Pink Floyd: O melhor disco da banda desde o "The Wall"
Resenha - Endless River - Pink Floyd
Por Paulo Campanini
Postado em 17 de novembro de 2014
PINK FLOYD: Como é bom poder apreciar um novo disco de inéditas do PF... Ah, mas Atenção: The Endless River não é para iniciantes. Se você já ouviu PINK FLOYD pré The Dark Side of the Moon e pós Barrett mas não simpatizou com o período sugiro continuar ouvindo The Wall.
Embora o embrião de The Endless River seja as sessões de The Division Bell, o disco em nada se parece com um TDB II como muitos comentam, muito pelo contrário, é um disco onde Rick Wright está na liderança com David Gilmour e isso nos remete ao Floyd early seventies com recursos de estúdio do século XXI como já dito inclusive anteriormente pelo guitarrista em algumas entrevistas promocionais para o disco.
Bom, este álbum é dividido em 4 partes e abre com "Things left Unsaid" que realmente é a que mais me lembrou o PINK FLOYD dos últimos anos, pois os dois últimos discos de estúdio do PF bem como o último disco solo de estúdio de David começam com uma bela melodia sem compromisso cheia de teclados e com um belíssimo solo de cordas. "It’s What We Do" nos mostra Rick Wright com tudo e a música em si lembra a injustiçada parte IX de "Shine on..." com um belíssimo órgão e a banda acompanhando. Os "Floydianos" de coletâneas e de discos ao vivo não conhecerão esta parte que originalmente saiu no disco Wish You Were Here em 1975, que é assinada somente pelo gênio Richard Wright e que inclusive fecha a obra. "Ebb and Flow", a seguinte trata-se de uma continuação da primeira música que parece voltar justamente para finalizar a viagem instrumental da primeira parte do álbum.
"Sum" abre a segunda parte do álbum com um começo à lá "Welcome to the Machine" mas em seguida nos traz ao PF do começo dos anos 70 pré Dark Side e pós Syd, com uma intensidade que anuncia algo mas não se sabe a hora, tal como o retorno instrumental de "Echoes" antes da última parte cantada. Teclados e Guitarra slide com uma Bateria e Contrabaixo intensos. Tudo acaba e a pragmática "Skins" nos remete à parte 2 de "A Saucerful of Secrets" cuja fora apelidada pelos próprios membros da banda na época de "Syncopated Pandemonium" com o velho Mason descendo a mão na bateria enquanto maestro Rick Wright nos leva sem rumo pelo seus teclados e Gilmour ruidosamente com sua guitarra cheia de Delay tira aqueles sons nostálgicos mais uma vez à la "Echoes".
"Anisina" talvez a mais bela do disco é uma melodia de piano de Richard Wright com um lindíssimo solo de Sax e o velho Gilmour ao seu estilo deixando a celebração mais primorosa ainda.
"The Lost Art of Conversation" e "On Noodle Street", nos mostra um PF Jazzístico (acho que como Rick Wright sempre sonhou mas nunca teve, uma vez sendo confesso admirador do estilo e devoto de Miles Davis) e que apenas pontuam para "Night Light" que parece mais uma vez um fragmento da primeira música do disco.
Para sair da esfera early seventies "Allons-y (I)" e "Allons-y (II)" repete a formula "Run Like Hell" de DG com aquele Delay e batida únicos e que o U2 pode passar mais trinta anos tentando mas o The Edge nunca vai conseguir fazer igual !!!! Entre estas músicas, "Autumn ‘68" (referência a "Summer of ’68 ?") nos volta ao early seventies e até porque não à era Barrett com aquele som do teclado Farfisa conhecidíssimo em The Piper pois "Matilda Mother" e "Interstellar Overdrive" estão recheados com aquele som, mas a música lembra mesmo "Cirrus Minor" da trilha sonora do filme "More".
"Talkin Hawking" é "Keep Talking" ? NÃO !!! É muito melhor pois nesta melodia Stephen Hawking praticamente canta suas teorias sobre comunicação e é uma pena ser tão pequena pois na levada e na beleza poderiam ter 10 minutos que ainda assim não cansaria. O final nos traz ao TDB em virtude da fala "All we need to do is making sure we Keep Talking" mas é só !
"Calling" é uma obra prima de órgão e piano de Rick em que Gilmour apenas abrilhanta mais o que é perfeito com um pouco de guitarra. "Eyes to Pearls" é um One of These Days de um minuto sem contrabaixo que anuncia "Surfacing" nos remetendo ao famoso Disco da Vaca em "Sunny Side Up" a parte 2 de "Alan’s Psychedelic Breakfast".
Ah quer saber o que acho de "Louder than Words" ? Desnecessária. Na minha humilde opinião o disco deveria ter sido todo instrumental mas a música é bela e é a mais radiofônica do disco, não que o PF precise nesta altura do campeonato de divulgação do seu trabalho para vender, mas é o que o público em geral gosta.
Enfim, minha opinião: o melhor disco do PF desde The Wall. Uma ode de respeito à memória de Rick Wright e que até Roger "Wall"ters se ouvisse iria gostar, obviamente se deixasse o ego de lado e parasse de chorar a morte de Eric Fletcher e limpar rifles antes de dormir.
Lembra-se da pergunta de "Have a Cigar"? "Which one’s Pink ?"
Pink is Richard Wright !!! Rest in Peace Maestro =_(
The Endless River Track-list CD:
Part one
1. "Things Left Unsaid"
2. "It's What We Do"
3. "Ebb and Flow"
Part two
1. "Sum"
2. "Skins"
3. "Unsung"
4. "Anisina"
Part Three
1. "The Lost Art of Conversation"
2. "On Noodle Street"
3. "Night Light"
4. "Allons-y (1)"
5. "Autumn '68"
6. "Allons-y (2)"
7. "Talkin Hawkin'"
Part four
1. "Calling"
2. "Eyes to Pearls"
3. "Surfacing"
4. "Louder Than Words"
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