A banda em que um brasileiro apostou: "Tive tendinite de carregar mala com dinheiro"
Por Gustavo Maiato
Postado em 02 de janeiro de 2026
Ao olhar para trás, Ricardo Chantilly costuma refletir sobre tempo, legado e paternidade. "Eu penso muito nisso hoje. Espero viver o máximo possível", contou em entrevista ao Corredor 5. Aos 52 anos, com um filho de quatro, ele explica que quer chegar, no mínimo, aos 73 - "um número simbólico" - para conseguir transmitir ao filho tudo aquilo que recebeu do próprio pai. "Tudo o que eu sou hoje é muito por causa dele", afirmou.

O pai de Chantilly teve uma vida marcada por experiências extremas. "Foi diretor do presídio Frei Caneca, foi pra Segunda Guerra Mundial, matou gente, tomou tiro", relembrou. Segundo ele, essa trajetória dura acabou influenciando diretamente sua forma de enxergar o mundo e os negócios. "Essa coisa do empreendedorismo vem muito daí", resumiu, ligando disciplina, risco e iniciativa à própria formação.
Apesar disso, Ricardo foi o único empreendedor da família. "Meus três irmãos seguiram carreiras normais. Eu fui o único", disse. Desde adolescente, já se virava sozinho: "Com 15 anos eu já tinha montado uma confecção de surfwear. Vendia, ganhava dinheiro, perdia dinheiro". Aos 18, já comandava uma pequena fábrica e se envolvia com tudo que orbitava a cultura jovem da Barra da Tijuca, de eventos esportivos a campeonatos de surfe.
A virada mais simbólica da carreira veio anos depois, durante uma viagem solitária à Austrália. "Eu estava no Rappa, trabalhando feito um louco. Fui pra surfar e relaxar", contou. Lá, reencontrou músicos com quem havia trabalhado décadas antes e acabou dando um passo inesperado: levou O Rappa para tocar no país. "Quando fizemos seis shows lotados, eu pensei: 'Cara, olha o que eu fiz na vida'. Não era nem sobre dar certo, mas sobre fazer sentido."
Pouco tempo depois, viria a aposta que mudaria tudo. Em 1996, Chantilly recebeu uma ligação improvável. "Atendi achando que era trote", contou. Do outro lado da linha estava Colin Hay, vocalista do Men at Work. "Achei que fosse brincadeira. Falei até que eu era o Papa", relembrou, rindo. Mas Hay insistiu e explicou que a banda queria voltar à ativa depois de 12 anos - começando pelo Brasil.
Sem pensar duas vezes, Chantilly disse que toparia e, mesmo sem viagem marcada, afirmou que estava indo para a Austrália na semana seguinte. "Mentira", confessou. "Mas fui. Comprei a passagem, fui pra Melbourne e fechei a turnê." O resultado foi avassalador: 20 datas no Brasil, todas esgotadas. "Eu tive tendinite no ombro de tanto carregar mala com dinheiro", disse. "Foi Faustão, televisão, tudo. O Men at Work era uma banda global."
O mais curioso é que nada disso veio de um plano estruturado. "A gente aprendeu fazendo. Não sabia nada no começo", admitiu. Em uma das histórias mais reveladoras, ele conta que comprou dez shows por dez mil dólares, valor que mal cobria as passagens. Quando um produtor brasileiro ofereceu seis mil dólares por uma única apresentação, a reação foi imediata: "A gente se olhou e pensou: 'Caraca… a gente se deu bem'". Era o início de uma trajetória que mostraria como intuição, risco e ousadia podem transformar apostas improváveis em histórias lendárias da música ao vivo no Brasil.
Confira a entrevista completa abaixo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Ex-capitão da seleção inglesa é fã de heavy metal e já bateu uma bola com o Iron Maiden
Manowar tocará "Kings of Metal" e "Fighting the World" na íntegra em shows de 2027
Mark Wahlberg nem sabia que metal existia, revela Zakk Wylde
As 11 melhores bandas de rock progressivo dos EUA, segundo a Loudwire
A música do Queen que Freddie Mercury considerava melhor que "Bohemian Rhapsody"
Mike Mangini fala sobre primeiro show como baterista do Godsmack
Sebastian Bach sobre Lzzy Hale no Skid Row: "Odeio aqueles caras, mas ela é f*da"
O maior riff de guitarra de todos os tempos, segundo Tony Iommi do Black Sabbath
Ex-guitarrista do W.A.S.P. sobre Trump: "Confiaram na pessoa errada"
O melhor álbum de pop punk de todos os tempos, segundo o Loudwire
Os dois melhores bateristas do rock de todos os tempos, segundo John Bonham
A música do Metallica que Jesse Leach (Killswitch Engage) adoraria regravar
As 25 melhores bandas de todos os tempos, segundo a Classic Rock
Por que o Led Zeppelin lançou seu quarto álbum sem nome na capa, segundo Jimmy Page
A banda que Chris Cornell integraria se convidassem; "Ele nunca me chamou"

A banda brasileira que levou 4 mil pessoas a show na Austrália: "Cara, olha o que fiz"

Belo Horizonte entra na rota do rock internacional
Youtuber mistura "One" do Metallica com clássico do Men At Work e resultado é hilário


