O curioso efeito da teimosia do AC/DC em insistir no que está fora dos trending topics
Por Bruce William
Postado em 04 de julho de 2025
Se há algo para o qual Angus Young nunca deu a mínima sãos as "tendências do momento"; para ele pouco importa o que é "quente" agora, o que está bombando nas paradas, nos "trending topics", pois ele nunca se preocupou com isso, e sempre seguiu em frente fazendo o que gosta. Para ele, seguir firme no que acredita com sua guitarra na mão, energia crua e sem frescura, sempre valeu mais do que qualquer tentativa de agradar os formadores de opinião. A única bússola que ele reconhece é a do próprio instinto musical.
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Por isso, quando perguntado em 1988 se achava estranho ver o AC/DC "na moda" outra vez, respondeu com a ironia de quem não está nem aí: "Ridículo!". Naquele momento, a banda havia voltado a ganhar destaque depois de alguns anos em baixa, mas para Angus, o importante nunca foi o prestígio da crítica ou o status de ser referência para os mais jovens.
Acontece que, enquanto o disco "Blow Up Your Video" chegava ao segundo lugar nas paradas britânicas e o single "Heatseeker" se tornava o maior hit da carreira do grupo no Reino Unido até então, algo ainda mais curioso acontecia nos bastidores, relata a Classic Rock: os nomes quentes, que estavam dominando o som pesado citavam o AC/DC como uma das maiores influências. O Guns N' Roses, por exemplo, incluía "Whole Lotta Rosie" no repertório de seus primeiros shows em Londres. The Cult se aproximava de vez do som pesado com riffs que lembravam os do AC/DC, especialmente após se unir ao produtor Rick Rubin. E até Lars Ulrich, do Metallica, desfilava por aí com uma jaqueta da turnê "Back in Black", recebida de presente do empresário Peter Mensch, que também já havia trabalhado com a banda australiana.
O AC/DC, que nunca saiu de cena totalmente mas estava em um período de uma certa baixa, voltava a ganhar espaço entre o novo público do hard rock. Mas se todo esse reconhecimento impressionava jornalistas e fãs, não mexia com Angus. Para ele, o que importava era a opinião do público. "Se um garoto chega pra mim e diz que não gostou do show, isso me derruba. Mas se a plateia gosta do disco, ela compra. E isso é tudo que eu preciso saber."
O guitarrista também dizia não conhecer direito os novos nomes do rock pesado que surgiam na época. Continuava ouvindo os mesmos sons de sempre: Chuck Berry, Little Richard, Muddy Waters. E resumia a filosofia da banda com a mesma franqueza de sempre: "A gente faz rock do jeito que sabe: alto, simples e pesado"
Enquanto outros se adaptavam para acompanhar as mudanças da indústria, Angus mantinha os pés firmes naquilo que sempre acreditou. E talvez por isso mesmo o AC/DC nunca tenha saído verdadeiramente de moda. Mesmo nos tempos em que estavam fora dos holofotes, seus riffs continuavam sendo reciclados por bandas mais novas, e o público fiel nunca abandonou eles. Para os irmãos Young, o que importava era tocar alto, direto e com pegada, sem se preocupar com tendências ou aprovação da crítica. E é justamente essa teimosia que manteve o nome da banda em alta por tantas décadas.
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