Metallica: 335.000 fãs banidos na batalha contra o Napster

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Por Marcio Millani, Fonte: Ultimate Classic Rock, Tradução
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METALLICA é uma das maiores bandas de rock do mundo, mas a ação judicial que a banda ingressou contra o Napster - site de compartilhamento de arquivos – se tornou um momento decisivo em sua carreira.

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A trajetória até os tribunais teve início em junho de 1999 quando Shawn Fanning, que fugiu da escola, e o hacker adolescente Sean Parker criaram um programa ao qual deram o nome que era o apelido de infância de Fanning. A intenção inicial do Napster era propiciar "um modo de as pessoas buscarem por arquivos e conversarem umas com as outras," de acordo com matéria da Newsweek do ano de 2000. "Construir comunidades sobre tipos diferentes de música," nas palavras de Fanning no artigo.

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Entretanto, a expansão da internet de alta velocidade, especialmente nos campi das faculdades, fez do programa a solução perfeita para estudantes ávidos por procurar e baixar arquivos de mp3. Encontrar canções raras (ou mesmo comuns) se tornou tão fácil quanto digitar o nome de uma banda ou título de uma música em uma barra de pesquisa. Logo, milhares de pessoas estavam trocando arquivos de música como se fossem figurinhas digitais de astros do baseball, utilizando o Napster como canal.

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Naturalmente, a indústria da música não estava satisfeita, e agiu prontamente. No começo de dezembro de 1999 a RIAA (Recording Industry Association of America) processou o Napster. A organização divulgou uma declaração contendo a seguinte citação de Cary Sherman, vice-presidente executivo senior e conselheiro geral da RIAA: "O Napster está facilitando a pirataria, e tentando construir um negócio às custas dos artistas e proprietários de direitos autorais." Ron Stone, do Gold Mountain Management, foi ainda mais direto na mesma declaração: Trata-se do site mais insidioso de que já tomei conhecimento."

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O METALLICA também não estava nada entusiasmado com o Napster, principalmente após descobrirem que uma versão incompleta de "I Disappear" - que estava tocando nas rádios – apareceu graças ao programa. "Recebi uma ligação de nosso escritório no dia seguinte: 'Isso remonta a uma coisa chamada Napster,'" lembrou em 2013 o baterista LARS ULRICH. Como se isso não bastasse, o restante do catálogo da banda estava também disponível livremente. A reação de ULRICH? "Falamos o seguinte, 'Bem, eles f* com a gente, então nós iremos f* com eles.'"

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Então em abril, a banda entrou com ação judicial na California não só contra o Napster, mas também contra as universidades de Southern California, Yale e Indiana.

De acordo com a Rolling Stone, as entidades foram acusadas de "infringirem direitos autorais, utilizarem ilegalmente dispositivos de áudio digital e violarem a RICO (Racketeering Influenced & Corrupt Organizations Act)." A quantia requisitada? $100,000 por cada violação de direitos autorais. Em um comunicado de imprensa (em parte citado pela Rolling Stone), ULRICH esclareceu o porquê de a banda decidir interpor a ação judicial. "Em cada projeto, passamos por um extenuante processo criativo até alcançarmos a música que sentimos ser representativa do METALLICA naquele determinado momento de nossas vidas. Levamos muito a sério nossa arte – quer seja a música, as letras, as fotos ou as ilustrações – da mesma forma que outros artistas o fazem. Assim sendo é repugnante saber que nossa arte está sendo negociada como se fosse uma mercadoria em vez da arte que ela é.

"De um ponto de vista de negócios, isso é pirataria – apropriar-se de algo que não pertence à pessoa; e isso é moral e legalmente errado. A troca de tal informação – quer seja música, vídeos, fotos ou o que for – com efeito é tráfico de produtos roubados."

O Napster enfrentou este desafio, bem como outra ação interposta pelo rapper DR. DRE algumas semanas depois. Houve também bloqueios ao serviço pelas faculdades e universidades (Yale e Indiana foram posteriormente retiradas da ação após adotarem este procedimento). Entretanto, outras faculdades como Harvard, MIT, Stanford e Duke recusaram-se a impedir as pessoas de utilizarem o serviço nos campi. E muitos músicos e bandas saíram em favor do serviço, incluíndo CHUCK D, do PUBLIC ENEMY, LIMP BIZKIT e OFFSPRING.

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A repercussão contra o METALLICA foi imediata e severa, talvez pelo fato de que, para reforçar o caso, a banda localizou mais de 335.000 usuários que supostamente baixaram ilegalmente músicas da banda, solicitando ao Napster o bloqueio deles (a empresa cumpriu). Como resultado, a ação judicial passou a ser vista como um ataque pessoal contra fãs ou como uma jogada gananciosa, e não como regra ou desacordo entre negócios. "Alguns artistas estão nessa pela simples arte da música. Outros estão pela grana," disse à CNET o estudante Wayne Chang, que gerenciou os quadros de avisos da comunidade online do Napster. "METALLICA mostrou de que lado eles estão.

A companhia de música online August Nelson criou um website chamado PayLars.com que, de acordo com a MTV, permite aos fãs "doarem" $1 por cada canção lançada oficialmente pelo METALLICA, a fim de compensar por todas as receitas que a banda afirma estar perdendo com as trocas em MP3.'" O animador/cineasta Bob Cesca também entrou na dança, produzindo diversos vídeos satirizando a ação judicial e os membros da banda, e criando um curta anti-METALLICA chamado "Metalligreed", para o MOTLEY CRUE.

"Os porcos engordam e depois são abatidos, e eu acho que o METALLICA foi abatido," disse o baixista NIKKI SIXX à MTV à época. "Eles ganharam bastante com T-shirts e concertos e outros itens comerciais. Acho que não é um corportamento aceitável para um artista fazer isso aos seus fãs. Elektra ...[e] os gestores do METALLICA....estão manipulando os membros da banda e estão f* os fãs e está tudo ferrado." (Sobre este fato, a então porta-voz do METALLICA Gayle Fine respondeu à MTV: "Se o MOTLEY CRUE está de um lado, e nós estamos do outro, pode ter certeza que nós estamos do lado certo.")

Por Annie Zaleski.


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Sobre Marcio Millani

Nasceu e sempre morou em São Paulo. É formado em Sistemas de Informação e pós-graduado em Língua Portuguesa, mas não atua em nenhuma das duas áreas. É baixista, mas também curte brincar com guitarra e bandolim. Participou das bandas paulistanas Centúrias e Mixto Quente, ambas com discos lançados pelo selo Baratos Afins na década de 80. Participou também de inúmeras bandas cover de Blues, Classic Rock e Fusion. Além destes estilos gosta de Progressivo, Jazz, Bluegrass e música clássica.

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