Metallica: em 1983, quatro garotos repletos de energia

Resenha - Kill 'Em All - Metallica

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Ricardo Seelig, Fonte: Collector's Room
Enviar correções  |  Ver Acessos

publicidade

25 de julho de 1983. Foi nesta data que o primeiro álbum do Metallica chegou às lojas norte-americanas, com uma tiragem inicial de apenas 1.500 cópias. Na época, o quarteto era formado por James Hetfield (vocal e guitarra), Kirk Hammett (guitarra), Cliff Burton (baixo) e Lars Ulrich (bateria), todos garotos cabeludos e repletos de espinhas recém entrando na casa dos vinte anos.

Metallica: Creeping Death ao vivo na ÁustriaSeparados no nascimento: Roger Waters e Richard Gere.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Sedentos e repletos de energia, os quatro gravaram o disco em apenas duas semanas, no período entre 10 e 27 de maio de 1983. O que se ouve em "Kill'Em All" é um som agressivo e rápido, que ao mesmo tempo em que bebe em fontes mais agressivas como Motorhead e Venom, é também bastante influenciado por grupos oriundos da New Wave of British Heavy Metal, como Diamond Head e Iron Maiden.

Lançado pela então também iniciante gravadora Megaforce, o trabalho inicialmente teria o título de "Metal Up Your Ass", com a capa mostrando um vaso sanitário de onde emergia uma mão segurando uma adaga, mas a gravadora considerou ambos - título e arte da capa - muito agressivos, e conseguiu convencer o grupo a batizar o play como "Kill'Em All" e embalá-lo em uma capa mais branda - mas nem tanto, já que a clássica imagem do martelo repleto de sangue caiu como uma bomba nas lojas mais tradicionais dos EUA, encontrando certa resistência de alguns lojistas.

"Kill'Em All" conta com uma produção crua, a cargo da dupla Paul Curcio e Jon Zazula, mas que agradou em cheio os ouvidos dos headbangers da época, e até hoje continua conquistando novos fãs para o Metallica. As guitarras soam ásperas, o que torna os riffs de faixas como "The Four Horsemen", "Phantom Lord" e "No Remorse" ainda mais agressivos.

Ainda um garoto, James Hetfield apresenta no disco um vocal mais agudo e gritado daquele que nos acostumamos a ouvir com o passar dos anos. Lars Ulrich toca com rapidez e segurança, encaixando viradas precisas e criativas nas composições. Kirk Hammett toca como se conhecesse Hetfield de outras vidas, dando corpo para seus riffs e mostrando em seus solos todo o talento que o levaria a ser considerado um dos maiores guitarristas da história do heavy metal. E Cliff Burton, o melhor instrumentista do grupo, eleva a atividade de baixista a um novo patamar, esbanjando técnica e criatividade, o que levou alguns críticos da época a classificarem o seu modo de tocar como "lead bass".

Entre as dez faixas de "Kill'Em All" estão alguns dos maiores clássicos do então nascente thrash metal, e do próprio heavy metal oitentista. Como você bem sabe, o disco abre com "Hit the Lights", faixa presente na lendária coletânea "Metal Massacre Vol I", lançada pela gravadora Metal Blade em 1982 e responsável por apresentar o som do quarteto - e de bandas como Malice, Cirith Ungol e Demon Flight - aos ávidos fãs do então chamado speed metal.

A estupenda "The Four Horsemen", uma das melhores composições da história do Metallica, contém uma inacreditável coleção de riffs clássicos e foi também gravada por Dave Mustaine - autor da faixa, ao lado de Hetfield e Ulrich - no primeiro álbum do Megadeth, "Killing is My Business ... and Business is Good", de 1985. Aliás, Mustaine divide a autoria de mais três faixas de "Kill'Em Al"l: a cheia de groove "Jump in the Fire", a agressiva "Phantom Lord" (mais tarde regravada por outro gigante do thrash, o Anthrax, como B-side do single de "Inside Out", do álbum "Volume 8: The Threat is Real", de 1998) e a rápida "Metal Militia", que fecha o play.

Outras pauladas infalíveis são "Motorbreath", com uma virada de bateria antológica de Lars Ulrich e guitarras "pedaladas" que fizeram muita gente ter torcicolos frequentes; "(Anesthesia) Pulling Teeth", onde Burton calibra seu baixo com generosas doses de distorção e despeja melodias inesquecíveis sobre os ouvintes; "Whiplash", um violento soco no estômago que você não cansa de sentir; e a eterna "Seek & Destroy", que consegue unir de forma quase alquímica as melodias influenciadas pela NWOBHM com a agressividade e a rapidez que por muito tempo foram marcas registradas do grupo.

