Seria do Black Sabbath a música "tapa-buraco" mais bem sucedida da história?
Por Bruce William
Postado em 17 de março de 2026
"Paranoid" virou uma dessas músicas que todo mundo acha que nasceu "destinada" a ser single, mas a história é outra. Na verdade, ela entrou no disco como solução rápida: o Black Sabbath precisava completar o tempo mínimo para o álbum ficar pronto e "valer" como álbum, e a banda estava curta de minutos.
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Quem lembra desse detalhe é o próprio Geezer Butler. Ele diz que "Paranoid" foi a última coisa feita no estúdio e que faltavam três minutos para o material atingir o tempo necessário. "A última coisa que fizemos no estúdio foi 'Paranoid' - faltavam três minutos pra isso virar um álbum."
Tony Iommi também descreve a decisão como algo prático: o produtor pediu uma faixa curta, e justamente por isso a escolha foi por algo mais rápido. Se fosse lenta, o tempo "encheria" antes mesmo de chegar no vocal. "O produtor disse que a gente precisava criar uma música curta. Estávamos faltando só alguns minutos, então precisava ser mais acelerada. Se eu tivesse feito uma lenta, a gente teria preenchido o tempo antes de chegar no vocal! Eu só tinha o riff, e aí a gente tocou em cima."
Depois disso, segundo ele, a coisa foi no modo corrida. Ozzy improvisou alguma coisa antes de ter letra, e ele e Geezer fecharam o texto. Iommi descreve "Paranoid" como uma das coisas mais simples que eles já tinham feito: "A gente já tinha a música. O Ozzy resmungou alguma coisa antes de ter a letra, e depois ele e o Geezer trabalharam nisso. É uma das músicas mais simples que a gente já fez. Encaixou muito rápido. (…) Tinha que ser rápido: tempo era dinheiro. Foi como fazer um show: a gente tocou e pronto."
O resultado, como bem coloca a Far Out, é que a "faixa de emergência" virou a cara da banda para muita gente. E talvez justamente por ter saído assim, sem enfeite e sem excesso de produção, ela manteve esse nervo que parece ao vivo: riff direto, andamento acelerado, tudo resolvido no impulso.
No papel, era só para completar minutos. Na prática, virou aquela música que atravessa décadas como se tivesse sido escrita para ser o cartão de visitas do Sabbath.
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