O motivo pelo qual George Harrison odiava o movimento hippie: "Vagabundos hipócritas"
Por André Garcia
Postado em 18 de julho de 2024
Em 1967 o mundo mudou para sempre com álbuns que transformaram o mundo da música popular, como "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" e os álbuns de estreia de Jimi Hendrix, The Doors, Velvet Underground.
Conforme publicado pela Cheat Sheet, no livro "In Here Comes The Sun: The Spiritual And Musical Journey Of George Harrison" o autor Joshua Greene escreveu que astrologicamente todo o planeta passou por uma profunda transformação naquele ano.
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"Conforme os cálculos astrológicos, em 1967 a Terra saiu de mil anos de confusão da era de Peixes (dois peixes nadando em direções opostas) e entrou em uma era de ouro sob o signo de Aquário."
Poucos anos antes, foi George Harrison que havia descoberto o LSD (junto com John Lennon), e foi ele que descobriu a meditação transcendental e a filosofia hindu da Índia. Aquilo teve um grande impacto não só dentro da banda e na Inglaterra, como se difundiu pelo mundo afora. Da ocidentalização de tudo aquilo surgiu o movimento hippie, que nos Estados Unidos fez de São Francisco sua residência.
"Escritores e poetas profetizaram que essa nova era seria de harmonia e compreensão", escreveu Greene, "e os jornais clandestinos descreveram o distrito de Haight-Ashbury, em São Francisco, como seu epicentro: o lar da expansão de consciência do LSD, cheia de pessoas bonitas em roupas coloridas dançando ao som de música psicodélica e vivendo o sonho da Era de Aquário."
Empolgado com aquilo, em 67 Harrison partiu com sua esposa, cunhada e cunhado para conhecer Haight-Ashbury — então incensada como a meca hippie nos Estados Unidos.
"George vestiu calças psicodélicas, mocassins e óculos escuros em forma de coração", contou o escritor, "na expectativa de fazer parte de algo bonito com pessoas descoladas despertando espiritualmente e fazendo arte."
O que George encontrou lá, entretanto, não poderia ser mais diferente do que ele esperava e havia visto nos templos da Índia:
"Era lixo estava espalhado pelas ruas, e os hippies estavam esparramados pelos bancos e calçadas. Os pedintes (ou ''moleques horríveis e maltrapilhos que abandonaram os estudos por causa das drogas', como George os chamava) vagavam pelas ruas pedindo moedas em nome do amor e da paz."
Com a palavra, George Harrison
Anos depois, no documentário George Harrison: Living in the Material World (de Martin Scorsese), o ex-beatle relembrou:
"Fui para Haight-Ashbury esperando que fosse um lugar brilhante. Pensei que seria um monte de gente descolada vivendo como ciganos, com tendas fazendo obras de arte, pinturas e esculturas. Em vez disso, acabou que era só uma cambada de vagabundo. Muitos deles eram só garotos muito jovens, saídos de todo lugar dos Estados Unidos, que tomaram ácido e foram para lá como uma meca do LSD."
"[O LSD não era a resposta para tudo.] Ele até permite que você veja muitas possibilidades que talvez nunca tenha visto antes, mas não é a resposta. Você não simplesmente toma LSD e pronto, fica tudo bem para sempre. Você pode tomar quantas vezes quiser, mas chega a um ponto em que não pode mais avançar a menos que pare de tomar."
"Haight-Ashbury [...] era só gente sentada na calçada pedindo esmolas, 'Nos dê dinheiro para comprar um cobertor'. São uns hipócritas. Ficam tirando sarro dos turistas, mas, ao mesmo tempo, ficam com as mãos estendidas pedindo esmolas a eles. É disso que eu não gosto."
"Não ligo se alguém renuncia a alguma coisa, é a imposição que eu não gosto. No momento em que você renuncia [ao status quo] e depois fica implorando que as pessoas te ajudem… isso não é bom. Acabei me dando conta por meio de muitas coisas que, não importa o que você seja desde que trabalhe", concluiu Harrison.
O movimento hippie ainda está vivo até hoje, mas foi reduzido a algo de nicho desde seu declínio no começo dos anos 70. Para piorar, na segunda metade da década a cultura hippie ainda virou alvo do movimento punk, assim como o rock progressivo. Já George Harrison manteve sua espiritualidade e sua crença no hinduísmo por toda sua vida.
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