Os cinco maiores guitarristas de todos os tempos para Neil Young
Por Bruce William
Postado em 25 de novembro de 2025
Quando perguntam a Neil Young sobre virtuosismo, ele costuma cortar o assunto pela raiz: "Ninguém liga se você sabe tocar escalas. Ninguém está nem aí se você tem boa técnica ou não. O que conta é se você tem sentimentos que quer expressar com a música". É a partir dessa régua que ele escolhe seus guitarristas favoritos: menos malabarismo, mais verdade no som.
Ao longo de entrevistas e da autobiografia Shakey, compiladas pela Far Out, Young foi deixando escapar quem são, para ele, os nomes que levaram a guitarra mais longe. A lista mistura blues laid-back, explosão psicodélica, folk escocês, rock de arena e companheirismo de estrada: J.J. Cale, Jimi Hendrix, Bert Jansch, Nils Lofgren e Jimmy Page. Cada um ocupa um lugar específico na cabeça - e no ouvido - de Neil.

No caso de J.J. Cale, a admiração beira a devoção. Young comenta: "O que há no jeito de tocar do J.J. Cale? Quero dizer, você pode dizer que o Eric Clapton é o deus da guitarra, mas... ele não toca como o J.J. J.J. foi o cara que tocou todas aquelas coisas primeiro. E ele nem toca muito alto - eu gosto muito disso nele. Ele é tão sensível". Em "Shakey", Neil chega a dizer que Cale é um dos dois "melhores guitarristas elétricos" da história e emenda: "Musicalmente, ele é mais do que meu par, porque ele tem aquela coisa. Não sei o que é".
O outro "melhor guitarrista elétrico" para Neil é justamente o nome que quase todo mundo espera: Jimi Hendrix. Para ele, Hendrix foi o que mais conseguiu se expressar pela guitarra: "Hendrix foi o melhor em conseguir fazer a própria expressão com a guitarra. Eu diria que, nos anos 60, em termos de alguém levar a guitarra para outro lugar, Hendrix foi o número um". Young completa: "Nenhum outro guitarrista chegou perto do Hendrix na forma como ele segurava o rock and roll em um trio, guitarra, baixo e bateria". Ele vê a Jimi Hendrix Experience como um organismo único, em que os três faziam o som acontecer juntos.
Quando o assunto é violão, Neil muda de referência, mas não de intensidade. O nome que ele coloca no topo é o do escocês Bert Jansch: "Bert Jansch é o melhor guitarrista acústico; é o meu preferido, de qualquer forma". E faz uma comparação direta: "Por maior guitarrista que o Jimi tenha sido, o Bert Jansch é a mesma coisa para o acústico". Young já admitiu que acabou "usurpando" melodias de Jansch sem perceber e não esconde a hierarquia pessoal: "Ele é um herói meu e uma das minhas maiores influências. Nunca vou tocar guitarra tão bem quanto ele".
Dentro da própria história, Neil também guarda um lugar especial para Nils Lofgren, parceiro em diferentes formações com o Crazy Horse. O elogio passa menos pela técnica isolada e mais pelo jeito de se comportar em banda: "Ele faz parte da banda", resume. "É habilidoso, toca de forma linda, tem um ótimo toque, mas é aberto. O mais importante é que ele está ouvindo tudo". Para Young, Lofgren "simplesmente se encaixa" e, ao mesmo tempo, traz um "estilo de rock and roll quente", sempre a serviço do conjunto.
Já Jimmy Page aparece na lista como o guitarrista que faz Neil relativizar a própria habilidade elétrica. Em "Shakey", ele solta: "Sou um quebra-galho comparado a ele. Ele realmente sabe tocar". A experiência de dividir o ambiente com o Led Zeppelin virou até verso em "Downtown": "Jimi's playin' in the back room, Led Zeppelin on stage, there's a mirror ball twirlin', and a note from Page, like a water-washed diamond". O "som grande" de Page influenciou diretamente Young, que passou a pedir para Nils Lofgren tocar mais alto e buscar um impacto semelhante, ainda que do jeito torto e ruidoso que sempre foi a marca dele.
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