Mysteriis: O retorno da blasfêmia!
Resenha - Hellsurrection - Mysteriis
Por Renan Souza
Fonte: Hellish Reviews
Postado em 07 de setembro de 2013
Nota: 9 ![]()
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O ano era 2012. Não lembro EXATAMENTE as datas desses acontecimentos, mas duas coisas muito fodas ocorreram mais ou menos no meio do ano: o Mysteriis lançou material novo e voltou a tocar em um show que eu ia mas acabei passando mal e não fui. O slogan do show não podia ser mais apropriado: "O Retorno da Blasfêmia" e o lineup era Imperador Belial, Impacto Profano, Castifas e, é claro, o Mysteriis. Só porrada, seja lá onde foi essa porra não deve ter sobrado muita coisa.
O show, é claro, era início de uma divulgação do novo material, o Hellsurrection. Porra, como eu fiquei feliz com esse lançamento. Mysteriis é uma dessas bandas clássicas que todo mundo já ouviu falar, alguns já viram ao vivo, mas TODOS, sem exceção já escutaram seu primeiro trabalho: About the Christian Despair, que por sinal foi merecidamente eleito em maio desse ano como um dos 60 grandes álbuns do metal brasileiro pela revista Roadie Crew (e sim, ao lado de nomes como Viper, Sepultura, Sarcófago, Torture Squad, Dorsal Atlântica, Krisiun e por ai vai).
Lendo as letras no encarte fiquei impressionado com a sua qualidade. Percebi uma linguagem variada, vocabulário rico, características típicas de quem tem pleno domínio da escrita da língua inglesa, mas fora isso, notei que a maioria das letras não foi construída para rimar. Essa foi uma escolha corajosa e mostra que talvez (e isso é entendimento meu, posso estar completamente enganado) que as letras não foram construídas pensadas como músicas, mas sim como poesias. De uma forma ou de outra, não ficar preso às rimas só enriquece o teor das letras. E porra... Que teor! Uma porrada na cara da hipocrisia cristã! Pelo que li Agramon (Enterro, Impacto Profano) assumiu a guitarra base além do baixo, e a grande verdade é que isso foi muito positivo nesse trabalho.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
O play começa com a intro Hellsurrection, seguida da porrada Nazarene Shall Fall. Aqui o Mysteriis mostra porque está de volta! A bateria está fincada com os dois pés no black metal. As guitarras oscilam em riffs hora black, hora death metal. O ponto alto da música é o refrão "DEATH SHALL RISE - GOD SHALL FALL" - empolgante, herege e fácil de lembrar.
Hell Hath no Limits é uma porrada do início ao fim e uma das músicas mais variadas do play. Ela oscila entre guitarras death metal com a bateria em uma pegada mais hardcore e um black metal puro, estilo Immortal. O pequeno trecho "I AM THE LORD OF NATIONS - I AM THE LEGION AND THE TRUTH" é o único momento mais devagar, e parece que foi colocado ali no meio da música meio que pra dar uma quebrada na porradaria e chamar a atenção para estas duas frases de muito efeito. Gostei muito dessa faixa.
A quarta faixa, Ave Mysteriis II (que é sequel da clássica Ave Mysteriis I - Baphomet Sings) começa com uma intro envolvente e depois cai em riffs lentos e crescentes, o que me pareceu influência de Graveland ou algo assim, até Agares começar as letras e a bateria explodir em um black metal rápido e seco. A música prossegue até novamente o ritmo ficar mais cadenciado (ao melhor estilo Agathodaimon) no trecho "SINKS UNDER THE WEIGHT OF LIES - FROM THE SMELL OF DISCORD - BY THE FORCE OF INCONSISTENCE - LIFE IS SOLD BY THE POOR MEN OF FAITH".
66 Infernal Legions, que conta com os vocais de Lord Kaiaphas (DJ Zhyin), começa com uma intro falada. A música como um todo é a mais lenta do álbum, porém é bem pesada e cadenciada. No álbum como um todo encontrei poucos trechos que cairiam tão bem ao vivo como "FINALLY THE TIME HAS COME - SAID THE PROFANATION STORMS".
A faixa seguinte, Torment on the Tomb of Christ começa envolvente, com todo o clima criado pelos teclados, que acompanha vários trechos da música. Ela é seguida por Vatican Decays - MÚSICA FODA. De certa forma foi a minha música favorita do play, e talvez a mais variada. Vários riffs não característicos do black metal, partes mais death metal, outros mais próximos de thrash metal... Por mais estranho que possa parecer, chegou a me lembrar Unleashed em alguns trechos de tão pesada e direta. De longe foi a letra que mais gostei: longa, porém coerente. Blasfêmia pura! Leiam isso: "TASTE THE INFERNAL COMMAND - FEEL THE EVIL IN YOUR VEIN - JOIN THE ARMY OF DARKNESS - TO DESTROY THE CHRISTIAN'S INSANES", PORRA FODA DEMAIS. Desta novas músicas, essa é a que eu mais gostaria de ver ao vivo. Talvez essa seja a hora certa de fazer um comentário: ao longo deste texto eu faço algumas comparações, mas DE MANEIRA NENHUMA quem quer que esteja lendo essa porra deve pensar que esse não é um genuíno trabalho de black metal. Todas as músicas, sem exceção, são essencialmente black metal.
Heaven's Monotony é mais lenta e pesada, possui uma letra forte e o dedilhado estilo árabe caiu muito bem para ajudar a compor o clima da música. O play fecha com Temple of Disease e a outro Profecia.
Eu vi alguns reviews bem diferentes desse meu alguns meses após o lançamento de Hellsurrection. Vi alguns bem negativos, fazendo comparações com About the Christian Despair, etc. Eu acho esse tipo de comparação inevitável, mas uma coisa que parece que as pessoas não pensam é que qualquer coisa que você compara com uma coisa FODA, vai ter seu valor diminuído injustamente. O CD é diversificado na medida certa: percebi algumas influências externas ao black metal, porém o trabalho não deixa de ser extremamente coeso e bem feito. Pra mim esse é o retorno triunfal de uma das bandas mais fodidas do Rio de Janeiro e do Brasil. Nota 9,0! Esse play com certeza agradará quem curte metal extremo em geral, especialmente o black metal.
PS: About the Christian Dispair está sendo relançado em LP! Imperdível pra quem gosta de vinil.
Mysteriis - Hellsurrection (CD)
Ano: 2012
Gênero: Black Metal
Rio de Janeiro/Brasil
Minha página de reviews:
http://www.facebook.com/hellishreviews
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