“Brasília é a capital do Rock” é uma das frases mais repetidas de todos os tempos entre os moradores da capital de nossa bela república quando o assunto é música. Infelizmente a maioria aqui sabe que é uma frase um pouco ultrapassada, já que há pouquíssimas bandas de rock e metal suficientemente sérias e profissionais atuando na cena brasiliense. O disco sobre o qual foi escrita esta resenha é de uma delas.
O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

Logo de cara nota-se que a qualidade gráfica do álbum não perde em nada para bandas nacionais mais experientes ou mesmo para a maioria das bandas gringas. A capa em digipack exibe a bela arte de Gustavo Sazes, designer/artista conhecidíssimo entre a maioria das bandas brasileiras de metal. O livreto contendo letras, fotos da banda e agradecimentos também é de primeiríssima qualidade, o que mostra o zelo impecável dos integrantes para com os detalhes gráficos.
Deixando de lado o visual, o disco é introduzido por “What Lies Behind”, épico momento instrumental que inconscientemente remete a cenas do filme “Senhor dos Anéis”. Mais uma vez pode ser ressaltada a preocupação do grupo e do produtor com os detalhes, a instrumentação orquestral é magistralmente regida e leva a um clímax surpresa, onde a banda já aparece quebrando tudo.
Aí entra “Echoes Within”, belíssima faixa no melhor estilo Power Metal, já mostrando que o Artemis chegou pra quebrar tudo. Lembrando levemente o Angra, a faixa não deixa nada a desejar seja no quesito composição, conteúdo das letras ou produção.
As faixas “Mystery”, “Break Up the Chains”, “You’ll See” e “Till the End seguem uma tendência parecida, mostrando toda a potência das guitarras de Gabriel “T-Bone” Soto e Nathan Grego e dos vocais de Alírio Netto (que esbanja linhas vocais ligeiramente mais graves e rasgadas do que sua outra excelente banda Khallice, que também vale a pena conferir). A cozinha não perde em absolutamente nada para bandas gringas como Blind Guardian e Rhapsody of Fire, Pedro Senna com suas fantásticas pedaladas duplas e ritmos quebrados e Giovanni Sena botando todo o peso e a definição na mix.
“Take me Home” e “One Last Cry” seguem uma linha Power Ballad e são os momentos mais tranquilos e ligeiramente melancólicos do disco, que em nenhum momento perdem o peso. A primeira inclusive possui grande potencial para figurar em grandes rádios brasileiras e internacionais. A participação especial de Lorena Rodrigues deu um ar muito legal à segunda, que exibe uma letra bastante tocante.
Mas as cerejas do bolo com certeza são “God, Kings and Fools” e “Truth in Your Eyes”, consequentemente uma exibição de técnica e musicalidade em uma música de mais de nove minutos (sim, 9 minutos mesclando música oriental e prog) e a segunda sendo pura inspiração e sem dúvida o clímax do disco.
Palmas para a banda Age of Artemis, lançaram sem dúvida nenhuma um disco que está fadado a ser um clássico do metal nacional. Estão de parabéns!! Ainda existe esperança para o Rock e Metal de Brasília.
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André Garotti nasceu e reside em Brasília e é formado como Jornalista, Professor de Inglês e Técnico em Audio Digital pelo CAM (Curso de Audio & Música) do DF. Trabalha como guitarrista, produtor musical e técnico de som com todos os estilos de música, mas tem um amor infinito pelo rock e pelo metal desde a infância, sem compromissos ou preconceitos com nenhum tipo de banda dentro desses estilos.
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