Neil Young, o camaleão
Por Cristiano Feix
Fonte: NEIL YOUNG BRASIL
Postado em 31 de maio de 2017
"Eu sempre quis gravar os discos que ninguém esperava. Eu não sou um cara do tipo 'mais do mesmo', eu gosto de apresentar novidades. Um álbum que me frustrou bastante foi o Harvest, que foi um sucesso comercial mas para mim não foi aquilo que eu realmente queria. Gosto de álbuns como On The Beach ou o Trans, onde eu criei a novidade".
Neil Young, Documentário "Dont be Denied"
Assistindo ao documentário domingo cedo em minha casa eu me deparei com este relato de Neil Young, o que me fez escrever algumas linhas de raciocínio.
Neil Young sempre foi um artista ambicioso em sua arte. Ele flutua pelo folk, namora com o country rock, é um dos pais do Rock n Roll, flertou com Jazz e R&B uma vez, apadrinhou o movimento grunge, mas majoritariamente se existe uma denominação para a arte de Neil Young, eu o definiria como um artista de Rock Progressivo.
O Rock progressivo nasceu na Inglaterra em meados dos anos 60 e tem características diferentes da que Neil Young apresentou em sua carreira, então por que raios definir este como um artista de Rock Progressivo? Pelo simples fato dessa declaração no início do texto... Neil sempre andou para frente, com a cautela de um leão faminto em busca de seu alimento, ele fez o que quis, quando quis, sem se importar com rótulos. Um de seus últimos discos foi um álbum ao vivo onde as músicas se misturam ao sons de animais, quer algo mais progressivo que isso? Neil já gravou com inúmeras bandas diferentes (Buffalo Springfield, CSN&Y, Crazy Horse, The Shocking Pinks, The Bluenotes, Pearl Jam, The Promise of the Real), já navegou em diversos mares desconhecidos sempre com autoridade e com a grande chance de manchar seu nome já consolidado desde a década de 60. Sempre se arriscou artisticamente, sempre progrediu em sua arte.
O fato é que este estilo de camaleão adotado por Neil Young o fez chegar aos 71 anos com a marca incrível de 64 discos lançados.... E dentro dessa discografia imensa podemos coletar discos de todos os tipos e este é um fato ainda mais notório dentro de uma carreira musical ímpar.
Progressivo ou não, Neil Young sempre fez o que quis com sua arte.
Talvez outros artistas também tenham tido a vontade de se arriscar um pouco por outros campos, e não o fizeram por "N" motivos (gravadoras, insegurança, etc), e este fato aumenta ainda mais a façanha de Neil Young em ser o artista que ele é.
De certa forma, essa autoridade sobre a arte e essa vontade incrível pelo novo fez a vida de Neil Young dentro e fora dos palcos.
Os ativismos, as empreitadas (Pono, lincVolt, Bridge School, Farm Aid), assim como a arte foram sempre inovadoras e inspiradoras.
Não resta dúvida em afirmar que Neil Young sempre foi um camaleão, adaptável, curioso e corajoso em tudo que fez em sua vida.
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