Oligarquia: entrevista com Panda Reis e Max Hide

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Oligarquia: entrevista com Panda Reis e Max Hide


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Ao longo dos últimos 20 anos, o paulistano Oligarquia foi taxado de muita coisa, mas nunca cedeu às pressões para ter acesso a um maior público às custas de sua integridade. Aproveitando que o pessoal está lançando “Distilling Hatred", um álbum totalmente Death Metal old school, o Whiplash! conduziu uma entrevista com o baterista Panda Reis e o vocalista Max Hideo em um papo sincero, realista e divertido.

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Whiplash!: Saudações, pessoal! Duas décadas dedicadas ao underground e com sua música em inúmeros registros não é pouca coisa. Apesar das adversidades, como avaliam a atual situação da Oligarquia?

Panda Reis: Pois é, parceiro, definitivamente chegamos à fase adulta e agora não tem mais FEBEM (rs). Hoje somos exatamente o que deveríamos ser, sempre rebato colocações e afirmações que dizem que merecíamos estar em uma posição mercadológica mais privilegiada, mas irmão, sinceramente, com a postura que essa banda sempre teve desde o início, acho que é muito estarmos onde chegamos.

Whiplash!: Sua proposta é fundamentada na velha escola do Death Metal e “Distilling Hatred” é muito bom a que se propõe. Mas, considerando a história do Oligarquia, até onde esse álbum pode se diferir do que foi feito no passado? Aliás, o Max Hideo (Conexão Pentagrama) canta pra cacete!

Panda Reis: É um novo disco, um novo vocalista, novos temas e mais raiva, mais vontade de colocar para fora todo nosso ódio, destilar mesmo ele, deixá-lo concentrado, denso... Por isso que o ódio expelido no álbum inteiro dá quase pra cortar com a faca. Não é à toa que é um disco tradicionalíssimo de Death Metal, direto, cru, seco, caótico... Incomodo mesmo, saca !?? Tipo meia molhada (rs), você não se sentirá bem com a vida após ouvir e entender esse disco, ele não é um disco feliz e alegre. Temos muito para criticar, apontar e questionar. O problema é que a paciência está cada vez menor e os discos vão ficando mais diretos.

Whiplash!: Já vi tantas entrevistas por aí questionando a demora do lançamento do novo disco que vou pular essa parte. Mas, ainda que a masterização tenha ficado ao encargo do Ciero e seu estúdio Da Tribo, “Distilling Hatred” é o primeiro álbum em que vocês assumiram a produção. O áudio final correspondeu às expectativas?

Panda Reis: Sim, apesar das brigas com os engenheiros de som, assumimos mesmo a produção. Porra cara, ficou satisfatório, no momento era o que tínhamos que fazer, produzir o próprio CD para nos re-entendermos como banda, saca!?? Foi um porre, parceiro hahahaha!!!! Não gosto muito de estúdios, então acredito que os próximos voltaremos à condição de co-produtores (rs). Mas adiantou um lado, depois da experiência já tô produzindo uma banda aí... Mas só por que acho que tenho como melhorar o trampo deles e sinto que esta ficando bem legal.

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Max Hideo: Foi realmente uma ‘treta’ quando tivemos que assumir a produção por quase 100%. Pois não estávamos esperando que isso ia ocorrer, já que o cara é engenheiro e nós não... O engenheiro não conseguiu chegar nem a 10% da sonoridade que era para o CD ter. Fora a pouca vontade de querer fazer o trabalho e tudo mais... O cara não é paciente, não entendia o som da banda e tudo isso fez com que ocorresse essa decisão de tomarmos conta da produção do álbum. Ainda bem que o Ciero conseguiu fazer uma mágica na mixagem... rs, pois pegar um trampo de outro lugar é sempre mais complicado.

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Whiplash!: Veteranos como o Oligarquia defendem seus ideais com unhas e dentes. Mas a retidão dessa postura gera certo choque com a nova geração e sua forma de encarar o Heavy Metal. Como avaliaria isso e quais os benefícios que esse extremismo poderia gerar para a cena underground?

