Resenha - The Who (PNC Bank Arts Center, New Jersey, 03/07/2000)

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Por Márcio Ribeiro
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Eles já entram no palco tratados como heróis. O que mais impressiona de cara, é a adoração que os divulgados 17.700 pessoas presentes no PNC Bank Arts Center, mostraram a esta banda inglesa, neste sábado, dia 01 de Julho. Abrindo com os clássicos "I Can't Explain", "Substitute" e "Anyway, Anyhow, Anywhere", Townshed e Daltrey logo mostraram que não estão ali para embromar. Rodopiando o seu microfone e tentando pega-la em seguida, Daltrey, cego pela iluminação, passa o show errando mais do que acerta, enquanto à sua esquerda, Townshed girando o braço 360º enquanto toca no seu estilo "boliche" tão peculiar, leva os fãs ao delírio. Vestido de calça e camisa jeans, Daltrey levou um pouco para entrar em sincronia com o resto da banda, entrando um pouco atrasado em alguns ataques e até errando parte da letra, o que leva Pete, ao seu lado, a lhe fazer algumas caretas no que Roger responde com um sorriso envergonhado. Mas esses pequenos deslizes só duram as primeiras canções e até deu um certo charme a esses veteranos imperfeitos.

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Na canção "Anyway, Anyhow, Anywhere", com um solo de guitarra cheio de feedbacks, como manda o figurino, as luzes vão para outro elemento que começa a fazer uma presença significativa. O baterista Zak Starkey, filho de Ringo Starr, se mostra um animal no seu instrumento. Com um penteado tipicamente mod, trajando uma camisa vermelho, combinando com sua bateria, Zak preenche todos os espaços sonoros. Ele se espalha pela bateria com peso e velocidade, além de um evidente bom gosto e, pela primeira vez, desde o falecimento de Moon, o lugar parece que tem alguém com o mesmo estilo. Longe de mim querer comparar alguém com Keith Moon, mas comparando com aqueles que tem sentado na sua banqueta, Zak é o primeiro a deixar uma sensação de real unidade com os demais membros da banda. Acompanhando nos teclados, a velha assistência do amigo John Bundrick, tocando com eles desde 1978.

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Daltrey de camisa e calça azul jeans, depois de certa altura do show, desabotoa totalmente a camisa, mostrando um cordão com pendente ao redor do pescoço. Entwistle de calça preta, botas, casaco e baixo vermelho, permanece estático no seu canto, faz tudo parecer tediosamente fácil. Cantou apenas uma das muitas músicas suas na banda, uma de suas melhores, "My Wife", enquanto metade da casa canta com ele. Seguem adiante com Baba O'Riley que causa uma explosão de alegria por parte do público, mas nada se compara com o que vem em seguida. Em um volume bem ameno, Pete inicia na sua guitarra o tema que incita alguns em expectativa e alucina todos quando entra finalmente no riff mais famoso dessa banda. E quando Entwistle entrega o seu ataque, o público está pronto a berrar com Daltrey, "Ever since I was a young boy, I play the silver ball (...)" Sim, Pinball Wizard. O coro de milhares de vozes até me fez lembrar Rock n' Rio 1 lotado, cantando "Love of My Life", muitos anos atrás. Emocionante? Com certeza!

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O que mais pude perceber, olhando friamente, é que a banda está unida. Demonstram ser realmente amigos e se sentem muito à vontade um com o outro. Onde quer que eles estejam tocando, a banda prima por sua unidade, soando firme, compacta e demonstrando uma segurança plena.

Anunciado pelo Townshed como uma raridade, apresentam "I Don't Even Know Myself" que nunca levaram para uma excursão antes. Em "The Seeker", ao final da canção, Daltrey tropeça em um de seus monitores e cai no chão. Ri de si mesmo, levanta e chuta, na brincadeira, o alto falante pro seu lugar. Pete, companheiro, "despluga" sua guitarra e com o plug, "chicoteia" o speaker como castigo. Conversam com o público, fazendo questão de afirmar a satisfação em ver o interesse e carinho de todos pela música e pela banda Who.

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Em "The Real Me", Roger acompanha tocando um violão Gibson e em 5:15, Pete mostra que ainda tem uma voz linda, enquanto sozinho canta "Why should I care, why should I care" (porque devo me preocupar) apesar de bem calvo pela idade. O programa tem uma breve interrupção enquanto Pete faz questão de filmar a multidão com sua câmara de video portátil. Em seguida explica que ele quer guardar essa imagem pois "aqui na frete até agora não houve nenhuma briga e estão todos de parabéns" numa clara referencia a tragédia ocorrido no dia anterior no festival de Roskilde em Copenhagen, Dinamarca, quando diversas pessoas morreram sufocadas e pisoteadas durante uma apresentação do Pearl Jam.

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"Who Are You" leva muitos a cantar juntos com a banda assim como "Behind Blue Eyes". Fecham a noite com "Won't Get Fooled Again" para um público bêbado de felicidade. Saiam aplaudidísimo com Townshed chamando atenção para as presenças de Zak Starkey e John Bbundrick.

Voltam em dois minutos abrindo com "The Kids Are Alright" em uma versão bem maior e nada simplista, à lá Beatles como no disco. "My Generation" fecha de vez a apresentação da noite. Depois Townshed, dirigindo-se ao público, vira-se para Entwistle e diz "Não me importa o que digam, vocês viram como ele toca, esse cara é o rei!"

Ao final de duas horas de música, enquanto assisto o público indo embora, não posso deixar de pensar nas famosas palavras de Pete Townshed alguns anos atrás dizendo, "Podemos estar velhos, mas não monótonos"! (We may be old, but not boring!). É a pura verdade.

Repertório da noite incluiu as músicas:

I Can't Explain/Substitute/Anyway, Anyhow, Anywhere/Relay/My Wife/Baba O'Riley/The Seeker/I Don't Even Know Myself/Getting in Tune/Pinball Wizard/The Real Me/Magic Bus/Behind Blue Eyes/Who Are You/5:15/Won't Get Fooled Again o bis inclui The Kids Are Alright e My Generation.

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Sobre Márcio Ribeiro

Nascido no ano do rato. Era o inicio dos anos sessenta e quem tirou jovens como ele do eixo samba e bossa nova foi Roberto Carlos. O nosso Elvis levou o rock nacional à televisão abrindo as portas para um estilo musical estrangeiro em um país ufanista, prepotente e que acabaria tomado por um golpe militar. Com oito anos, já era maluco por Monkees, Beatles, Archies e temas de desenhos animados em geral. Hoje evita açúcar no seu rock embora clássicos sempre sejam clássicos.

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