Chaos Synopsis: no rol de melhores do ano, sem dúvidas

Resenha - Art Of Killing - Chaos Synopsis

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Por Durr Campos
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O CHAOS SYNOPSIS é um dos grupos brasileiros mais interessantes desde sempre. Seu debut, “Kvlt ov Dementia”, lançado em 2010, foi um dos álbuns de maior impacto naquele ano, não só pela arte gráfica forte (nota do redator: vale uma busca no Google), mas pelo conteúdo musical da bolachinha. Tanto trabalho resultou, dentre outras coisas, em shows ao lado de Dismember e Mayhem, bem como uma turnê pela Polônia. Com o lançamento do mais recente “Art Of Killing”, a meu ver, as conquistas só tendem a aumentar. Senão vejamos.
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Se abordar o tema serial killers já não surpreende mais ninguém no metal, reorientá-lo pareceu-me uma tacada de mestre, até porque basta uma ou duas lidas no encarte de “Art Of Killing” para perceber o nível de esmero nas letras, demonstrando pleno conhecimento de causa no assunto. Cada uma delas aborda um assassino em série distinto, sendo que o primeiro deles, o brasileiro Febrônio Ferreira de Mattos, abre o disco sob a alcunha de “Son of Light”. Música sensacional, inclusive. A seguinte, “Vampire of Hanover”, fala do maluco alemão Friedrich Heinrich Karl “Fritz” Haarmann o qual possui em suas costas nada menos que quase 30 mortes. O singelo apelido veio de sua forma em matar as vítimas, na maioria garotos. “Fritz” costumava morder e comer a pele dos meninos. Outro destaque no álbum.

A primeira divulgada pela banda antes do lançamento, “Rostov Ripper”, cujo lyric vídeo pode ser conferido ao final desta resenha, é uma das melhores e sintetiza muito do que o Chaos Synopsis é em 2013: brutal, furioso, extremo e melódico. Na verdade podemos dizer que temos em mãos uma coleção de riffs memoráveis, ainda mais por sabermos que a coisa toda passou pelas mãos de Andy Classen, o homem por trás de álbuns do Krisiun, Rebaelliun, Suidakra, Graveworm, Dew Scented, Legion Of The Damned, Rotting Christ, dentre dezenas de outros nomes. Tá certo que Andy não produziu, apenas masterizou “Art Of Killing”, mas tenho plena certeza de que fez toda a diferença.

Uma das mais interessantes aborda o personagem fictício Dexter Morgan, do seriado que leva o primeiro nome do assassino. Trata-se de “Bay Harbor Butcher”, alcunha que permeia a série de homicídios na primeira temporada. A estrofe que inicia a canção, inclusive, sintetiza quem é ele: “Cold, empty, emotionless/ Life has no meanings/ No Great Objectives/ To be accomplished/ No purpose in normality”. Sem querer soltar spoilers aos leitores que por ventura não se iniciaram na estória, escrever sobre um serial killer de serial killers é uma tarefa nada fácil, em especial quando quase tudo já fora dito sobre isso. Ou quase.

“Demon Midwife” fala do japonês Miyuki Ishikawa, um insano que trabalhava como diretor em uma maternidade no país, que se divertia aniquilando recém-nascidos. Quando Jairo brada “Newborn/ You won’t see a new day...” chega a dar arrepios. Letra perfeita para ilustrar a vida de horror pelo qual passaram as famílias das crianças ceifadas. Outra das melhores, “Red Spider” trata do polonês Lucian Staniak cujo número de mortes varia entre 6 a 20, de acordo a informação no encarte. Algo bem peculiar é um trecho cantado na língua natal da “aranha vermelha”. Nesta também consta uma frase super bem sacada: “Porque não há feriado sem funeral”, se traduzirmos ao pé da letra. Emblemática, para ficarmos apenas em um predicado.

“Zodiac” retrata um assassino já mais “mainstream”, até porque houve filme sobre o estadunidense natural da Bay Area californiana. A ousadia era tamanha que ele enviava cartas à imprensa contendo criptogramas os quais poderiam levar à solução dos casos. Segundo consta, apenas um deles fora de fato desvendado. A polícia confirmou cinco mortes por parte de “Zodiac”, mas o próprio disse ter dado cabo de 37 vidas! E assim “Art Of Killing” vai chegando ao fim, com duas composições de quebrar o pescoço, a saber: “B.T.K. (Bind, Torture, Kill)”, esta sobre outro dos EUA, Dennis Lynn Rader, o qual tinha prazer em escrever cartas à polícia descrevendo com detalhes seus atos; também “Monster of the Andes”, em alusão ao colombiano Pedro Alonso López, um dos mais brutais, tendo matado possivelmente 300 pessoas, em sua maioria garotas entre nove e doze anos. A faixa que dá nome ao álbum, instrumental, fecha de forma brilhante este que acaba de ganhar um lugar em meu rol de melhores do ano, sem dúvidas.

Lab 6 Music
2013
Death/thrash metal
Brasil

Tracklist:
1. Son of Light 04:28
2. Vampire of Hanover 03:49
3. Rostov Ripper 04:17
4. Bay Harbor Butcher 03:40
5. Demon Midwife 02:50
6. Red Spider 03:37
7. Zodiac 03:17
8. B.T.K. (Bind, Torture, Kill) 04:13
9. Monster of the Andes 03:20
10. Art of Killing 06:18 instrumental

Line-up
Jairo - Insane Propaganda and Heavy Strings
Friggi - Madbeats
JP - Guitars ov Dementia
Marloni - Guitars ov Insanity

Sites Relacionados:
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Lyric vídeo de ROSTOV RIPPER mencionado na resenha:

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Europa, onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar Napalm Death, seguido de algo do New Order ou Depeche Mode, daí viajar com Deep Purple, bailar com Journey, dar um tapa na Bay Area e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo.

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