Andreas Kisser explica por que nunca rolará reunião do Sepultura
Por Bruce William
Fonte: Blabbermouth
Postado em 20 de maio de 2015
Em entrevista a Jon Rexius da Capital Chaos TV, realizada em 12 de maio de 2015 no Ace Of Spades em Sacramento, California, Andreas Kisser explicou detalhadamente por que nunca vai rolar uma reunião com Max e Igor Cavalera, confira abaixo.
"Temos uma ponte. Temos uma porta de comunicação, mas é muito raro (nos comunicarmos uns com os outros). Estamos fazendo coisas tão diferentes comparadas ao que fazíamos... Max está em outra, projetos diferentes, e tocando novamente com Igor, o que é muito legal. Nós (Sepultura) estamos fazendo o que fazemos, seguindo em um caminho diferente".
"Há alguns anos nós tocamos (Sepultura e Soulfly) no mesmo festival na Europa, e tivemos a chance de nos ver e trocar ideia e emails e coisas assim e foi legal, sabe? Mas isto não quer dizer que vamos trabalhar juntos. O que fizemos está feito, e tenho muito respeito por isto. A história do Sepultura é maravilhosa. Estamos na estrada há trinta anos, uma banda que veio do Brasil, e tocamos em 73 países, o que é uma marca incrível. Independente de formação ou gravadora, como eu já disse, ainda estamos aqui curtindo, o que é o mais importante de tudo".
"Respeito nosso passado, mas não estou preso a ele; vivo intensamente o presente, muito intensamente... porém temos um futuro pela frente, e a ideia não é apenas replicar, reproduzir ou copiar coisas que não são mais como eram".
"Tenho grandes lembranças de trabalhar com Max e Igor, e fizemos algo realmente especial, mas eles escolheram partir há muito tempo - Max em 1996, Igor dez anos mais tarde, em 2006 - e acredito que eles estejam contentes com suas escolhas, e tivemos que lidar com as boas e as más conseqüências das decisões deles. Max, quando saiu, levou o empresariamento, toda a estrutura que o Sepultura tinha levado dez anos para construir - os laços de confiança e amizade com gravadora e agentes e a imprensa. E isto fez com que fôssemos apontados como os caras maus da coisa, e Max levou vantagem se fazendo de vítima e coisa e tal. Mas passamos por cima disto. Foi algo que nos fortaleceu, pois aprendemos muito sobre o mercado e gestão, e como tomar conta de nossas próprias coisas. E estamos numa situação muito melhor agora, sem sombra de dúvida. Ao mesmo tempo em que estávamos tocando em grandes arenas e vendendo bastante discos (no final da era Max), nossa situação nos bastidores era patética; éramos como crianças brigando por pirulito no jardim de infância. Era absurdamente estúpido. Mas, como eu disse, estamos bem melhor hoje, que podemos nos divertir e subir ao palco e olhar um na cara do outro com respeito. Não estamos nesta somente por dinheiro".
"As pessoas que esperam uma reunião, seja como for, tem esta concepção do Sepultura toca por dinheiro, mas não vai rolar. Não farei parte de algo que enganará nossos fãs e enganará a nós mesmos. Não deixo minha casa, minha família e meus filhos para ser um palhaço no palco. Prefiro ser o que sou, e se você gostar de mim, beleza. Se não gostar, está bom também. Digo, você é livre para fazer o que quiser, não forçamos ninguém a gostar ou detestar a gente.
"Mas acho que assim é a arte em geral. Lidamos com estes sentimentos toda nossa carreira, independente da formação. Acho que o Sepultura segue adiante graças aos desafios, e ainda temos muitos. Acabamos de chegar do Rock In Rio USA onde tocamos com Steve Vai. Foi um desafio fantástico que nos fez crescer muito, como pessoas, como músicos e como banda. É maravilhoso ainda ter estas oportunidades após trinta anos e que ainda estejamos fazendo algo novo ao invés de nos acomodarmos e reproduzir o que fizemos antes apenas para agradar algumas pessoas que acham que conhecem o Sepultura mais que nós mesmos".
Veja a conversa na íntegra no vídeo abaixo (em inglês)
A esperada reunião do Sepultura com Max e Igor Cavalera
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