Resenha - Headless Cross - Black Sabbath

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Resenha - Headless Cross - Black Sabbath


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Um dos maiores clichês vindos de aspirantes a admiradores do heavy metal e do hard rock é que a banda britânica Black Sabbath só produziu bons discos na época em que contava com a formação original (Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward) ou até mesmo na Era Dio (com Ronnie James Dio no lugar de Ozzy). O que não é verdade. Em 1989, capitaneado pelo guitarrista Tony Iommi a banda conseguiu se renovar e lançar um dos melhores discos de sua carreira. Chamado “Headless Cross”, o trabalho buscou elementos do hard rock da época e modernizou a musicalidade do Sabbath. Elementos pouco vistos nos arranjos do grupo como o bumbo duplo da bateria e o teclado foram enfatizados. Em matéria de qualidade, o trabalho não fica atrás de nenhum disco da fase Dio e é superior a álbuns com Ozzy Osbourne, como “Never Say Die” e “Technical Ecstasy”.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Não foi fácil para a banda encontrar tal fórmula. O primeiro passo foi a reformulação do Black Sabbath. No final da década de 80, o grupo tinha se arrastado com constantes mudanças de formação, demonstrando um grande desgaste diante dos fãs. As experiências dos discos anteriores não agradaram o líder Tony Iommi, principalmente em “Seventh Star” (1986) com o cantor Glenn Hughes e o confuso “Eternal Idol” de 1987. O LP foi gravado com os vocais de Ray Gillen, que nem “esquentou a cadeira” e saiu do Sabbath. Na última hora ingressou na banda Tony Martin que regravou em uma semana todos os vocais do álbum.

Reformulação da banda

Apesar de lançar o sucesso “The Shinning”, o álbum não emplacou. A maioria dos membros que gravaram o disco deixou a banda pouco tempo depois, entre eles o baterista Eric Singer, que se uniu ao Kiss em um futuro próximo. “Depois de toda a fase ruim que passamos no ‘Eternal Idol’ procurei novo gerenciamento com Ernest Chapman. O que foi muito bom. Consegui resolver problemas do passado”, disse Tony Iommi a respeito do disco.

O líder do Black Sabbath afirma que a primeira tarefa foi buscar nomes consagrados do heavy metal para resgatar a credibilidade da banda. “Os músicos do disco ‘Seventh Star” não eram conhecidos. Eram garotos de Los Angeles. Agora são famosos, mas na época não eram”, justifica Iommi em um documentário.

Tony Martin
Geoff Nicholls e Tony Martin
A admissão de Cozy Powell

O principal músico escalado foi o renomado baterista Cozy Powell, que teve uma brilhante trajetória no Rainbow do então ex-guitarrista do Deep Purple, Ritchie Blackmore. “Quando o baterista original Bill Ward deixou o Sabbath, Tony já tinha me convidado, mas não aceitei por estar envolvido com o Rainbow. A decisão foi ruim. Um ano depois estava sem trabalho. Depois recebi outras ofertas e finalmente aceitei. Foi um feliz encontro. Pude ajudar algo que estava desmoronando. Foi bom fazer parte da lenda”, disse o baterista a um documentário. Infelizmente Powell faleceu em 1998 em um acidente. Ele ainda chegou a gravar o álbum “TYR” ao lado do Sabbath.

Além de Cozy Powell, o guitarrista Tony Iommi manteve o vocalista Tony Martin, que se sentiu mais a vontade no disco e teve o seu melhor desempenho diante da banda. Apesar de ser criticado pelos fãs mais fundamentalistas do Black Sabbath, Martin se encaixou perfeitamente para cantar as canções do álbum, que exibia um estilo hard rock oitentista, mas com o tom sombrio criado pelo Sabbath no fim da década de 60. Para o baixo foi escalado o desconhecido Laurence Cottle, que atendeu as expectativas de Iommi. Já no teclado, o Sabbath manteve o oculto Geoff Nicholls, que se destacou bastante. Em todas as canções é fácil perceber os arranjos de teclados, principalmente em “Devil and Daughter”, um dos principais sucessos do disco. Vale dizer que o “Headless Cross” é o disco com mais presença dos teclados de Nicholls.

As oito canções do clássico

Produzido e arranjado por Iommi e Powel, o “Headless Cross” traz oito clássicos da banda. A faixa inicial é “The Gates of Hell”, que serve como uma abertura para demonstrar o tom sombrio do trabalho. Em seguida, a banda apresenta a canção título com destaque à introdução de Cozy Powell na bateria. Na música, percebe-se que o baterista abusa do pedal duplo, imprimindo sua personalidade na banda. Já o guitarrista Tony Iommi não fica atrás. Ele demonstra porque se consagrou como o mestre dos riffs de heavy metal. Desde o início da década de 80, ele não tinha composto um riff tão marcante.

A próxima canção é a já comentada “Devil and Daughter”, que antecede a pesada e lenta “When Death Calls”, que volta a contar com uma bela introdução de Geoff Nicholls e a participação da lenda da guitarra Brian May (Queen). Ele ficou encarregado de executar o solo da canção.

A mistura de hard rock oitentista e elementos sombrios que demonstram a nova identidade da banda não param por aí. Em “Kill In The Spirit World”, Tony Martin exibe um vocal influenciado pelo estilo AOR, que teve êxito no fim da década de 70 e início de 80. Na canção, destaca-se ainda a base de teclado composta para os solos de Tony Iommi.

O estilo AOR fica ainda mais visível em “Call Of The Wild”, uma das melhores canções do álbum. A música demonstra que os fãs que criticam o vocalista Tony Martin não devem ter avaliado o trabalho com muita cautela.

Em seguida, vem “Black Moon”, que ironicamente compôs as sobras do disco anterior “Eternal Idol”. A canção poderia ter contribuído com a qualidade do trabalho que antecedeu “Headless Cross”.

E para finalizar a obra, a canção “Nightwing”, que apresenta um belo dedilhado e o agudo vocal de Tony Martin, mostrando porque foi escalado para cantar no LP.

Recuperação

Após o lançamento de “Headless Cross”, o Sabbath ainda fez belos álbuns, mas sem o mesmo brilho. O trabalho posterior (o álbum “TYR”) teve um sucesso comercial maior, mas não apresentou a mesma qualidade. Em “Dehumanizer” a banda contou com a grande colaboração de Ronnie James Dio, que cantou em clássicos como “TV Crimes”, “Computer God” e “Time Machine”. E já em meados da década de 90, Tony Martin retornou para o álbum “Cross Purposes” e o criticado “Forbidden”.

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Sobre André Molina

André Molina é jornalista, economista e começou a ouvir heavy metal ainda quando era criança. Tem 30 anos de idade e Rock 'n' Roll é sua religião.

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