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Panda Reis: Sim, é verdade... A molecada não entende o que eu falo, contra o que eu brigo, e alguns desses me vêem como um tiozinho chato que reclama de tudo (rs). Paciência ... Eles surgiram em uma cena viciada, deformada e modificada, onde coisas que eram absurdas para os músicos, público, enfim, bangers da minha geração, hoje é prática comum entre a nova geração. Não sei se isso é bom ou ruim para toda a cena, mas acho que na verdade a maioria dos ‘tiozões’ do metal se transmutaram muito bem para a nova realidade, a nova cena saca!?? Acredito que apenas meia dúzia como eu ainda consegue perceber que a cena poderia ser melhor se tivéssemos tomado outro caminho, saca!??

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Panda Reis: Não tô dizendo que tá tudo errado, minhas críticas são contra os ‘donos do underground’ que padronizam tudo e quem não seguir o esquemão simplesmente tá fora da cena. Talvez eu seja um idiota em continuar batendo nessa tecla, me lembro que todos criticaram quando bandas começaram a pagar pra abrir, quando produtoras cobravam para fazer turnês das bandas, quando a cena começou a traduzir para o underground os métodos do mainstream, mas a maioria se adaptou e seguiu em frente... Eu sou um neanderthal, não estou conseguindo me adaptar ao novo underground e estou fadado à extinção.

Whiplash!: Tornaram-se notórias as desavenças entre o Oligarquia e vários selos do Brasil. Em sua opinião, como poderia ser esse ‘mundo ideal’ entre a Arte e as gravadoras que, quer aceitem ou não, estão inseridas em um sistema capitalista?

Panda Reis: Mó merda isso aí... Apenas falo o que realmente acontece, não sou inimigo das gravadoras, tem gente achando que eu quero destruí-las, não quero destruir as gravadoras fisicamente, mas metafisicamente, você me entende!?? As estruturas que elas possuem, a visão padronizada de trabalhar as bandas... Eu acho que, se olharem a música como arte mesmo, e não apenas como mercadoria na prateleira, não apenas o artista vai vender CDs e ajudar a gravadora monetariamente, a mentalidade tinha que ser maior que isso... Sei que as gravadoras pequenas não têm grana pra se manter, mas acho que isso deve vir do Ministério da Cultura, as gravadoras majors ou não deviam receber verbas do Ministério ou então abatimento em impostos para investir monetariamente em bandas que lançassem CDs com uma tiragem de 1000 exemplares, impulsionando assim a cena underground, que receberia grana de dentro do próprio underground e das majors interessadas em abater seus impostos... Algo nessa linha! Não sou eu quem teria que dar a saída (rs), apenas tenho idéias que ’eles’ nunca irão aceitar !! rs

Max Hideo: Tivemos algumas propostas ‘interessantes’... rs, algumas das propostas foram que receberíamos cerca de 15% dos CDs para a banda, sendo que bancamos 100% a gravação, mixagem, produção... E queriam nos explorar desta forma com esse tipo de propostas... Gastamos com esse CD, ficamos em cima das gravações, mixagem... E querem ganhar em cima de nós que é uma beleza!!!! Fora as lojas que queriam vender nossos ‘mercham’ por um valor absurdo, como foi o caso das camisetas da banda.

Whiplash!: E, neste esquema, como funciona sua relação com a Poluição Sonora Records? O preço do novo álbum está uma verdadeira bagatela...

Panda Reis: A Poluição Sonora Records agora é nossa!!! hahahahaha!! Era uma produtora de eventos underground, mas que estava meio largada, saca? Conversamos com eles e agora estamos trabalhando como um mutirão pra fazer desse selo não apenas uma gravadora, mas uma ferramenta para o underground. Só assim pode-se prensar um CD a ser vendido por R$ 7,00!! E não dá prejuízo, cara, é o valor justo para um CD e conseguimos esse primeiro passo por que fizemos em versão SMD e sem encarte, sem caixinha, o que interessa é a música. Mas parece que a molecada tá mais interessada em ficar olhando fotinhas do que ouvir o som!!! hahahaha!!! A meta é que o próximo tenha um preço parecido, queremos facilitar para os bangers, o moleque que compra o CD.

