Quando Gilmour percebeu que o Pink Floyd virou um fardo: "Estava ficando um pouco demais"
Por Bruce William
Postado em 04 de maio de 2025
David Gilmour assumiu o controle do Pink Floyd em um momento delicado. Com a saída de Roger Waters, o guitarrista e vocalista precisou reinventar a banda, enfrentar disputas legais e, ao mesmo tempo, lidar com as expectativas do público. O álbum "A Momentary Lapse of Reason" (1987) marcou essa nova fase, mas só com "The Division Bell" (1994) ele sentiu que realmente conseguiu expressar algo mais consistente.
A temática do disco girava em torno da falta de comunicação — tanto em nível pessoal quanto artístico. Canções como "What Do You Want From Me", "Lost for Words" e "Coming Back to Life" abordavam diretamente esse sentimento. Gilmour aproveitou também para reaproximar-se de Richard Wright, que voltou a participar criativamente, algo que não acontecia desde "Wish You Were Here" (1975).

Mesmo com o sucesso do disco e da turnê, Gilmour já sentia o peso de levar o Pink Floyd adiante sozinho. "Fui lançado praticamente como o único líder após a saída do Roger. Estava carregando esse fardo sozinho, e foi difícil. Foi um processo de aprendizado," ele contou, em fala publicada na Far Out. O cansaço acumulado logo se tornaria um fator decisivo.
Na mesma entrevista, ele admitiu: "'Division Bell' tem muito a seu favor. Mas, depois disso, o peso de carregar esse fardo estava ficando um pouco demais. E eu pensei em me aposentar ou em focar em coisas solo." Era o sinal claro de que continuar com a banda já não lhe trazia a mesma realização.
Para muitos fãs, "The Division Bell" é o encerramento real da discografia do Pink Floyd. O álbum posterior, "The Endless River" (2014), é visto mais como uma homenagem póstuma a Richard Wright, baseado em gravações antigas. A despedida simbólica, no entanto, já havia acontecido vinte anos antes, com "High Hopes".
Essa última faixa tem um tom melancólico e reflexivo, em que Gilmour canta sobre o passado com uma mistura de saudade e aceitação. "O sino final" que encerra a música parece também anunciar o fim de uma era. Se era ou não intencional, acabou funcionando como uma espécie de adeus não declarado.
Ao deixar o Pink Floyd para trás, Gilmour também se libertava do peso de sustentar um legado. Foi um encerramento discreto, mas coerente com a maneira como ele sempre preferiu lidar com os conflitos e a própria carreira — no tempo dele, do seu jeito.
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