"Kill'Em All" caiu com uma bomba atômica no universo metálico, causando abalos sísmicos que abalaram definitivamente o heavy metal dali em diante. O thrash metal teve dois pais, e um deles foi, sem dúvida alguma, "Kill'Em All" - o nome do outro é "Show No Mercy", primeiro disco do Slayer, lançado também em 1983. O álbum alcançou a primeira posição da parada underground da revista norte-americana Hit Parader, uma das maiores e mais importantes publicações dedicadas ao heavy metal da época. Além disso, figura na posição número 35 da lista dos 100 Maiores Álbuns dos Anos 80 produzida pela revista Rolling Stone.

Em 1988 a gravadora Elektra reeditou o álbum com duas bonus tracks - as famosas versões de "Am I Evil?" do Diamond Head e "Blitzkrieg", da banda homônima. O disco ganhou dezenas de reedições ao longo dos anos, sendo as mais interessantes essa de 1988 já citada; a versão lançada pela Universal japonesa em 2006, em edição limitada papersleeve; e a em LP de 180 gramas que a Warner colocou no mercado em 2008.

"Kill'Em All" é mais do que um disco. O primeiro álbum do Metallica é um marco na história do heavy metal, responsável por dar cara a um novo gênero - o thrash metal -, ao mesmo tempo em que apresentava ao mundo uma das mais importantes, influentes e maiores bandas da história da música pesada. Isso é mais do que suficiente para "Kill'Em All" carregar, de forma reluzente e inequívoca, o status de clássico.

Faixas:
A1 Hit the Lights 4:18
A2 The Four Horsemen 7:15
A3 Motorbreath 3:10
A4 Jump in the Fire 4:43
A5 (Anesthesia) Pulling Teeth 4:16
A6 Whiplash 4:12

B1 Phantom Lord 5:04
B2 No Remorse 6:28
B3 Seek & Destroy 6:57
B4 Metal Militia 5:13


Outras resenhas de Kill 'Em All - Metallica

Metallica: Kill 'Em All continua fundamentalMetallica
Kill 'Em All continua fundamental

Metallica: 33 anos depois do Kill'Em AllMetallica
33 anos depois do Kill'Em All

Metallica: Eles mudaram a história da música em 1983

Metallica: Em 1983, o disco que mudou a face da músicaMetallica
Em 1983, o disco que mudou a face da música

Metallica: O clássico dos clássicos do Thrash MetalMetallica: O 1º disco de Power/Speed de todos os tempos




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDsTodas as matérias sobre "Metallica"


Metallica: Creeping Death ao vivo na Áustria

Metallica: quando Kirk Hammett ouviu o Wah Wah pela primeira vezMetallica
Quando Kirk Hammett ouviu o Wah Wah pela primeira vez

Michael Jackson: filha faltou à formatura para ir assistir o MetallicaMichael Jackson
Filha faltou à formatura para ir assistir o Metallica

Metallica: vídeo oficial de "One" ao vivo na RomêniaEm 18/11/1997: Metallica lançava o álbum Reload

Em 18/11/1962: nascia Kirk HammettEm 18/11/1962
Nascia Kirk Hammett

Metallica: em vídeo, como a banda sabotou a carreira do Jason NewstedMetallica
Em vídeo, como a banda sabotou a carreira do Jason Newsted

Metallica: filmagem profissional de "Harvester Of Sorrow" ao vivo em MoscouMetallica: vídeo de "Sad But True" em Moscou; confira

Infectious Grooves: show gratuito é confirmado em SP com Charlie Brown Jr e maisInfectious Grooves
Show gratuito é confirmado em SP com Charlie Brown Jr e mais

Metallica: Hetfield e Hammet falam sobre o Black AlbumMetallica
Hetfield e Hammet falam sobre o Black Album

Inacreditável: O que acontece de mais bizarro em um show de metalInacreditável
O que acontece de mais bizarro em um show de metal


Separados no nascimento: Roger Waters e Richard Gere.Separados no nascimento
Roger Waters e Richard Gere.

Slipknot: Corey Taylor explica porque o mundo pop não suporta o Heavy MetalSlipknot
Corey Taylor explica porque o mundo pop não suporta o Heavy Metal


Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

Mais matérias de Ricardo Seelig no Whiplash.Net.

adGoo336