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Resenha - Endless River - Pink Floyd

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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De todos os discos do PINK FLOYD esta é talvez a resenha mais fácil de fazer. Afinal, "The Endless River" é um disco que está sendo lançado agora, despertou a ansiedade por parte de uma legião de milhares de fãs da mais influente banda de rock progressivo da Terra, mas ainda não despertou a paixão que estes mesmos fãs tem por cada segundo da obra, por cada sulco do vinil (até porque a grande maioria deles sequer pode por as mãos no disco físico ainda). Outro motivo é a falta de um propósito mais forte. Não que homenagear o grande Rick Wright seja pouco, mas, enquanto Syd Barrett foi reverenciado em diversos discos pelo quarteto antes formado por David Gilmor, Roger Waters, Nick Mason e pelo próprio Wright, agora temos apenas a metade de toda essa força criativa na homenagem, mesmo com a ilustre participação do próprio homenageado em peças pré-gravadas. Outro fator que depõe contra o disco é a completa ausência de canções que poderiam pleitear espaço numa coletânea da banda, num futuro "Relics" ou "A Collection of Great Dance Songs". O PINK FLOYD não é banda de sucessos populares, com exceção de "Another Brick In The Wall pt. 2" e "Wish You Were Here", que são talvez as únicas que podem ser reconhecidas por qualquer vivente neste planeta, mesmo quem não curte rock progressivo. No entanto, escolher um número menor que duas dezenas de canções da banda para preencher uma bolachinha nunca foi tarefa fácil. "Louder Than Words, o single do álbum, não tem força para tirar a vaga sequer de canções mais obscuras, embora amadas, como "Green Is The Color", da álbum-trilha sonora "More". Da discografia do PINK FLOYD, "More" e "The Division Bell" são os discos que mais guardam semelhança com este "The Endless River".

A semelhança com "More" vem de algumas peças curtas, nada mais que vinhetas grandes, canções que poderiam estar em um filme (o próprio "More" é a trilha sonora de um). Mas é com "The Division Bell" que "The Endless River" mais guarda semelhanças. Conhecidos acordes de canções de "Bell" aparecem novamente aqui, seja como alternativas não desenvolvidas, seja como arestas aparadas.

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O disco é dividido em quatro lados. "Things Left Unsaid" tem a difícil missão de ser o agrupamento um neste novo disco. Assim como "Cluster One" é uma instrumental que preza mais pela delicadeza que por dizer as tais coisas não ditas. E o PINK FLOYD não manda recado, faz o que bem sabe fazer na belíssima "It's What We Do", que lembra tanto a suíte "Shine On You Crazy Diamond" (outra homenagem a um ex-membro) que poderia ser uma de suas partes. "Ebb and Flow" peca por ser curta demais. Quando começa a ficar boa, acaba. Uma pena. Há alguma coisa de "Take It Back" (T.D.B.) aqui, o que nos faz pensar que ela poderia ser parte da canção mais pop do PINK FLOYD (o que, obviamente, lhe tiraria este título).

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O segundo "lado" é talvez o que trás as músicas mais empolgantes do disco. É o PINK FLOYD como todos nós conhecemos. Em "Sum", Nick Mason deixa de ser somente um velhinho figurante e mostra que ainda pode ser aquele mesmo barbudão do "Live At Pompeii". E continua dando as ordens na não menos que excelente "Skins", que lembra "Up The Khyber", do já citado "More". A curtíssima (curtíssima mesmo) "Unsung" mantém o clima e nos entrega completamente rendidos para a bela "Anisina". Esta fecha bem o "lado 2", mas também poderia ser um epílogo de "Coming Back To Life" ou "Wearing The Inside Out" (principalmente por causa da participação de Gilad Atzmon). Seria algo do tipo, "estou voltando à vida e olha o que mais eu tenho pra te contar" ou "estou usando o lado do avesso, mas não é bem assim".

