Resenha - Kill 'Em All - Metallica

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Resenha - Kill 'Em All - Metallica


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Esta estava prometida a tempos aos leitores, e começo uma série de resenhas dirigidas aos 4 discos clássicos do METALLICA, aqueles que são unanimidade entre seus fãs mais antigos, e quando a banda se tornou um gigante influenciador de gerações futuras.

Nota: 8

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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O ano é 1983. As primeiras indicações do que se tornou conhecido por Power Metal nos Estados Unidos já estavam bem estabelecidas, e a nova geração, impulsionada pela NWOBHM, começava a dar sinais de sua força no submundo do Metal, especialmente na Bay Area de San Francisco. Após causar um forte clamor no underground norte-americano devido tanto a sua Demo Tape clássica ‘No Life ‘Till Leather’ quanto à sua participação na coletânea Metal Massacre I, com ‘Hit the Lights’, a Megaforce Records (por meio de seu fundador, o folclórico Johny ‘Z’ Zazula, que havia ouvido a Demo Tape da banda e gostado) resolveu bancar o desafio de lançar os novatos no mercado, em uma aposta de risco, pois a banda estava remando contra a maré, devido ao som ser um mix bem sacado de influências melódicas e pesadas da NWOBHM, mais a adrenalina do Punk/Hardcore, e deu no que deu: o primeiro disco de Power/Speed Metal de todos os tempos.

Mas tudo isso não mostrava o que a banda havia passado até entrarem em estúdio: Dave Mustaine havia sido sumariamente demitido em abril, devido aos problemas com álcool e drogas, e Kirk Hammet (ex-aluno de JOE SATRIANI e ex-EXODUS) mal havia chegado, ao ponto de ter baseado seus solos de guitarra nos de Dave (o que faria o fundador do MEGADETH soltar o verbo em várias entrevistas em 1985); a banda ainda teve que viajar de San Francisco até Nova York para gravar o disco sob a tutela de Paul Curcio; ter o nome e capas originais trocados (pois o título seria ‘Metal Up Your Ass’, com aquela capa com um vaso sanitário onde uma mão com espada saindo dele. Desaconselhável para menores de 18, e menos ainda para quem sofre de hemorroidas) pelo atual, e de acordo com boatos, é a mão de Cliff Burton que aparece lá, bem como a capa nova seria idéia dele. E o resultado é o que todos já sabem bem.

A produção visual é bem simples, como se espera de um LP independente na época, com uma foto simples da banda na contracapa, a ficha de produção e nome das músicas, além da declaração icônica ‘Bang That Head That Doesn’t Bang’. O encarte é em branco com algumas fotos trabalhadas em preto e branco, e as letras do outro lado.

Agora, quando a agulha toca no vinilzão, o caldo engrossa, pois apesar da gravação ter sido prejudicada pelo pouco tempo (todo o processo de gravação, mixagem e masterização foi feito entre 10 e 27 de maio de 1983, no Music America Studio, em Rochester, em Nova York), o disco todo é uma autêntica torrente de peso, melodia e músicas bem estruturadas, com vocais levemente urrados, guitarras bem sacadas e melodiosas na medida certa (Kirk foi a escolha de Lars, Cliff e James justamente por ter um estilo mais melodioso que o de Dave), o baixo vibrante e inovador (pois eram raros baixistas que usassem distorção e pedais de guitarra em seu equipamento), e a bateria técnica e pesada na medida certinha.

Falar de clássicos como ‘Hit The Lights’, que abre o disco e é uma canção veloz; ‘The Four Horsemen’, que tem uma entrada grandiosa e é cheia de mudanças de andamento, mas bem diferente, tanto na letra quanto na música em si, de sua versão original, ‘The Mechanix’ (que mais tarde, o MEGADETH lançaria no seu primeiro LP, ‘Killing is my Business... And Business is Good’, em 1985); ‘Motorbreath’, uma faixa que tinha o jeitão da banda em seus primeiros dias; ‘Anesthesia (Pulling Teeth), instrumental onde Cliff mostra sua competência e porque até hoje sua ausência é sentida pelos fãs; ‘Whiplash’, um hino da banda, tocado até hoje nos shows, onde os gritos de James e a bateria de Lars roubam a cena; ‘Phantom Lord’, que é outra faixa bem com a marca registrada da banda, ou seja, mezzo veloz, mezzo trabalhada; ‘Seek and Destroy’, outro hino muito pedido nos shows; e ‘Metal Militia’, uma faixa rápida e cheia de vigor, que fecha o disco e dá vontade de começar tudo de novo repetidas vezes.

O disco levaria a banda a sua primeira tour que varreria os EUA na ‘Kill ‘em All for One tour’ junto com o RAVEN (que estava lançando em terras americanas seu LP ‘All for One’, via Combat Records), e depois na Europa sendo suporte do VENOM na ‘Seven Dates of Hell tour’, onde a banda tocou para 7000 pessoas no Aarsdshok Festival, na Holanda. E isso deu respaldo e moral para a banda alçar voos mais altos no futuro...

Um curiosidade final: nesta época, a banda estava procurando um vocalista, pois James não conseguia ser um bom frontman, sendo cotado o nome de John Bush (do ARMORED SAINT, e futuramente, no ANTHRAX). Mas de acordo com uma entrevista do próprio Lars à Rock Brigade ou à Metal em 1986 (não lembro mais muito bem onde), James conseguiu conciliar cantar e tocar guitarra com ser um frontman, logo, resolveram não mexer em time que está ganhando...

Tracklist:

01. Hit the Lights
02. The Four Horsemen
03. Motorbreath
04. Jump in the Fire
05. Anesthesia (Pulling Teeth)
06. Whiplash
07. Phantom Lord
08. No Remorse
09. Seek and Destroy
10. Metal Militia

Formação:

James Hetfield – Vocais, guitarra base
Kirk Hammet – Guitarra solo
Cliff Burton – Baixo
Lars Ulrich – Bateria

http://www.metallica.com

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Sobre Marcos Garcia

Marcos Garcia é Mestrando em Geofísica na área de Clima Espacial, Bacharel e Licenciado em Física, professor, escritor e apreciador de todas as subdivisões de Metal, tendo sempre carinho pelas bandas mais jovens e desconhecidas do público, e acredita no Underground como forma de cultura e educação alternativas. Ainda possui seu próprio blog, o Metal Samsara, e encara a vida pela máxima de Buda "esqueça o passado, não pense no futuro, concentre-se apenas no presente".

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