Discos e Histórias: Metallica e a estreia de Jason Newsted em ... And Justice for All
Resenha - And Justice for All - Metallica
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collectors Room
Postado em 13 de fevereiro de 2020
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Quarto disco do Metallica.
Gravado entre 28 de janeiro e 1 de maio de 1988 no One and One Studios, em Los Angeles, mesmo local onda a banda gravaria também o disco seguinte, o "Black Album" (1991).
Lançado dia 25 de agosto de 1988, é o primeiro álbum duplo de estúdio do Metallica.
Produção de James Hetfield e Lars Ulrich ao lado de Flemming Rasmussen, que havia assinado a produção de "Ride the Lightning" (1984) e "Master of Puppets" (1986).
Estreia do baixista Jason Newsted, que veio do Flotsam & Jetsam e substituiu Cliff Burton, que morreu aos 24 anos no dia 27 de setembro de 1986, vítima de um acidente com ônibus da banda em uma estrada da Suécia
Tem um problema sério, que é não presença do baixo na mixagem final. Essa decisão foi tomada por James e Lars, que ordenaram que Flemming baixasse o volume do instrumento na mixagem até quase torná-lo inaudível. O produtor não faz ideia do que motivou isso. É uma decisão muito controversa e sem explicação até hoje.
O álbum foi remasterizado em 2019, ganhou uma nova edição e isso não foi corrigido. Na verdade a banda jamais corrigirá a questão do baixo no disco, porque isso seria admitir o erro e a sacanagem que fizeram com Jason.
Capa ilustrada por Stephen Gorman a partir do conceito criado por Lars e James.
Mostra a justiça sendo cega e financiada pelo dinheiro, quando deveria ser para todos, como o título evidencia.
O título do disco vem de uma frase presente no juramento à bandeira dos Estados Unidos.
Traz músicas muito mais complexas e intrincadas, com uma clara influência progressiva.
Vale lembrar que o metal progressivo crescia muito no período através de banda como Fates Warning.
1988 também é o ano de lançamento de um marco do estilo, "Operation: Mindcrime", do Queensryche, e também de "Seventh Son of a Seventh Son", o álbum mais prog do Iron Maiden até então.
É como se a banda quisesse mostrar, através de canções muito mais complexas do que as gravadas nos três discos anteriores, que poderia seguir em frente sem Cliff Burton, reconhecidamente o seu melhor instrumentista até então.
As canções são predominantemente longas, variando entre 6 e 9 minutos.
A banda decidiu ampliar seu alcance sonoro e fez isso através de músicas que apresentam várias dinâmicas diferentes, o uso amplo de arpejos de guitarra e a exploração de andamentos incomuns.
O disco muda frequentemente de andamento, apresenta paradas bruscas, andamentos mais rápidos e desacelerações, soando muito diferente do que a banda havia feito até então.
Segundo James: "Em termos de composição éramos apenas nós realmente nos exibindo e tentando mostrar o que poderíamos fazer. 'Nós juntamos seis riffs em uma música? Vamos fazer oito. Vamos enlouquecer com isso".
As letras falam sobre temas políticos, injustiças, censura, guerra e conflito nuclear
"Blackened" abre o disco cantando sobre a questão ambiental do planeta.
A música título fala sobre corrupção.
"Eye of the Beholder" traz uma letra que fala sobre liberdade de expressão.
"One" retrata o sofrimento de um soldado ferido e é uma canção anti-guerra.
"The Shortest Straw" fala sobre discriminação.
"Harvester of Sorrow" fala sobre alguém que tinha uma vida normal e de repente começa a matar todo mundo à sua volta.
"The Frayed Ends of Sanity" tem uma letra que fala sobre saúde mental e relata a queda e locura de uma pessoa que sofre de esquizofrenia e chega até à demência.
"To Live is To Die" é uma faixa praticamente instrumental - apenas algumas palavras são ditas ao longo da música – que nasceu de uma linha de baixo já gravada por Burton e que é executada por Jason. A música é uma homenagem do Metallica ao seu falecido baixista.
"Dyers Eve" fecha o disco com uma letra de James dirigida aos seus pais. A mãe, Cynthia, morreu de câncer em por não aceitar o tratamento, que ia contra a sua crença religiosa, enquanto o pai faleceu em 1996 durante a turnê do álbum "Load".
"... And Justice for All" foi aclamado pela crítica assim que foi lançado.
A Rolling Stone deu 4 de 5 estrelas e afirmou que as composições eram impressionantes e o álbum era uma joia de agressividade canalizada com precisão.
A Melody Maker afirmou que as outras bandas iriam dar uma conferida na quantidade de riffs presentes no disco e que ele soava totalmente diferente do monótono rock contemporâneo.
A Metal Forces de nota máxima afirmou que "... And Justice for All" trazia uma musicalidade ainda mais impressionante do que a presente em "Master of Puppets".
O Chicago Tribune deu nota 3,5 de 5 e classificou o disco como o trabalho mais ambicioso do Metallica.
O AllMusic deu 4,5 de 5 e afirmou que o Metallica seguiu o caminho dos dois álbuns anteriores, porém com músicas mais sofisticadas e letras apocalípticas que previam uma sociedade em decadência.
Já o jornalista inglês Mick Wall, autor de uma biografia sobre a banda, criticou duramente o disco e afirmou que, com exceção de "One" e "Dyers Eve", todas as músicas restantes pareciam desajeitadas.
"... And Justice for All" foi indicado ao Grammy de Melhor Performance de Metal, perdendo o prêmio para o Jethro Tull e seu álbum "Crest of a Knave", em uma das decisões mais estúpidas já tomadas pela premiação.
O álbum está na posição número 9 da lista de 25 Melhores Discos de Metal do IGN.
Na décima-segunda posição da lista de 100 Maiores Álbuns Voltados para a Guitarra da Guitar World.
Na posição 42 da 100 Maiores Álbuns de Heavy Metal da revista inglesa Kerrang.
No número 19 da lista de 500 Melhores Álbuns de Metal de Todos os Tempos do jornalista canadense Martin Popoff.
E na posição 21 da lista de 100 Maiores Álbuns de Metal da Rolling Stone.
O disco rendeu três singles.
"Harvester of Sorrow" chegou à vigésima posição na Inglaterra e não entrou nas paradas dos EUA.
"Eye of the Beholder" não figurou nas paradas.
E "One", que foi o primeiro clipe da carreira do Metallica e chegou ao número 13 na Inglaterra e foi o primeiro single do Metallica a aparecer nas paradas norte-americanas, em 35º lugar.
"... And Justice for All" é apontado como o primeiro disco de metal underground a fazer sucesso nos EUA.
O primeiro álbum de metal a chegar ao topo da Billboard foi "Metal Health", do Quiet Riot, em 1983. Mas com exceção do chamado glam metal, nada mais pesado havia conquistado o grande público norte-americano até aquele momento.
Foi o álbum mais vendido do Metallica até então, chegando à posição número 6 do Billboard 200.
Vendeu 1 milhão de cópias apenas nove semanas após ser lançado.
Vendeu mais de 8 milhões de cópias só nos EUA.
Chegou ao número 1 na Finlândia, 3 na Alemanha, 4 na Inglaterra e 5 na Suécia, transformando a banda em headliner dos seus shows e colocando a banda para tocar em arenas gigantescas.
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