Por que Sepultura deixou megahit por anos fora do show, segundo Andreas Kisser
Por Gustavo Maiato
Postado em 04 de outubro de 2025
Em recente entrevista ao canal do guitarrista Marcos Kaiser, Andreas Kisser revelou um dos bastidores mais curiosos da trajetória do Sepultura: a decisão de deixar o clássico "Troops of Doom", um dos primeiros grandes hinos da banda, de fora do repertório ao vivo por um longo período. Segundo o guitarrista, a escolha não foi planejada, mas acabou se tornando inevitável diante do peso de carregar uma mesma música por décadas seguidas.
Kisser comparou a situação à de grandes músicos clássicos e populares que, em algum momento da carreira, simplesmente não conseguem mais tocar as mesmas canções noite após noite. "Tem vários artistas assim… Vi o John Williams, aquele violonista fantástico, falando: 'Não quero tocar esse repertório hoje'. É isso, chega um ponto em que você não aguenta mais tocar aquilo. Um certo repertório vira maçante", explicou.

No caso do Sepultura, "Troops of Doom" acabou entrando nessa lista. "A gente também tem música que a gente não aguenta mais e tira do setlist. Troops of Doom, por exemplo, a gente tocou pra caramba. Eu não aguentava mais tocar essa música. Ficamos uns cinco anos sem tocar", revelou Kisser. A pausa, segundo ele, foi uma forma de manter a motivação e renovar o frescor do show.
Sepultura e "Troops of Doom"
O guitarrista reconheceu que essa decisão nem sempre é bem recebida pelo público, mas reforçou que não há como agradar a todos. "O público, cara, o público não sabe o que ele quer, mano. Como é que você vai unificar o público? Você tem lá 5 mil pessoas, 10 mil, 200 mil. Cada um vai interpretar de uma maneira. Não adianta generalizar e achar que 100% achou o setlist perfeito. Isso não existe", afirmou.
Para ilustrar, Kisser lembrou até de experiências como espectador. "Fui no Paul McCartney, o cara tocou três horas… e mesmo assim achei umas cinco que ele não tocou. Reclamei ainda: 'pô, ele não tocou aquela, hein'. Mas, mano, ele vai ficar no palco cinco, seis horas? Não dá, né?", brincou.
Segundo ele, a chave está em saber aproveitar o momento, mesmo que a faixa preferida de cada fã não esteja na lista daquela noite. "Você tem que aproveitar o que tá ali. É aquele efeito MacGyver: dentro do limite, você vai curtir, improvisar, dançar, pular. Porque é aquele o mundo que tá acontecendo. O que não rolou, não aconteceu", resumiu.
Esse olhar também ajuda a entender a maneira como o Sepultura lida com um repertório tão extenso. Com mais de três décadas de carreira e dezenas de músicas consagradas, é impossível incluir todos os sucessos em um único show. "Existe uma demanda do público, mas também existe a necessidade da banda em se manter viva, criativa e motivada. E às vezes isso significa abrir mão de um clássico por um tempo", disse.
Apesar da ausência de "Troops of Doom" por anos, a canção continua sendo parte fundamental da história do grupo e sempre acaba retornando em determinados momentos da carreira. Para Kisser, o segredo está em equilibrar respeito à trajetória e desejo de renovação: "A gente sempre volta, porque essa música faz parte da nossa identidade. Mas é preciso respirar para que, quando ela volta, tenha o impacto que merece".
Confira a matéria completa abaixo.
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