Tony Iommi relembra produção e legado do álbum de estreia do Black Sabbath
Por André Garcia
Postado em 01 de outubro de 2025
O álbum de estreia do Black Sabbath, de 1970, desenhou ao longo de meio século uma das mais impressionantes trajetórias do rock pesado. Quando lançado, passou batido pelo público e foi detonado pela crítica. Foi só com o sucesso de seus álbuns seguintes que começou a receber atenção.
Ao longo dos anos 80, conforme bandas como Iron Maiden, Judas Priest e Metallica reverenciam aquele disco como a origem do heavy metal, ele foi ganhando ares cult. Com o passar das décadas, foi ganhando um status quase sagrado. Hoje, não há lista de álbuns mais influentes do rock que se preze que não o inclua.
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Em 2019, quando seu lançamento estava prestes a completar 50 anos, Tony Iommi em entrevista para a Metal Hammer comentou sua produção, repercussão e legado.
Influências e referências
"Queríamos que [o álbum] fosse mais pesado do que qualquer coisa que já tivesse sido ouvida antes. Naquela época, todos queriam que você tocasse o que estava na moda, mas não nos conformamos com isso. Estávamos criando algo diferente. Nos primeiros dias, havia uma rivalidade entre o Black Sabbath, o Led Zeppelin e o Deep Purple, mas não era uma rivalidade no mau sentido. Não éramos escrotos uns com os outros."
"Eu gostava do poder e da atmosfera dos filmes de terror, e isso teve um impacto na minha composição. Estávamos realmente interessados [em ocultismo], especialmente Geezer [Butler, baixista] e eu; muito interessados em como era do outro lado da vida. Experimentamos um tabuleiro Ouija, e ficamos botando medo um no outro. Acho que naquela época éramos abertos a muitas coisas. Éramos jovens, estávamos aprendendo e simplesmente querendo experimentar coisas."
Gravação
"Não sabíamos nada sobre gravação. Naquela época a gente só sabia tocar as músicas como fazíamos nos shows, então foi muito diferente para nós entrar em um estúdio com um produtor. E como tínhamos apenas alguns dias para fazer o álbum inteiro, foi difícil, porque tínhamos apenas uma chance para cada música. Ficamos tipo, 'P*ta que pariu!'"
Críticas
"Não foi nada agradável ler as críticas. Eu só pensava 'Meu Deus!' Não me importaria se um crítico dissesse 'Não faz meu estilo, mas a garotada curte', só que eles diziam que ninguém gostava de nós. Aquilo foi um meio desanimador. Foi uma surpresa para nós que o álbum [eventualmente] tenha se saído tão bem."
Legado
"Mas o mais importante é que acreditávamos no que fizemos, e assim foi a vida para nós, desde o início. Tivemos que superar muitos obstáculos, mas seguimos em frente. Esse é o único jeito de chegar lá. Não podemos desmoronar por causa do que os outros dizem, temos que acreditar no que fazemos. E nós certamente acreditávamos."
Tony Iommi relembra perrengues e restrições na gravação de "Black Sabbath"
Em entrevista de 1992 para Guitar World, Tony Iommi - já a muito o único membro fundador do Black Sabbath - comentou os principais discos da banda. Sobre o primeiro, ele relembrou:
"Dinheiro era algo muito escasso naquela época, então o álbum inteiro foi gravado em oito horas em uma mesa de som de oito canais no Regent Sound, em Londres. Estávamos tão felizes só de ter a chance de gravar um disco que toda a experiência parecia muito luxuosa. Um contrato de gravação naquela época era algo muito grande."
"A maioria dos meus solos naquele disco foi feita da mesma forma que faço agora: muito improvisada. Fiz o solo estendido em 'Warning' em apenas duas tomadas. A primeira ficou muito melhor do que a segunda, mas o nosso suposto produtor, que nunca tinha produzido um álbum na vida, decidiu colocar a segunda no disco sem nos consultar."
"Naquele álbum, usei minha Gibson SG (a mesma que usei nos próximos 10 anos) e um gabinete Laney ou Marshall. Nem tivemos tempo para trabalhar os timbres, apenas colocamos os microfones na frente dos gabinetes e começamos a tocar, como se fosse ao vivo."
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