A banda que Renato Russo se preocupou com possibilidade de confundirem com Legião Urbana
Por Gustavo Maiato
Postado em 15 de novembro de 2023
No cenário efervescente do rock nacional dos anos 80, a banda carioca Uns e Outros emergiu com força, mas sua trajetória foi rapidamente marcada por controvérsias e acusações de imitação. Uns e Outros, como ficaram conhecidos, alcançaram o topo das paradas brasileiras entre 1989 e 1990, despertando a expectativa de serem os representantes da nova geração do rock. A história é contada no canal de Júlio Ettore nos mínimos detalhes.
No entanto, o sucesso meteórico da banda logo deu lugar a um turbilhão de críticas e desentendimentos. As acusações de que estavam copiando a renomada Legião Urbana ecoaram nos corredores da imprensa e nas palavras do próprio ícone do rock nacional, Renato Russo. O vocalista expressou publicamente sua desaprovação, alegando que a banda carioca estava seguindo os passos da Legião Urbana de maneira muito próxima.
O embate entre Renato Russo e Uns e Outros se intensificou, culminando em uma série de críticas durante apresentações e até mesmo no programa da Xuxa. As críticas se estendiam não apenas ao som da banda, mas também à postura de palco, alimentando uma polêmica que se tornou uma marca indelével na história do rock brasileiro.

Além das controvérsias musicais, Uns e Outros enfrentaram obstáculos geográficos, sendo acusados de serem boicotados por não pertencerem à zona sul, um dos redutos tradicionais da cena musical carioca.
Os principais jornais do Rio de Janeiro alimentaram o fogo da controvérsia, acusando a banda de letras fracas e populistas. As comparações constantes com a Legião Urbana e Renato Russo levaram a um desconforto crescente nos bastidores da banda, afetando não apenas sua relação com a mídia, mas também com os fãs.
O ponto de partida para essa polêmica remonta a 1989, quando Renato Russo, em uma entrevista, expressou sua preocupação com a possibilidade de o público confundir as bandas. "O que mais me incomoda não é nem a mídia, mas o receio de que o público coloque tudo no mesmo saco. Se eu desconfiar que tem um garoto que não sabe a diferença entre Legião Urbana e Uns e Outros, aí eu vou ficar realmente preocupado", disse Renato.

Assim, a história de Uns e Outros se tornou mais do que apenas uma narrativa musical. Ela encapsula uma época em que o rock nacional buscava se reinventar, mas acabou envolto em uma disputa intensa pela autenticidade e originalidade. O legado da banda carioca é marcado não apenas pela música, mas também por uma polêmica que reverbera até os dias de hoje.
A história do Uns e Outros
Formada em 1983 no Rio de Janeiro, Uns e Outros é uma banda brasileira que se destacou no cenário do rock alternativo nacional. Sua trajetória musical é marcada por altos e baixos, mudanças de formação e, acima de tudo, uma habilidade notável de se reinventar ao longo das décadas.
A ascensão da banda à fama nacional ocorreu em 1989, impulsionada pelos impactantes singles "Carta aos Missionários" e "Dias Vermelhos", lançados como parte de seu segundo álbum. Essas músicas não apenas conquistaram o público, mas também solidificaram a presença dos Uns e Outros na cena musical brasileira da época.
Após um período afastada do mainstream, a banda voltou à ribalta em 2006 com o lançamento do álbum "Canções de Amor e Morte". Este trabalho recebeu aclamação da crítica, especialmente pelos singles "Um Dia de Cada Vez" e "Depois do Temporal". Destacou-se também por apresentar uma reinterpretação envolvente da música "Dia Branco", de Geraldo Azevedo.
Em 2015, Uns e Outros presenteou os fãs com o álbum ao vivo "Uns e Outros ao Vivo", gravado em novembro de 2010. O destaque foi a colaboração especial com Bruno Gouveia, do Biquini Cavadão, na emocionante "Perdendo Vida". Embora originalmente planejado como um DVD, o projeto enfrentou obstáculos técnicos e foi lançado exclusivamente em formato de CD em 2015.
O ano de 2020 trouxe consigo uma incursão nostálgica, com o relançamento do single "Pros que Estão em Casa", um tributo ao grupo Hojerizah datado de 1987. A banda demonstrou, mais uma vez, sua habilidade de mergulhar nas raízes musicais e revitalizar obras clássicas.
No ano seguinte, em 2021, Uns e Outros foi destaque no projeto itinerante "Rock Brasil - 40 Anos", reforçando sua relevância e longevidade na cena musical brasileira. No entanto, o ano também trouxe mudanças, com o guitarrista Nilo Nunes deixando a banda em fevereiro, deixando o vocalista Marcelo Hayena como o único remanescente da formação original.
Determinados a seguir em frente, em 2022, com um novo guitarrista, a banda lançou os singles "Balada da Redenção" e "O Idiota", acompanhados de videoclipes no YouTube. Estas novas criações demonstram a contínua vitalidade artística e a capacidade dos Uns e Outros de se adaptarem às mudanças, garantindo assim um lugar de destaque no cenário musical brasileiro.
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