado em Marketing. Músico amador, atua também como baterista numa banda que toca covers de classic rock. Ainda criança, pôde conhecer através de um tio bandas como Queen, Pink Floyd, Gênesis, Nazareth, U2, Bon Jovi, Guns´n´Roses... Mais tarde, descobriria por conta própria que havia muito mais no rock, e desde então, nunca mais encontraria o caminho de volta do limbo de onde vivem todos estes seres fantásticos e surreais, habitantes deste mundo à parte chamado rock´n´roll.

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