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Agora, vamos falar de não falar. "The Lost Art Of Conversation" é fria. Se esquecermos que é o próprio homenageado que nos entrega uma doce melodia no teclado, o que fica? Pouco em termos musicais, muito para alimentar os detratores e quem quer que venha (injustamente) chamar este disco de "música de elevador". Um leve respiro com "On Noodle Street", com boa intervenção de Guy Pratt, é o que temos antes de chegar a "Night Light" outra vinheta dispensável cujo maior mérito é nos entregar às maravilhosas "Allons-Y" (Vamos lá, em francês). separadas pela intrigante "Autumn '68" (seria ela um contraponto a "Summer '68", do "Atom Heart Mother")? As três juntas não chegam a cinco minutos. Poderiam durar três vezes mais.

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O "lado" termina com "Talkin' Hawkin" que, mesmo com as exibições do talento único de Gilmour e da boa introdução, é uma bobagem. É certo que o físico Stephen Hawking e o PINK FLOYD são alguns dos nomes que serão lembrados do século XX pelos estudantes dos séculos que não viveremos, mas, esta música não é nada mais que o excesso limado em "Keep Talking". A música é boa, mas, sejamos sinceros: uma extended version da canção do "The Division Bell" soaria bem mais honesta.
Chegamos ao último lado de uma forma bem agridoce. Quase chegamos lá várias vezes, mas, várias vezes fomos alvo de baldes de água fria. Tudo isso por causa do aspecto que o disco tem de uma longa colcha de retalhos. As músicas mais energéticas acabam antes que possamos colocar o carro pra andar. As mais contemplativas são curtas demais. Não dá pra viajar como numa música do PINK FLOYD. E enxergar cada "lado" como uma música é complicado, uma vez que não há muita unidade entre cada parte. Mesmo quando falamos de rock progressivo, um tema que vá e volte unindo partes de uma canção é algo de que não podemos prescindir. A vinheta "Eyes To Pearls" é mais um momento bom, mas que pouco se desenvolve. "Surfacing", um pouco mais longa, tem mais chance de se tornar memorável. Lembra "Marooned", principalmente pelo que David Gilmour com as seis cordas. Não seria melhor uma música só de sete minutos e meio que uma canção dividida em duas partes, separadas por vinte anos, uma de cinco minutos que tira lágrimas dos olhos e outra de dois minutos cujo título dificilmente será lembrado ano que vem? "Louder Then Words" parece querer explicar restante do conteúdo do disco, mas, lhe faltam palavras. Algumas de suas antecessoras até falam mais. Crucifiquem-me pelo que direi: que falta que um Roger Waters faz.

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A versão deluxe vem ainda com as "TBS9" e "TBS14" (o que significaria isso? To Be O que? E o que seriam e onde estariam as TBS1, TBS2 etc). E se você, claro, já vai meter a mão no bolso, "Nervana", bem atípica para uma canção do PINK FLOYD, vale um esforço maior e optar por esta versão do álbum.

Com tudo o que dizemos, o álbum chega, no máximo, a uma nota 8. Isto é uma nota boa para muitas bandas, mas, para o PINK FLOYD, que tem mais de um disco com nota 15 numa escala de 0 a 10, é quase o fundo do poço. O álbum é indispensável para todo e qualquer ser-humano que goste de PINK FLOYD, mas, poderia muito bem ser uma versão "Immersion" ou "Experience" de "The Division Bell".

Sobre a capa? Falamos bastante na matéria abaixo. Confira:

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Capa de novo disco é de adolescente egípcio/saudita

Embora já tenha sido divulgado como o último disco do PINK FLOYD, ainda podemos manter a esperança de que haja pelo menos mais um conjunto de obras guardado em algum baú. Explico: "The Endless River" é o penúltimo verso de "High Hopes", ultima faixa de "The Division Bell". Isso é o suficiente para alimentar esperanças de que um "Forever and Ever" possa aparecer para arrematar a carreira desta banda que faz parte de nossas vidas. Se isso vai mesmo acontecer, só podemos esperar. Eu não quero encarar um mundo sem "altas esperanças" de pelo menos mais um disco do PINK FLOYD. E você?

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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