Headbangers: Por que os conservadores são tão ignorantes?

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Por Rafael Testa
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O headbanger já é naturalmente chato. O headbanger super conservador então é quase insuportável. O seguidor ferrenho do metal old school sente prazer em desmerecer qualquer banda que venha a se destacar no mainstream. Isso só cria um mal-estar desnecessário dentro da cena, inclusive entre os fãs de metal.

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Vamos discutir alguns "argumentos" usados por eles.

1- "As bandas copiam as antigas. Não são originais."

Influência é uma coisa, cópia é outra coisa.

Vamos pegar somente da década de 90 para cá. Tivemos o surgimento do grunge, liderado principalmente por Nirvana e Pearl Jam, que tem uma pegada mais alternativa, mais simples, sem teatro. No final da década de 90, tivemos a explosão do new metal com Korn, Limp Bizkit, Deftones e Slipknot, seguidos de System of a Down e Linkin Park. A mistura de música eletrônica, presença de DJs e hip hop com riffs característicos do thrash, do hardcore e até do grunge é uma característica marcante do gênero. Nos anos 2000, veio o metalcore, com o Avenged Sevenfold, o Killswitch Engage, o Shadows Fall e o All That Remains. O gutural contrastando com o vocal melódico nos refrões, presença de pedal duplo bem veloz e guitarras com bastante distorção definem o estilo. E os anos 2010? Já temos dois gêneros decolando na cena. O Djent, vertente do death metal que tem o Meshuggah como precursora, e o controverso kawaii metal da banda Babymetal, que já inspira grupos na Ásia.

Qual a semelhança entre todos esses gêneros? NENHUMA! São completamente diferentes. Aliás, têm uma semelhança sim: são metal. A questão principal aqui é: você, headbanger conservador, está pronto para as inovações?

2- "As bandas compensam a falta de qualidade musical com o visual".

Primeiramente, o visual faz parte da personalidade da banda e é essencial nas apresentações ao vivo, sem falar que muitas vezes é um elemento da arte do artista. O Ghost e sua proposta de "missa macabra", na sua ironia ao cristianismo, seria a mesma coisa sem o Papa Emeritus e seus Nameless Ghosts? O "visual play boy" das bandas de metalcore é a imagem da atual geração de bangers. Ou alguém acha que garotos de 20 anos vão se vestir como Rob Halford e usar spikes da cabeça aos pés?

E, por fim, visual sempre foi importante no mundo do metal e é adaptado de acordo com cada época e gênero.

3- "Não se foca mais na música, só no espetáculo"

A questão da música ser boa ou ruim nunca será unanimidade. Música boa ou música ruim não se define, é questão de opinião. Eu, particularmente, sou fã de muitas bandas atuais, também como de bandas antigas. Mas uma característica das bandas mais recentes, principalmente as bandas de new metal, é investir nas apresentações. Pirotecnia, shows de fogos e luzes, muita interação com o público, tudo com objetivo de fazer os shows serem o mais marcante possível. São as apresentações teatrais. Outra coisa que não é nova. Alice Cooper, Kiss, Ozzy e o morcego, o wall of death do Exodus, a bandeira britânica em The Trooper (sem falar nas inúmeras aparições de Eddie nos shows do Iron Maiden), os stage dives de Eddie Vedder nas apresentações do Pearl Jam...

4- "Nunca existirá um outro Led Zepellin, Black Sabbath, Pink Floyd..."

Que bom! Que ótimo, na verdade. São ícones, são monstros sagrados da música, são influência pra muita gente e sempre serão porque são precursores, são geniais... E fico satisfeito também porque toda banda tem sua identidade, toda banda tem sua forma de se expressar, tanto nas letras quanto na composição instrumental. Não precisa existir um novo Sabbath, é preciso que o legado do Sabbath seja continuado e repassado para as futuras gerações. E que surjam "outros Sabbaths", levando o metal junto consigo. Se já deu uma chance e não gostou dos gêneros criados recentemente e prefere o som dos clássicos, existem diversas bandas surgindo com a sonoridade setentista. Inclusive é uma tendência, uma "moda" na Europa. É só procurar. Largar o que a mídia te traz e pesquisar.

5- "Hur dur... lixo. Hur dur... bosta. Hur dur... merda."

Aqui mesmo no Whiplash.net temos vários "leitores hur dur". Aquele que em TODA matéria de banda que não gosta faz questão de ir nos comentários para postar algo totalmente desnecessário do tipo "lixo". Ninguém é obrigado a gostar de nada. Críticas são sempre bem vindas, desde que construtivas, coisa que 95% destas não é. E isso só acontece em matérias de bandas grandes, que tem destaque no cenário atual. Você percebe claramente que, muitos desses, mal ouviram a banda, mal conhecem a banda, quando assim que uma discussão inteligente se inicia, eles somem imediatamente ou então repetem o "lixo". Não só no site, mas em festivais isso acontece demais através das vaias.

É uma onda de "disse me disse". Hoje, chamar o Avenged, o Slipknot ou qualquer banda nova que venha a ser gigante de "merda modinha" é praticamente lei. Agora, tenta falar qualquer coisa das bandas clássicas para você ver o que acontece. O mínimo que te chamam é de "poser". Eu posso achar o Avenged melhor que o Black Sabbath? CLARO QUE SIM! Volta o que falamos lá atrás: não existe bom e ruim na música (Latino, Mr. Catra e Falcão têm milhões de fãs), existe opinião pessoal.

O old school, quando vê o Joey Jordison sendo comparado ao John Bonham (já vi várias listas na imprensa em que Jordison está na frente), solta a franga de uma maneira inacreditável. Em que livro sagrado está escrito que um é melhor que o outro? Tudo se trata de opinião e opinião não se julga, se respeita. Parece que a insegurança do conservador é tão grande de que talvez "a banda atual seja maior e relevante tão quanto ou até mais que a clássica" que ele tenta afetar a imagem da banda nova de todas as formas possíveis. As clássicas já têm seu legado, ninguém vai destruí-lo. Então sossega a periquita e deixa a galera nova mostrar seu trabalho. Vai a um festival e não curte a banda? Vai dar uma volta, tomar uma cerveja e descansar. Deixa quem curte a banda aproveitar. Ou você gostaria que o seu chefe ficasse durante todo o expediente falando besteira na sua cabeça? Tudo se resume a respeito e EDUCAÇAO.

Tanto se fala em morte do rock depois da declaração de Gene Simmons, mas os únicos que estão fazendo de tudo para isso acontecer são os próprios bangers. Não é preciso gostar, mas não julgue quem apoia e influencia a atual e as futuras gerações do metal.



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Sobre Rafael Testa

Nascido em Juiz de Fora, Minas Gerais, tem 23 anos, é estudante de sistemas de informação e torcedor fanático do Vasco da Gama e do Tupi Football Club. Se interessou por rock/metal depois do grande tio Roney mostrar-lhe o Iron Maiden. Tem o gosto musical muito variado, curte do thrash metal do Slayer ao metalcore do All That Remains. Acredita que existem bandas boas atualmente e faz questão de apresentá-las.

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