O álbum em que John Lennon disse que "meu trabalho virou jornalismo, não poesia"
Por André Garcia
Postado em 27 de março de 2024
Em seus primeiros anos, os Beatles seguiram a tendência do rock (e de toda a música pop) de se limitar a temas como festas, romance e coração partido. Com o passar do tempo, por influência de Bob Dylan, eles passaram a abordar em suas músicas todo tipo de tema e, dessa forma, John Lennon se destacou por hinos pacifistas como "All You Need Is Love" e "Revolution". Em carreira solo, ele seguiu enfileirando hits pela paz: "Give Peace a Chance", "Power To The People" e "Imagine".
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Após se mudarem de Londres para Nova Iorque em 1971, John e Yoko se aproximaram de militantes políticos e se tornaram mais engajados que nunca. O resultado foi "Sometimes in New York City" (1972) que, álbum duplo, era praticamente todo composto por canções de protesto. Para deixar bem claro a pegada jornalística, a capa imita um jornal (assim como feito pelo Jethro Tull com "Thick as a Brick" três meses antes).
Dali em diante, entretanto, ele praticamente não tornou a fazer músicas sobre política. Acredita-se que, em alguma medida, pesou a fria recepção tanto dos fãs quanto da crítica — um banho de água fria se comparado ao sucesso feito por "Imagine" no ano anterior. Segundo Lúcia Villares escreveu no livro John Lennon no Céu com Diamantes, certa vez Lennon expôs sua frustração com aquele trabalho:
"Eu não acho que [as músicas de 'Sometimes in New York City'] sejam as melhores que já escrevi, porque eu estava forçando a barra. A ideia era que eu tinha que escrever sobre as coisas que as pessoas estavam falando sobre naquele momento. Foi nessa que me perdi: por não ter escrito o que eu estava sentindo. Aquilo até funcionou em 'Give Peace a Chance', mas não funcionou nas outras. [...] Meu trabalho virou jornalismo, não poesia; e sinto que sou basicamente um poeta."
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