Glass Hammer: Elementos de prog clássico para criar sonoridade
Resenha - Breaking Of The World - Glass Hammer
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 30 de março de 2016
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Quando o rock progressivo era subgênero criticamente hegemônico, na metade primeira dos 70’s, os grupos/artistas principais tinham características próprias, podendo-se falar em sonoridade do Genesis, Yes, ELP, Mike Oldfield, Magma, Jethro Tull. A ventania punk e a febre da disco music sopraram o prog para o underground, mas seu som passou a constituir capítulos da gramática do rock. Idiossincrasias e cacoetes sônico-estiliísticos entraram para o repertório ao alcance das bandas novas, que podiam usá-los pra clonar clássicos ou recombiná-los a fim de originar sonoridades próprias.
O veterano Glass Hammer começou a existir quando as bandas-madrinhas do prog eram defuntas ou dinossauras, no início dos 90’s. Sua fama de clonar o Yes não é de todo desmerecida, uma vez que em 2012, um de seus vocalistas, Jon Davison, foi convidado a substituir Jon Anderson no venerável combo britânico.
The Breaking of the World, que os norte-americanos lançaram ano passado, sem Davison, não pode ser acusado de clonagem, porém. Nas 9 canções, o Glass Hammer rearranja características e tiques nervosos de diversos medalhões prog para criar sonoridade própria, resultando em trabalho, que na maioria das músicas leva o ouvinte ao mais excitante do prog sinfônico de matriz setentista.
Mythopeia abre com teclado genesiano e a voz de Carl Groves e bastante do instrumental remetendo ao Yes, mas o resultado é Glass Hammer não imitando ninguém, mas inserindo-se numa tradição da qual se orgulha em participar e nós ouvintes, em amar. No meio do caminho, Mythopeia torna-se acústica para depois retomar seus teclados vintage à Yes.
A longa Third Floor é o epicentro desse álbum sofisticado. O tema não poderia ser mais sci fi, por isso, mais caro a fãs prog: a história do amor impossível entre um homem e um elevador. Seus extáticos 11 minutos têm teclados à Genesis, fase Foxtrot, voos de guitarra e teclados, mudanças de andamento, introspecção de piano e vocais exuberantes divididos em 3, inclusive a linda voz de Susie Bogdanowicz, fazendo o papel do elevador. Sem dúvida, um dos pontos altos na já longa história do grupo.
Em Babyloon, a tradição prog cristaliza-se até na letra; quer mais anos 70 do que citar, por exemplo, o cruzamento do Rubicão? Quer coisa mais Triumvirat, que nomeou álbuns como Pompeii (1977), Mediterranean Tales (1972) e Spartacus (1975)? Além disso, há uma alusão a cruzar o "point of no return". Que progmaníaco não fará a conexão com Point of Know Return (1977), do Kansas? O teclado fluente acoplado a flautas malucas à Ian Anderson a faz um dos pontos altos de The Breaking of the World.
O menos de um minuto de A Bird When It Sneezes nos leva de volta Canterbury e a batalha entre violino e órgão nervoso, resgata Jean Luc Ponty e ELP, mas tudo jogado no liquidificador e batido como Glass Hammer.
The Breaking of the World tem seu quinhão de fillers, mas em sua maior parte é excitante e mais do que indicado para fãs do velho e duro de matar prog sinfônico.
Tracklist
1. Mythopoeia (8:34)
2. Third Floor (11:04)
3. Babylon (7:56)
4. A Bird When it Sneezes (0:34)
5. Sand (5:46)
6. Bandwagon (6:20)
7. Haunted (5:55)
8. North Wind (9:26)
9. Nothing, Everything (8:50)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música do Metallica que foi inspirada em "Run to the Hills" (e virou um "patinho feio")
Cinco versões "diferentonas" gravadas por bandas de heavy metal
Andi Deris lembra estreia do Helloween no Brasil em 1996
O único membro do "Angraverso" que tem uma boa gestão de imagem e carreira
"Não somos um cover, somos a banda real", diz guitarrista do Lynyrd Skynyrd
Fabio Lione afirma que show do Angra no Bangers Open Air será legal
A música do Helloween na fase Andi Deris que Kai Hansen adora
As 11 bandas de rock progressivo cujo primeiro álbum é o melhor, segundo a Loudwire
"Deveríamos nos chamar o que, Iron Maiden?": Geddy Lee explica manutenção do nome Rush
Dave Mustaine acha que o mundo atualmente é um barril de pólvora
A regra não escrita que o Iron Maiden impõe nos solos de guitarra, segundo Adrian Smith
A banda dos anos 80 que Pete Townshend trocaria por 150 Def Leppards
A banda iniciante de heavy metal que tem como objetivo ser o novo Iron Maiden
Moonspell atinge o ápice no maravilhoso "Opus Diabolicum - The Orchestral Live Show"
Essa música do Lynyrd Skynyrd é uma das mais polêmicas da história
O bizarro dia que fã do Angra no Japão disse que Kiko Loureiro já ficou com a prima dele
Rick Rubin lista seus oito álbuns preferidos de todos os tempos
O grande hit dos Titãs que fez o grupo tomar uma grande vaia (e ser consolado por Cazuza)

Carach Angren - Sangue, mar e condenação no Holandês Voador
Testament - A maestria bélica em "Para Bellum"
Auri - A Magia Cinematográfica de "III - Candles & Beginnings"
Orbit Culture carrega orgulhoso a bandeira do metal moderno no bom "Death Above Life"
O melhor disco ao vivo de rock de todos os tempos



