Rock Nacional: vida longa ao novo Rock
Por Fernando Moraes
Postado em 31 de março de 2017
O Rock Nacional é um patrimônio da cultura brasileira e deve ser reverenciado. Desde que bandas como Made in Brazil, Mutantes, Raul Seixas e outros artistas começaram a inundar o mundo da música, com acordes distorcidos e ritmos que incorporaram muito da essência brasileira, tudo mudou.
Olha que houve até um movimento de artistas brasileiros que fizeram passeata para que não se usassem instrumentos elétricos na música no fim dos anos 60 (Sim, isso rolou!!).
Mas não teve jeito, a música brasileira estava contaminada por um estilo que nasceu no underground e que viria um dos seus primeiros ícones, Chuck Berry, morrer endeusado aos noventa anos recentemente.
Aí vieram os anos 80 e o Rock Nacional tomou outro corpo e recebeu influências do Punk Rock e também da New Wave que fervia naquele momento. Bandas como Titãs, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana e Barão Vermelho, que foi aclamado pela mesma multidão que saudou o Queen no primeiro Rock in Rio, conquistaram o público brasileiro.
Destaco aqui uma grande banda underground, inspiração para mim dentro da Rota Ventura e outras bandas pelas quais passei, um dos meus grupos preferidos, o Golpe de Estado, a primeira banda independente de que virei fã.
Na década de 90, enquanto a onda sertaneja tomava conta das rádios e disputava espaço com axé e o pagode, o rock viu nascer bandas que deram novo gás para o estilo, atraindo novos públicos que não aguentavam aquele rumo que a música pop nacional tomava. Ali surgiram bandas como Raimundos, que representaram os brazucas em grandes eventos como o Philips Monster of Rock.
Neste post falamos do Rock Nacional cantado em português, mas não podemos esquecer de gigantes do Rock, que se tornaram ícones mundiais em seus estilos, como o Sepultura, Angra, além de outras bandas muito foda como Dorsal Atlântica e Dr. Sin, monstro sagrado do Hard Rock nacional.
Pois bem, vieram os anos 2000 e 2010 e o Rock deu uma sumida. Ele voltou para o underground, local que é seu por direito.
Muita gente, sobretudo os mais puritanos, acredita que o Rock Nacional morreu. Mas aí é que eles se enganam, pois nunca se produziu tanto som quanto nos dias de hoje (com qualidade técnica até mesmo muito superior aos dos anos 80, em muitos casos.
Ele anda meio distante das ondas das FMs. Mas, na era do Spotify, o quanto isso importa? Tem banda por aí com muito mais audiência em seus canais próprios do que bandas que outrora fizeram sucesso nas rádios FM e hoje tentam um lampejo do que fora antes seu sucesso.
Muitos questionam a qualidade dos artistas e bandas. Tudo bem, eles têm seu direito. Mas isso não significa que tudo o que tocava nas rádios anos atrás tinha qualidade. Procuro algumas bandas dos anos 80 e não consigo encontrar explicações para entender como fizeram sucesso com coisas tão toscas. Mas cada geração tem suas preferências e por isso não dá pra julgar.
O fato é que há muitas bandas boas com sons de qualidade hoje, várias cenas no Brasil inteiro, muita coisa surgindo e essa pluralidade é muito boa. Muitos artistas se jogam com um trabalho profissional, apostando na vitrine da internet e das redes sociais, constroem e cativam seu público e se tornam referência para outras bandas.
Basta buscar na internet as centenas de eventos de rock nacional autoral que acontecem a cada fim de semana.
Precisamos entender que estes artistas buscam sucesso, não fama. Não querem ser celebridades vazias que têm seus 15 minutos de estrelato e depois caem no esquecimento. Não, eles querem apenas seu espaço, falar com as pessoas que representam seus ideais e passar a mensagem libertária que o mainstream há muito deixou de passar.
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