Garotos Podres - A banda punk que brigou feio porque um era de esquerda e outro de direita
Por Gustavo Maiato
Postado em 02 de janeiro de 2026
O punk brasileiro sempre foi associado a contestação, choque e conflito, mas poucas histórias ilustram isso de forma tão literal quanto a dos Garotos Podres. Surgida no início dos anos 1980, no ABC paulista, a banda se tornou um dos nomes mais importantes do punk nacional, com letras agressivas, linguagem direta e um discurso claramente político. Décadas depois, no entanto, o grupo virou exemplo de como divergências ideológicas internas podem ser tão destrutivas quanto qualquer repressão externa.
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Segundo vídeo publicado pelo Júlio Ettore, a ruptura dos Garotos Podres não foi resultado apenas de desgaste pessoal ou problemas financeiros, embora esses fatores também tenham pesado. O estopim público foi uma briga envolvendo dinheiro durante uma turnê em 2012, mas o conflito real vinha se acumulando havia anos, alimentado por visões de mundo cada vez mais opostas entre os integrantes.
De um lado estava Mao, vocalista e principal letrista, defensor de um discurso alinhado à esquerda, crítico da polícia, do capitalismo e do conservadorismo. Do outro, o baixista Sucata passou a se posicionar publicamente de forma cada vez mais à direita, defendendo pautas conservadoras e até elogiando a Polícia Militar em redes sociais - algo impensável para boa parte do punk tradicional. O choque ideológico deixou de ser um detalhe e passou a interferir diretamente no funcionamento da banda.
As divergências transbordaram para declarações públicas duras. Integrantes passaram a se acusar mutuamente de trair os princípios do punk, enquanto outros diziam não aceitar mais subir ao palco para repetir letras que já não representavam suas convicções. O discurso político, que sempre foi uma força dos Garotos Podres, acabou se tornando o principal fator de implosão do grupo.
Como acontece com frequência no rock brasileiro, a briga não ficou apenas no campo simbólico e foi parar na esfera jurídica. A marca "Garotos Podres" não estava registrada, e os dois lados tentaram garantir o direito de usá-la. O caso foi levado ao INPI e se arrastou por anos, com formações rivais, shows paralelos e uma confusão que dividiu fãs e a própria cena punk.
Durante esse período, houve até a coexistência de duas versões da banda. Enquanto um lado seguia reivindicando a herança política original, o outro tentava se desvincular do rótulo ideológico e focar em uma leitura diferente do que seria o espírito punk. A situação escancarou uma contradição rara: uma banda formada para combater o sistema acabou reproduzindo, internamente, as mesmas disputas polarizadas que criticava nas letras.
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