Ingressos: preços para shows tendem ao infinito
Por Ross Mangerona
Fonte: Tribuna do Norte
Postado em 18 de janeiro de 2012
Ao comprar ingressos para os imperdíveis shows do ROGER WATERS e para o M.O.A. os fans se deparam com valores exorbitantes. Claro que vamos ao show, e será um dos melhores momentos de nossas vidas, mas será que sempre foi tão caro ver de perto nossos heróis?
Segundo reportagem do Tribuna do Norte publicada no segundo semestre de 2011, com o real forte diante do dólar (oscilando em torno de R$ 1,60; entre março de 2010 e março de 2011, o real teve uma valorização de 11%), o preço do ingresso de show no Brasil acaba se equiparando ou superando os internacionais. Estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), feito a pedido da Agência Estado, mostrou que os preços de serviços não prioritários no orçamento familiar, como espetáculos, já supera a inflação média em 12 meses. Shows de música ficaram 7,24% acima da inflação.
O resultado é visível nas bilheterias: Limp Bizkit entre R$ 140 e R$ 300. Cirque du Soleil entre R$ 140 e R$ 395. Eric Clapton entre R$ 140 e R$ 650. Com alguns custos adicionais, como taxas de conveniência, transportes (táxis) e serviços (estacionar em torno do Estádio do Morumbi, durante megashows, chega a custar R$ 150, e no Credicard Hall até R$ 30), essas cifras sobem consideravelmente.
William Crunfli, empresário do setor, vice-presidente para a América Latina da XYZ Live (megapool de entretenimento que reúne as empresas Mondo Entretenimento, Maior, ReUnion Sports & Marketing; e parcerias com Paulo Borges, da Luminosidade, que realiza a SP Fashion Week, em moda; e Monique Gardenberg, Dueto Produções, em cultura), enumera os motivos do boom: "O Brasil está bem, o poder aquisitivo aumentou, consequentemente o mercado está receptivo. O dólar baixo aumenta nosso poder de compra comparado aos outros países, e o mercado internacional está em crise; com isso os artistas estão mais disponíveis. Os artistas estão fazendo mais shows, pois é uma fonte de renda importante, e a venda de discos está cada vez menor. E o Brasil já é rota dos grandes shows".
Os empresários colocam como vilão do preço alto dos ingressos o fato(na verdade não é fato) de que o Brasil é o único país no mundo que tem 50% de desconto para estudante(informação que não confere) que, em alguns shows, é incorporado ao valor do ingresso (caso do show de Avril Lavigne, dias 27 e 28, no Credicard Hall, cuja meia-entrada de cara já custou R$ 175).
O Custo Brasil também é um fator crucial, argumenta o mercado. O País mais caro para carga e logística, segundo William Crunfli. "Os valores de locação, impostos, custo de produção também estão altos; ou seja, tudo isso vai para o ingresso", explica. Como exemplo, está o preço da locação de palco - US$ 30 mil nos Estados Unidos, e R$ 200 mil no Brasil, e a luz de palco, que custa US$ 30 mil nos Estados Unidos e entre R$ 180 mil a R$ 250 mil no Brasil.
Recentemente, show de Ozzy Osbourne, realizado pela empresa T4F (que controla 80% do mercado de megashows) pagou R$ 91 mil de Imposto Sobre Serviços (ISS) ante uma renda bruta declarada de R$ 6 milhões). A empresa questiona cobranças da Prefeitura de São Paulo na Justiça, mas não quis comentar as ações, nem o problema dos preços no mercado de shows - a Assessoria de Imprensa informou que a diretoria artística prefere manter em sigilo os custos, "até por questão de confidencialidade de contrato na negociação dos artistas".
"O público que chega para assistir a um show internacional não tem ideia do trabalho e dos custos que estão por trás", diz Edgard Radesca, do Bourbon Street Music Club, que realiza diversos eventos (como o Bourbon Street Jazz Fest, de 29 de julho a 7 de agosto). Segundo Radesca, sobre o cachê que paga ao artista internacional incidem os seguintes tributos: 33% de Imposto de Renda, 10% de taxa da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB), 3% de Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos. Fora isso, há os custos com o visto de trabalho (US$ 210 por músico, mais US$ 100 por música para os despachantes internacionais). Sobre a bilheteria, incidem de 5% a 10% de direito autoral para o Ecad, mais 5% de ISS, e mais PIS, Cofins e Imposto de Renda sobre o lucro presumido.
Sem considerar também o preço do aluguel do espaço - o Anhembi, por exemplo, pode sair por R$ 45 mil por dia, mas como leva um dia para montagem e outro para desmontagem do palco, pode sair por quase R$ 150 mil. Hoje em dia, caso o show seja em um parque, também há a Taxa de Emissão de Carbono. Em São Paulo, também se paga à CET para organizar o trânsito, entre outros custos.
Reportagem do O Globo fez uma comparação no preço de shows da última década e constatou uma supervalorização assustadora: Em menos de dez anos, a diferença de preços entre dois festivais de grande porte - o Rock in Rio, de 2001, e o SWU, que aconteceu em outubro - subiu 1.729%.
Segundo dados do IBGE, a inflação acumulada de janeiro de 2001 até junho de 2010 é de 84,78%. O dólar hoje está, inclusive, mais barato do que naquela época: em janeiro de 2001, variou entre R$ 1,93 e R$ 1,97. Atualmente está R$ 1,77.
O primeiro SWU reuniu em outubro, numa fazenda em Itu (SP), bandas como Rage Against the Machine, Pixies, Linkin Park e Kings of Leon. Os ingressos para cada dia custam entre R$ 240 (pista comum) e R$ 640 (pista premium). Para efeito de comparação, um dia do Rock in Rio, que aconteceu em 2001, custava R$ 35 e hoje, reajustado aos valores da inflação, valeria R$ 64,67. Em Chicago, o Lollapalooza, que teve shows de artistas como Lady Gaga, Strokes e Arcade Fire, custou US$ 90 por dia, algo como R$ 159,30.
Outro show inflacionado é o do Rush. A banda se apresentou no Maracanã, em 2002, custando entre R$ 60 e R$ 80. Em 2010, o grupo volta ao Brasil com ingressos entre R$ 220 e R$ 500. Procurada pelo GLOBO para esclarecer os custos de produção da apresentação e justificar o aumento do preço máximo em 525% entre um show e outro, a Time For Fun, responsável pela vinda da banda, não quis se pronunciar.
Em entrevista à Folha de SP publicada inclusive no Whiplash.net, BON JOVI se desculpou quando ficou sabendo do valor que seus fãs estão tendo que desembolsar para assistir aos shows da banda no Brasil: "Sério? Uau! É um ingresso caro, mesmo em dólares. Sinto muito por ouvir isso", disse o cantor ao ser informado que os preços chegavam a R$600.
Para efeito de comparação:
Rush (2002) - Maracanã - Entre R$ 60 e R$ 80 / Rush (2010) - Apoteose - Entre R$ 220 e R$ 500
Rock in Rio (2001) - R$ 35 / Pixies + 12 bandas (2004) - R$ 80 / Planeta Terra - 2010 - R$ 160 / SWU - 2010 - R$ 640
A-ha (2002) - Credicard hall (SP) - R$ 20 a R$ 120 / A-ha (2009) - Citibank Hall (RJ) - R$ 70 a R$ 400
Live n' Louder 12/10/05 pista R$100,00
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