Max Hideo: Decidimos fazer o esquema SMD para baratear o valor final. Tanto que o encarte colocamos disponível on-line. Pois queira ou não, nosso público é o de pessoas mais jovens nos shows, a maioria deve de ter menos de 20 anos e muita molecada não tem grana para ficar pagando R$ 20,00 em um CD. Nos shows cobramos R$ 5,00!! Hahahaha. Cara, hoje em dia (há muito tempo) o CD é algo que queremos que todos tenham acesso fácil, queremos que os death bangers tenham o CD para curtir em casa, escutá-lo num final de semana tomando uma breja com os amigos... Por isso que optamos em fazer nesse estilo o novo álbum. A intenção é não ficarmos com os CDs encalhados!

Whiplash!: E a boa nova de que “Distilling Hatred” será distribuído na Alemanha? Poderia dar mais detalhes?

Max Hideo: Sim, vamos ter distribuição por lá através da Metal Inquisition. Foi uma ‘embaçassão’ desde quando começamos a gravar o “Distilling Hatred”, que durou cerca de uns dois anos e meio... Até que o álbum saiu e rolou esse interesse da distro alemã. Agora é só esperar pra ver como vai ser.

Whiplash!: O Oligarquia construiu a reputação de estar sempre tocando por aí. Considerando o novo disco para divulgar e a recente saída do guitarrista Pancho, como está a situação das apresentações ao vivo?

Panda Reis: Então, o Guilherme voltou para o posto que era dele de direito. O Pancho tocava bem pra caralho, mas não está mais na banda e o Guilherme é quem fez todos os shows de promoção do “Humanavirus” e gravou as guitarras do “Distilling Hatred”, ele tá em casa.

Max Hideo: O legal é que quando o Guilherme saiu, na verdade a gente nem sabia o motivo, e do nada ele agora está de volta!! rs... O bom é que ele já era da banda e já conhece os sons e é um desgraçado firmeza para estar junto novamente.

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Whiplash!: Aliás, uma curiosidade final... O Oligarquia passou por tantos problemas de formação que houve ocasiões em que se apresentou ao vivo como uma simples dupla. Quais as lembranças de uma situação tão complicada?

Panda Reis: Somos uma banda que não toca aquele Death Metal mais moderno, quebrado e técnico, somos uma banda de Death Metal old school, mais tradicional mesmo e não é um som que todos gostam de tocar, por isso algumas formações foram pura formação (sic) de barra mesmo, pois determinado músico estava tocando sem gostar do som que fazia, mas deu certo, já teve Black Metal, Hardcore, Grind tocando com a gente. Mas deu certo, pois ajudaram a banda, mas a melhor formação da banda sempre vai ser aquela que tenham músicos que curtam esse Death tradicional.

Panda Reis: Isso aconteceu quando fomos fazer alguns shows em Minas e o nosso baixista quebrou a mão um dia antes da viagem. Não dava para levar um cara pra segurar, não daria tempo, aí fomos como uma dupla com o Alex cantando e tocando guitarra e eu na batera, foi Defecation total!!! hahahaha!!

Whiplash!: Ok, pessoal, o Whiplash! agradece pela entrevista e espera vê-los sobre os palcos. O espaço é de vocês para os comentários finais...

Panda Reis: Valeu a todos que acompanham de alguma maneira a banda e a cena, estamos com CD novo a preço justo e honesto. Se quiser dar uma olhada, acesse nosso site: www.oligarquiadeath.com.br. Valeu a força e a gente se vê por aí...

Max Hideo: Lembrando que o valor do novo álbum é de R$ 7,00. Aproveite, pois cerca de 750 álbuns já se foram!! Nos restam muito pouco desse novo CD. Valeu a todossssssss!!!

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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