3 hits de rock que são ótimos mesmo sem solo de guitarra, segundo a American Songwriter
Por Gustavo Maiato
Postado em 07 de dezembro de 2025
Quando pensamos em rock clássico, uma expectativa quase automática surge: o solo de guitarra. Aquele momento em que o instrumento assume o protagonismo e, muitas vezes, torna-se a parte mais memorável da canção. Porém, como destacou o jornalista Jacob Uitti, da American Songwriter, algumas faixas consagradas do rock provaram ser gigantes sem recorrer a um único solo de guitarra. Em um artigo recente, ele selecionou três músicas que rompem esse padrão - e seguem absolutas.
Segundo Uitti, o mais curioso é que essas faixas soam tão completas que muitos ouvintes sequer percebem a ausência do solo. "Essas músicas são absolutamente matadoras mesmo sem apresentar um solo de guitarra", escreveu. A seguir, as três escolhidas.

1. "Baba O'Riley" - The Who (1971)
A abertura icônica de "Who's Next" é tão monumental que a maioria das pessoas jamais percebe que não há ali um solo de guitarra. O jornalista lembra que até o humorista Joe Pera "freaked out" ao descobrir isso e chegou a brincar dizendo que o final "não precisava daquele solo de violino". Sim: violino, não guitarra.
O solo final foi tocado por Dave Arbus, convidado da banda. Como reforça Uitti, "'Baba O'Riley' prova que você não precisa de um solo robusto de guitarra para criar um clássico absoluto do rock". Pete Townshend, mais uma vez, subverteu expectativas.
2. "Immigrant Song" - Led Zeppelin (1970)
Uma das músicas mais reconhecidas da história do rock, presente em "Led Zeppelin III", é frequentemente lembrada pela agressividade do riff e pela interpretação sobrenatural de Robert Plant. Mas, como destaca Uitti, "a guitarra é tão marcante que muitos acham que há um solo - mas não há".
Ele brinca dizendo que "você pode até se confundir achando que os gritos de Plant são o solo da música", mas a verdade é que o Zeppelin criou algo gigantesco sem recorrer a um único lead guitar. Para Uitti, é a combinação de "grandiosidade e contenção" que torna a faixa genial.
3. "Lithium" - Nirvana (1991)
No auge do grunge, os solos de guitarra foram praticamente abolidos - e não por acaso. A geração de Seattle queria se distanciar das bandas de hard rock dos anos 80, conhecidas pelos solos exagerados e pelo virtuosismo calculado. Nada mais natural que Nirvana abraçar essa ruptura em "Nevermind".
"'Lithium' é grande, ruidosa, poética e não inclui solo de guitarra algum", escreve Uitti. A canção se sustenta inteiramente na dinâmica explosiva criada por Kurt Cobain, Krist Novoselic e Dave Grohl. Para o jornalista, essa escolha estética é um dos pilares que mantiveram o grunge vivo e influente até hoje.
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