O curioso motivo de por que The Who quebrava instrumentos, segundo Peter Townshend
Por Gustavo Maiato
Postado em 12 de dezembro de 2025
Hoje, o The Who é celebrado como uma das bandas mais importantes da história do rock - pioneira em volume, atitude, destruição de instrumentos e narrativas ambiciosas que influenciaram gerações. Mas, segundo o próprio Pete Townshend, nada disso parecia provável no começo. Em conversa recente com a rádio Q1043 (via Ultimate Guitar) de Nova York, o guitarrista revelou que jamais imaginou uma carreira longa com o grupo e, justamente por isso, não se preocupava em quebrar guitarras noite após noite. Para ele, aquilo tudo estava com os dias contados.

"Eu pensava e tratava o The Who na época como se fôssemos uma banda punk", contou. "Achava que teríamos uma vida muito, muito curta. Quando comecei a quebrar guitarras e o Keith [Moon] começou a quebrar a bateria, pensei: 'Bem, não importa, porque só vamos durar alguns meses, e teremos deixado nossa marca - e eu posso voltar para a faculdade de artes e fazer o que realmente quero, que é arte.'"
Townshend explica que, naquela fase, via o The Who quase como um experimento performático, algo agressivo, catártico e temporário. Nada indicava que o quarteto se tornaria um dos pilares do rock pesado - influência reconhecida por nomes tão diversos quanto o Deep Purple. Mas essa visão mudou de maneira abrupta no dia em que ouviu, pela primeira vez, um de seus próprios sucessos tocando no rádio.
Ele descreve o momento com clareza quase cinematográfica: "Quando ouvi 'I Can't Explain' pela primeira vez no rádio, dirigindo a van amarela da minha mãe de volta para Acton, mudei de ideia. Pensei: 'Bem, vou fazer isso pelo tempo que conseguir'. Mas eu não tinha noção de como as coisas se desenrolariam. De verdade, eu não tinha nenhuma noção de como as coisas poderiam se desenrolar."
Se antes Townshend imaginava meses de banda, naquela hora percebeu que havia algo maior acontecendo - e que o The Who tinha destino muito diferente daquele fim rápido e barulhento que ele projetava para si.
Em outra entrevista, concedida no início deste ano, Townshend revelou um lado ainda mais pessoal de sua característica destruição de guitarras, sugerindo que a atitude tinha raízes emocionais: "Eu era um jovem nerd e esquisito com um nariz grande que queria ser artista ou jornalista, não tocar em uma banda de rock. Meu pai, um músico brilhante, não acreditava em mim e permitiu que minha avó me comprasse uma [droga de] guitarra velha que eu não conseguia tocar."
Segundo ele, parte da iconoclastia que viria a definir sua imagem estava ligada justamente a esse sentimento de rejeição e inadequação. "Parte das minhas peripécias quebrando guitarras provavelmente começou porque ela havia se tornado um símbolo da forma como meu pai não me considerava digno de um instrumento decente."
O que começou como frustração e descrença acabou moldando um dos gestos mais inesquecíveis da história do rock. E o que Pete acreditava ser apenas uma aventura de "alguns meses" virou uma carreira de décadas, discos clássicos, revoluções estéticas e uma das maiores bandas que o gênero já viu.
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