A falta de legendas nos DVDs brasileiros

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Por Ricardo Seelig
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Eu moro no Brasil. Eu falo português. É, aquele língua do “Ivo-viu-a-uva” que ensinam no colégio. Tenho TV a cabo em casa, e quanto assisto qualquer programa, aparecem legendas para eu entender o que os caras estão falando. Quando vou na locadora e pego um filme é a mesma coisa: é só selecionar a legenda e apertar o play. Mas, quando chegamos na música , parece que moramos na Inglaterra e nos EUA…

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Os DVDs musicais evoluíram muito nos últimos tempos. Na primeira leva dessa mídia, geralmente os títulos eram compostos por apenas um disco, que trazia, na maioria das vezes, apenas um show musical. Mas, com o passar do tempo, o público ficou mais exigente, as gravadoras perceberam o imenso filão de mercado que se abria, e esses dois fatores levaram à produção de itens cada vez mais sofisticados e complexos.

Hoje, praticamente a maioria dos DVDs musicais lançados contém dois discos. O primeiro traz o show, e o segundo os já obrigatórios extras, como documentários, cenas de backstages, entrevistas com músicos e fãs, enfim, uma quantidade enorme de material interessante, mas que nós, brasileiros que falamos português, na grande maioria das vezes somos privados de entender. Porque? Somos burros? Não, não somos. As gravadoras é que são, já que pensam que, aqui no Brasil, as pessoas falam inglês, e, por causa disso, não legendam todos esses extras.

Isso é ridículo. Isso é patético. Isso é vergonhoso. Isso é uma falta de respeito. Você pode não saber, não se dar conta, mas formamos um grupo muito grande de consumidores. O mercado de DVDs cresceu enormemente nos últimos anos, em um ritmo muito maior do que o de CDs. Os preços, mesmo ainda discutíveis em alguns casos, caíram bastante, e hoje é possível comprar itens interessantíssimos e excelentes por um preço muito atraente. Ou seja, tudo evoluiu, a não ser as legendas…

Eu não sei o que se passa dentro das gravadoras. Nunca fui em nenhuma delas, nunca passei de suas portas, mas, cada vez mais, penso que elas vivem em cavernas, em um mundo muito, muito, muito distante de seu público. Sim, eu prefiro me agarrar à metáforas para explicar isso, porque só mesmo neandertais deslocados no tempo seriam capazes de lançar materiais em um país que fala português sem legendar estes itens. Você tem uma explicação melhor? Alguém, alguém???

Nós moramos no Brasil. Nós falamos português. Nós compramos DVDs. Chega dessa falta de respeito! Nós queremos o pacote completo. De que adianta comprar discos duplos, triplos, quádruplos, se só conseguimos aproveitar um deles, o que tem o show! Se é para ser assim comecem a lançar apenas DVDs simples, comecem a vendê-los por dez reais nas bancas, porque não existe sentido em comprar um box cheios de extras, onde estes extras vêm em uma língua que não entendemos.

Dois exemplos recentes exemplificam muito esse paradoxo. O DVD “Remember That Night – Live At The Royal Albert Hall”, do David Gilmour, foi lançado no Brasil em uma embalagem belíssima em digipack, com slipcase, em um acabamento gráfico excelente. O pacote, é claro, vem com dois discos, o primeiro com o show e o segundo cheio de extras, incluindo um ótimo documentário. O material, pasmem, veio com legendas em português (é, essa língua mesmo que nós falamos aqui no Brasil), o que faz com que nós, rockeiros, amantes da música, consumidores, possamos nos deliciar com um dos melhores lançamentos que o formato já nos presenteou.

Porém, no lado oposto, temos exemplos como “One Cold Winter´s Night”, do Kamelot. A apresentação que esse título da banda americana, lançado no Brasil pela Hellion, traz, é um dos melhores itens disponíveis no mercado para quem curte Heavy Metal. Ele é duplo, claro, mas o segundo disco não traz NENHUMA legenda, NENHUMA mísera letra para que posssamos entender todo o extenso material colocado ali pela banda. E isso, infelizmente, ocorre com aproximadamente 90% dos títulos lançados aqui.

Hellion Records, Rock Brigade Records, Century Media, Nuclear Blast, EMI, Universal, Sony, Warner, todas as gravadoras, acordem. Deixem de brincadeira, tratem seus consumidores com respeito. Queremos entender o que os nossos ídolos falam. Queremos DVDs com legendas na língua que nós, brasileiros que falam português, falamos. Parem de ser hipócritas, deixem de ser surdas. Legendar um DVD é um processo simples, fácil e barato. O que falta é apenas vontade e respeito com os consumidores.

Mas respeito, no mercado brasileiro de música, é, sempre foi e, provavelmente, continuará sendo, um produto em falta…

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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