Demorei muitos anos para sacar a genialidade de Jimi Hendrix, diz Rafael Bittencourt
Por Bruce William
Postado em 28 de abril de 2022
Na edição #021 do Pré-Amplifica, Rafael Bittencourt, que estava conversando com o pianista Lord Vinheteiro, revelou que a princípio não gostava de Jimi Hendrix, e que levou muitos anos para ele entender por qual motivo o norte-americano virou uma lenda na guitarra.
"Esses instrumentos elétricos são muito sensíveis, a guitarra é muito barulhenta. Então qualquer coisinha que você faz no dedo altera esse som", conta Rafael. "O que vai diferenciar os guitarristas é a nota que o cara toca. O próprio martelo do piano, o cara vai dar expressividade nele mas de dinâmica. Já no caso da guitarra, você arrasta um pouquinho o dedo pra cá e a nota desafina; aperta um pouquinho o traste, ela também desafina, tem muito guitarrista que toca bem mas toca desafinado porque aperta um pouco mais ali e o cara não tem ouvido, nem percebe".
"E se não palhetar na hora certa também, falha a nota", intervém o Vinheteiro. "Exato", confirma Rafael. "Então o lance da guitarra é essa expressão. Por exemplo: eu demorei muitos anos pra sacar a genialidade do Jimi Hendrix. Quando eu era moleque não gostava de Jimi Hendrix. Já gostava de guitarra, gostava de Van Halen, gostava de Iron Maiden, mas não gostava de Hendrix. Aos poucos, conforme eu fui entendendo o instrumento, fui me aprimorando..."
Neste ponto Vinheteiro pergunta de que ano é Jimi Hendrix, e Rafael diz "final dos anos sessenta. Ele morreu em 1971 ou 1970, não lembro agora" (Nota: foi em 1970). "Chuck Berry já tinha aquela coisa de pa-pa-pa, ele dançava com a guitarra, a extravagância na guitarra começa com Chuck Berry. Jimi Hendrix chegou uns 10-15 anos depois, olhando agora nem é tanto tempo assim, mas ele já chegou com muita expressividade, o jeito de tocar, você vai tocar Jimi Hendrix, ninguém consegue tocar igual, cada um toca de um jeito por conta dessa sutileza de interpretação mesmo que tem, a guitarra é muito barulhenta, muito cheia de ruídos e muito cheia de expressões".
Um pouco mais adiante, Rafael retoma o raciocínio: "O Jimi Hendrix sacou uma coisa, a guitarra gera muita microfonia, realimentação. Então você está tocando na frente da caixa, começa a realimentar com o captador, começa a dar aquele barulho, só que dependendo da posição ou da distância que você está aquilo te ajuda justamente na sustentação dessa nota. Então ele foi um dos caras que começou a perceber que este barulho, estes ruídos todos, você está dominando o ruído. Dominar esses ruídos, esse barulho, essa é a brincadeira do Rock, do Heavy Metal", conclui.
Este trecho está no vídeo abaixo, a partir de 1 hora e 27 minutos.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Dez guitarristas que David Gilmour, do Pink Floyd, elogiou ao longo dos anos
Chuck Billy, do Testament, corta os cabelos compridos e mostra novo visual
Jairo Guedz conta o que ouviu de Andreas Kisser sobre sua saída do Sepultura
Scorpions confirma primeiras datas na América Latina em 2027
As músicas que Steve Harris, do Iron Maiden, se recusava a ouvir no carro
A coisa no Iron Maiden que só Bruce Dickinson faz bem, segundo Steve Harris
Lost Society conclui sua transformação em "Hell Is a State of Mind"
Chuck Billy (Testament) lembra de quando tentou ser vocalista do Sepultura
Joey Belladonna, vocalista do Anthrax, é detonado por performance do hino americano
Dave Grohl desabou em lágrimas após tocar "Highway to Hell" com o AC/DC
Rachel Bolan reafirma que o Skid Row nunca se reunirá com Sebastian Bach
O álbum do Black Crowes que ganhou admiração após recepção inicial morna
O disco do Black Sabbath que todas as faixas são "mágicas", segundo Rob Halford
Scott Ian considera AC/DC com Bon Scott "a melhor banda de todos os tempos"
Os 50 melhores álbuns de thrash metal da história segundo os leitores da Metal Hammer

Humberto Gessinger e Andreas Kisser apontam o que faltou ao rock nacional dos anos 80
Akira Takasaki (Loudness) sobe ao palco com o Angra para tocar clássico do Deep Purple
Angra reúne Kiko, Falaschi e Akira Takasaki, do Loudness, em apresentação de "Burn", do Purple
Kiko Loureiro parabeniza Rafael Bittencourt pelo aniversário; "irmão que a música me deu"
Como Herman Li conheceu Andre Matos do Angra: "Kai Hansen, você conhece ele?"
A melhor banda brasileira de prog metal segundo o Loudwire
Por que hiato do Angra não foi pretexto para tirar Fabio Lione, segundo Felipe Andreoli
Os bastidores da saída de Fabio Lione do Angra, segundo Marcelo Barbosa
Os 4 pilares do Angra que IA precisaria entender pra compor igual, segundo Marcelo Barbosa
Slash, tecnicamente, faz só um tipo de coisa na guitarra, diz Kiko Loureiro ao explicar postura


